Bicicletas elétricas: programa de subsídio chinês chega a 2 milhões de e-bikes vendidas

Programa de subsídio para compra de bicicletas elétricas no país asiático existe desde 2024. Foto: Natalya Hora/Adobe Stock

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Neste ano, a China alcançou a marca de 2,04 milhões de bicicletas elétricas vendidas por meio de um programa de troca de bens de consumo que incentiva a população a comprar determinados produtos. Conforme o Ministério do Comércio chinês, essa migração de outros modais para e-bikes gerou cerca de US$ 5,61 milhões (cerca de R$ 32,4 milhões) em vendas.

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Desde o início de 2025, o volume de vendas e bicicletas elétricas por dia atingiu 27 mil unidades. Portanto, 2,5 vezes maior que o volume registrado no ano anterior. Para isso, houve investimento de cerca de 1,2 bilhão de yuans (cerca de R$ 951 milhões), uma média de 610 yuans (cerca de R$ 483) por pessoa para gastos com mobilidade ativa elétrica. 

Além do ganho para a população, houve beneficio a cerca de 50 mil comércio apenas neste ano. Cada loja recebeu um aumento médio de vendas de 107 mil yuans (cerca de R$ 84 mil). De acordo com o Ministério do Comércio, a maioria desses estabelecimentos são empresas individuais ou de pequeno porte. 

Apesar de alcançar números que agradam o governo neste ano, o programa de subsídio existe desde setembro de 2024, totalizando 3,42 milhões de novas e-bikes vendidas. Esse programa também se estende para outros setores, como forma de impulsionar a demanda interna e estimular o crescimento econômico do país. Entre os itens estão micro-ondas, lava-louças, panelas de arroz, equipamentos de ar-condicionado, telefones e automóveis.  

Bicicletas elétricas vendidas no Brasil

Já no Brasil, apesar de não apresentar números tão expressivos, as e-bikes tiveram um ganho expressivo no mercado. No ano passado, a produção de bicicletas elétricas registrou alta de 66,2%, conforme a Abraciclo, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares. Isso corresponde a 5,4% da produção total de bicicletas, mas já demonstra a penetração do modal, pois, em 2023, o índice era de 2,5%. 

No total, em 2024 foram 19.147 bicicletas elétricas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM). De acordo com o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Fernando Rocha, o Brasil está com 10 anos de atraso nesse mercado. Apesar de a China alcançar números relevantes, o presidente explica que o mercado referência é o europeu, se for considerar a proporção da população fazendo a troca das bicicletas comuns pelas elétricas. 

“O Brasil começou a descobrir a bicicleta há uns 7 anos, é um crescimento exponencial, porque como o volume ainda é muito baixo, ele vai quase que dobrando ou se multiplicando em dois dígitos ano a ano”, contextualiza Rocha. Ele enxerga que o Brasil faz, sim, parte do movimento de substituição para e-bikes, mas entende que o mercado das bicicletas comuns ainda tem e terá espaço por aqui. 

Em relação ao preço das bicicletas elétricas no Brasil, com baterias de lítio, é ainda salgado. Esses modelos podem passar facilmente de R$ 10 mil. Entretanto, Rocha conta que o desenvolvimento do mercado tende a reduzir esses preços, devido à escalabilidade da produção. Entretanto, ele alerta que as e-bikes sempre serão mais caras que as bicicletas comuns. 

Mercado brasileiro aceita incentivos

Se por um lado a China realiza incentivos financeiros, injetando dinheiro no bolso da população, no Brasil os incentivos podem vir de outras formas. Conforme o presidente da Abraciclo, não há impulsionador maior que a infraestrutura. 

“Não basta você ter uma legislação no papel que funcione, se a tua parte de infraestrutura não estimular esse uso”, desabafa ele. Ou seja, a legislação brasileira abarca os principais pontos para garantir um mercado forte, mas peca na fiscalização e nos investimentos em infraestrutura. Fernando cita os exemplos de fiscalização na Europa das velocidades das bicicletas nas imensas ciclovias. Além disso, os órgãos de segurança garantem que cada modal ocupe seu espaço. 

No Brasil, a Abraciclo enxerga que existe uma legislação que protege quem busca investir no setor, entretanto, ela não chega ao usuário de forma efetiva. Além disso, a associação cita que falta monitorar as importações de produtos irregulares, que balançam o mercado interno, além de trazer bicicletas que não correspondem com as leis e regras permitidas pela legislação de trânsito do País. 

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