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Embaixadores

Carlos Mira

Fundador e CEO do TruckPad, maior plataforma de conexão entre caminhoneiros e cargas da América Latina. Foi presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog) e é autor do livro Logística, o Último Rincão do Marketing.

Meios de transporte

O mercado de logística pós-covid-19: o equilíbrio entre oferta e demanda

O tsunami que está varrendo o segmento de transportes vai retornar ao mar, mas com danos colaterais no transporte de cargas

26/05/2020 - 2 minutos, 57 segundos


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O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil é um dos mais tradicionais da economia nacional. Sua origem data da década de 1950, com a instalação da indústria automobilística no País. Naquele momento, criou-se oportunidade para empreendedores que passaram a levar mercadorias dos pontos de produção até seus pontos de consumo, dando origem às grandes transportadoras do Brasil.

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Hoje, observamos que o setor se encontra espremido entre margens muito achatadas devido à alta competição e à falta de restrições técnicas para a criação de novas empresas na área. O excesso de oferta faz com que essas companhias não consigam se diferenciar pela qualidade de seu trabalho, tornando o preço do frete o principal critério de escolha do cliente.

Big data e algoritmos

Esse cenário tem sido alterado, nos últimos anos, pelo advento da tecnologia, que viabilizou a criação de diferentes modelos de negócio no setor.

Novos players, cuja operação não se baseia em ativos fixos, mas em big data, algoritmos de recomendação e técnicas de colaboratividade, como o crowdsourced delivery (modelo em que uma rede de entregadores autônomos realiza serviços para uma empresa), começam a ofertar seus serviços ao setor de transporte de cargas.

São nessas condições – já abaladas pelos novos players high-tech, que trazem em seu DNA novos e disruptivos modelos de negócio e investimentos milionários – que as transportadoras mais tradicionais estão enfrentando a pandemia.

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Digitalização e investimentos

Diante disso, devem sobressair empresas que acompanharam as tendências do setor. Aquelas que atualizaram seu modelo de negócio e entraram de cabeça na digitalização de seus processos, utilizando sistemas como o TruckPad, por exemplo, e trouxeram investidores estratégicos para a sua sociedade.

Outro fator crucial para a sobrevivência dessas empresas prestadoras de serviço são as pessoas que as compõem. Equipes motivadas por um propósito, que se identifiquem com a missão da companhia, tendem a prevalecer em momentos de crise, tendo a cultura empresarial como alicerce.

Cuidados com as pessoas

Este é um momento de dedicar esforços e atenção ao time, tanto quanto de se preparar financeiramente para a crise que já se instalou. Apesar de ainda estarmos no meio da pandemia e não termos como prever o que virá pela frente, é possível fazer alguns prognósticos.

Esse tsunami que está varrendo o setor de transportes vai, em breve, retornar ao mar, mas inevitavelmente com alguns danos colaterais no setor de transporte de cargas.

As empresas que já não vinham financeiramente saudáveis, que não possuem uma tecnologia atualizada e que não têm em seus quadros colaboradores engajados com sua cultura são as mais propensas a não sobreviver a essa crise.

Reorganização do setor

Assim, o enorme excesso de propostas de frete e de serviço de logística e transporte existentes, hoje, no Brasil, tende a se alinhar, definitivamente, à procura gerada pela indústria e pelo comércio por esses serviços.

Isso não significa que o setor vai quebrar ou que faltarão caminhoneiros ou transportadoras, mas que haverá uma reorganização da oferta e demanda do setor. Após a pandemia, teremos empresas atualizadas digitalmente e mais profissionalmente organizadas no setor, e essas vão garantir o transporte e o abastecimento da sociedade brasileira.

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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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