A Honda NX 500 desembarcou no Brasil com a missão de substituir a CB 500X, uma das motos mais queridas entre os fãs do segmento crossover. Mas não se trata apenas de uma troca de nome — a NX 500 chega com ajustes no design, melhorias na eletrônica e uma proposta mais alinhada com o que o mercado pede em 2026.
Apesar de manter a mesma base mecânica da antecessora, a NX 500 tenta se reposicionar como uma moto mais refinada, mais conectada com o perfil urbano-aventureiro. Para isso, traz um design mais atual e novas tecnologias. A pergunta que fica é: será que ela entrega uma evolução real ou apenas uma repaginada estratégica?
Tivemos a oportunidade de quase 200 quilômetros entre Taubaté, no interior de São Paulo, até PAraty, no litoral fluminense a convite da Honda. Nesta avaliação, você vai encontrar tudo o que precisa saber sobre a nova NX 500 — da ficha técnica ao comportamento na pilotagem, passando por consumo, conforto e comparativo direto com a CB 500X.
A NX 500 2026 mantém a base da CB 500X, mas traz atualizações pontuais em design, ergonomia e ciclística. A proposta continua sendo a de uma crossover versátil para uso urbano, viagens e off-road leve, agora com mais refinamento.
O motor bicilíndrico de 471 cc entrega 49,6 cv a 8.500 rpm e 4,5 kgf·m a 7.000 rpm. A entrega de torque é linear e previsível, com respostas suaves em baixa rotação e fôlego suficiente para ultrapassagens. O câmbio de seis marchas é preciso, e a embreagem assistida e deslizante facilita reduções sem comprometer a estabilidade.
A grande novidade é o controle de tração (HSTC), que pode ser desligado — um recurso inédito na linha 500 e bem-vindo para quem busca mais segurança em pisos escorregadios.
Com peso seco de 183 kg e assento a 830 mm do solo, a NX 500 oferece boa acessibilidade e equilíbrio. A suspensão dianteira invertida da Showa (150 mm de curso) e o monoamortecedor traseiro ajustável garantem conforto e controle em terrenos variados. Os freios — agora com dois discos na dianteira e um na traseira, todos com ABS — entregam eficiência e segurança nas frenagens.
O painel TFT de 5 polegadas tem boa visibilidade e acabamento moderno, mas não oferece conectividade com smartphones no modelo “brasileiro” — um ponto que merece atenção, especialmente considerando a proposta da moto e seu preço.
As rodas de liga-leve com novo design em “Y” são mais leves e calçam pneus sem câmara, facilitando reparos e melhorando o desempenho em diferentes tipos de piso.
Para colocar a NX 500 à prova, percorri cerca de 170 km entre Taubaté e Paraty, passando por São Luiz do Paraitinga, Lagoinha e descendo a Serra de Cunha. O trajeto repleto de curvas, mudanças de altitude e belas paisagens, são o tipo de percurso ideal para testar a proposta crossover da NX 500.
Logo nos primeiros quilômetros, fica claro que as novas rodas influenciam na dinâmica da moto. A frente está visivelmente mais leve, o que facilita a entrada nas curvas e transmite mais agilidade nas mudanças de direção. Em trechos sinuosos, como os da serra, essa novidade faz diferença real na pilotagem — especialmente em curvas de raio curto, onde a resposta precisa e rápida é essencial.
A suspensão absorve bem as imperfeições do asfalto e transmite segurança em curvas de alta. O conjunto traseiro, contudo, pede um regulagem na pré-carga da mola, principalmente, se estiver com garupa e bagagem. O controle de tração atua de forma discreta, mas eficaz, e os freios com ABS de dois canais garantem confiança nas frenagens mais exigentes.
A Honda projetou a NX 500 para ser uma moto confortável e funcional — tanto para o uso diário quanto para viagens mais longas. A posição de pilotagem é natural, com guidão elevado e pedaleiras um pouco recuadas de mais para o meu gosto. Não chega a causar desconforto e até ajuda no posicionamento em curvas, mas obriga a dobrar demais os joelhos e dificulta para pilotar em pé nos trechos de terra.
O banco tem espuma de densidade intermediária e formato que acomoda bem o piloto. A suspensão, com curso generoso, absorve bem as irregularidades do solo e encara trechos de terra leve com competência. A limitação fica mais por conta das rodas de liga-leve, pois um amassado depois de topar em um pedra significa fim da viagem.
A proteção aerodinâmica também evoluiu. A carenagem frontal e o para-brisa redesenhado ajudam a desviar o vento do peito em velocidades de cruzeiro, tornando a pilotagem mais agradável em rodovias.
O painel TFT é fácil de ler mesmo sob sol forte, mas a ausência de conectividade com smartphones na versão brasileira limita a experiência — especialmente considerando que o sistema Honda RoadSync está presente em outros mercados.
Durante o trajeto entre Taubaté e Paraty, a NX 500 registrou média de 26,7 km/litro — um número respeitável considerando o ritmo mais dinâmico da pilotagem.
Com o tanque de 17,7 litros, isso representa uma autonomia próxima dos 470 km, reforçando a proposta de ser uma moto para viajar.
A NX 500 entrega o que promete: uma pilotagem leve, segura e prazerosa, com refinamentos que melhoram a experiência sem romper com o DNA da CB 500X. As rodas mais leves, o controle de tração e a suspensão ajustada fazem diferença na estrada. São mudanças que tornam a moto mais divertida e segura em curvas e trechos sinuosos.
Mas nem tudo são acertos. A ausência de conectividade com smartphones no painel TFT é um falha difícil de ignorar, especialmente numa moto dessa faixa de preço. A Honda NX 500 tem preço público sugerido de R$ 45.800.
Assim como a tomada 12V vendida apenas como acessório também não se explica. Afinal, até a Honda CG 160 Titan, cotada a R$ 19.250, traz entrada USB-C de série.
A NX 500 é uma evolução honesta, mas não ousada da Honda. Para quem já gostava da CB 500X, a transição é natural. Para quem busca uma aventureira esportiva, ou crossover, moderna, confiável e com boa rede de assistência, a NX 500 é uma opção a ser considerada.
Ficha técnica
Honda NX500 2026
Motor: 2 cilindros, 471 cm³
Câmbio: Seis marchas
Transmissão final: por corrente
Potência: 49,6 cv a 8.500 rpm
Torque: 4,5 m.kgf a 7.000 rpm
Peso seco: 183 kg
Preço: R$ 45.800