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Rally Dos Sertões

Tudo pronto para o desafio Brasil adentro!

Além do formato de “bolhas”, a edição deste ano do Rally dos Sertões 2020 terá novidades na equipe Honda Racing, que já venceu a prova nove vezes na categoria Motos; confira

Fausto Macieira

27/10/2020 - 4 minutos, 45 segundos


Tunico Maciel, da equipe Honda Racing, é o atual bicampeão do Sertões na categoria motos. Foto: Gustavo Epifanio/Mundo Press

O mundo mudou em 2020. Os perigos da Covid 19 impuseram incontáveis medidas restritivas e, como vem acontecendo em todas as áreas, os eventos esportivos precisaram se adaptar.

Cercada de protocolos de segurança e com um formato inteiramente novo; as equipes pernoitam em acampamentos isolados e fortemente controlados, – as chamadas ‘bolhas’ -, a 28ª edição do Rally dos Sertões, inicialmente marcada para o mês de agosto, começa na próxima sexta-feira, 30 de outubro.

Estão inscritos mais de 200 concorrentes, 64 deles na modalidade motos, com 6 marcas diferentes na briga.

O autódromo Velo Cittá, em Mogi Guaçu (SP) vai sediar a disputa do prólogo, competição que define a ordem de largada para a etapa seguinte. Um circuito exclusivo de 4,7 quilômetros foi montado para testar a perícia dos pilotos.

O importante no prólogo é estar entre os dez primeiros, mas sair na frente nem sempre é vantagem, especialmente entre as motos, onde os pilotos não contam com navegador, ou seja, precisam controlar a moto e interpretar as informações do roteiro ao mesmo tempo. Nessas condições, ter a referência de quem partiu antes pode tornar as coisas menos difíceis para quem segue – desde que que o caminho do antecessor esteja correto…

Serão 8 dias de Rally através de quatro Estados – São Paulo, Goiás, Tocantins e Maranhão – e o Distrito Federal, um percurso total de 4.567 quilômetros, sendo 1.842 de trechos especiais cronometrados de velocidade, onde a competição é feroz e um erro pode ter sérias consequências.

Além das especiais, onde vence o mais rápido, os participantes devem percorrer os deslocamentos iniciais e finais dentro dos tempos estabelecidos pela organização, que também afere o desempenho dos pilotos através de postos de controle, que podem ser de passagem, de tempo e aferição de trajeto via Way Points – distribuídos ao longo do dia, em locais estratégicos e não conhecidos dos competidores.

Quem não seguir corretamente as instruções de navegação, roteiro e limites de tempo dos trechos especiais será penalizado pela organização.

Novidades da equipe Honda Racing

A motivação entre as equipes é imensa. Na Honda Racing, experiência e velocidade andam juntas. Jean Azevedo, 46 anos, ganhador de etapas no Rally Dakar e maior vencedor do Sertões, com 7 títulos, terá uma vez mais a companhia veloz de Tunico Maciel, 26 anos, atual bicampeão do sertões na categoria principal, a Moto1, sucessora da Super Production. Nessa categoria, as motos – inclusive protótipos com motores de 250 a 1.300cc – podem ser preparadas livremente, à exceção do chassi, que uma vez vistoriado, não pode ser substituído.

A grande novidade da equipe para este ano é o ingresso de um novo piloto, Thiago Veloso, mineiro de 36 anos que tem grande experiência no fora de estrada e vai competir na categoria Moto Brasil/CRF Brasil, para motos de até 250cc. Ele vai pilotar a Honda CRF 250F, o mesmo modelo com o qual venceu o Enduro da Independência ano passado nessa categoria.

Com o ingresso do Thiago, o paulista Júlio ‘Bissinho’ Zavatti, 34 anos, tetracampeão da Brasil, foi promovido para a Moto2 (motos originais até 700cc com alterações limitadas), e vai pilotar a Honda CRF 450 RX inicialmente destinada ao gaúcho Gregório Caselani, de 33 anos, campeão do Sertões em 2016, que se machucou durante os treinamentos para a prova e não vai competir este ano.

O time vermelho entra em campo para lutar pelo décimo título, sexto consecutivo na categoria principal da modalidade motos.

De São Paulo, os pilotos terão como destino o ponto de deslocamento para a Bolha 1, percorrendo 585 quilômetros, 205 deles em trecho especial cronometrado.

O domingo será de relativo sossego, com um deslocamento inicial de 580 quilômetros até a Bolha 1, nos arredores de Brasília, DF, onde será feita uma rigorosa manutenção preventiva pelas equipes de apoio.

Isso se justifica porque na sequência teremos dois dias de ‘etapa maratona’, onde somente os competidores estão autorizados a fazer eventuais reparos nas suas motos. No total serão imensos 881 quilômetros de percurso fora-de-estrada – 553 em especiais cronometradas – sem qualquer apoio externo, passando pelas Bolhas 2 e 3, ambas em Goiás.

Na quarta-feira a caravana do Rally deixa a Bolha 3 para trás e entra no território da Bolha 4 (Tocantins), uma jornada de 650 quilômetros, 329 deles de mão no fundo nos trechos especiais.

No dia seguinte a travessia vai do Tocantins ao Maranhão, percorrendo 610 quilômetros – 227 em trecho especial – até a Bolha 5.

Os que conseguirem chegar até o Estado de destino do Sertões 2020 ainda terão pela frente dois dias intensos e cansativos. Ao todo 741 quilômetros no cardápio da sexta-feira, sendo 300 km a plena aceleração entre as Bolhas 6 e 7.

E no sábado, 7 de novembro, nada tranquilos 515 quilômetros da ‘Bolha 6 até a cidade de Barreirinhas, porta de entrada dos famosos Lençóis Maranhenses e destino final da prova. O trecho especial deste último dia terá decisivos 223 quilômetros de trecho especial cronometrado, através de pisos arenosos e dunas, terminando com magníficos 34 quilômetros de deslocamento final até a linha de chegada.

Os que cruzarem a meta final terão motivos de sobra para celebrar e histórias para contar pelo resto da vida.

Duro, diferente, desafiador. Assim será o Rally dos Sertões 2020; uma competição para muito poucos – e muito bons…

Acompanhe os boletins do Rally dos Sertões 2020 aqui no Estadão. Emoção não vai faltar.
Nos vemos na trilha!

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