Bateria de lítio é considerada o cérebro do carro elétrico. Foto: Getty Images
O ponto mais crucial para o desenvolvimento dos veículos elétricos em âmbito global é a evolução da bateria, considerada o “cérebro” desse tipo de propulsão. Assim, a indústria automotiva busca soluções para que o componente perca peso e ganhe maior eficiência energética.
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“Com a evolução das pesquisas científicas, é possível prever que a eletroquímica das baterias vai avançar, com novas formulações”, afirma Bruno de Alcântara Dias, professor da pós-graduação de Engenharia Mecânica da Fundação Educacional Inaciana (FEI).
Dias destaca as possibilidades de explorar baterias de estado sólido, de sódio e nióbio, que poderão prolongar a vida útil e a potência a um custo menor. Mas, por enquanto, o lítio segue como o principal elemento químico na composição da bateria dos automóveis elétricos.
Segundo o professor, estudos mostram que as baterias de íon de lítio continuarão desempenhando papel importante na eletrificação veicular. A disseminação desse material na bateria se deve à evolução alcançada por inovações tecnológicas, como o aumento da densidade energética que dobrou nos últimos anos.
“Outro ponto que cresce significativamente são os sistemas de gerenciamento eletrônico das baterias. Eles melhoram o controle digital e preditivo embarcado, além de integrar algoritmos de inteligência artificial (IA), otimizando processos de recarga e descarga e promovendo o gerenciamento térmico e os processos de equalização de carga entre as células. Isso garante maior autonomia e desempenho, com sistemas eficientes, tecnológicos e mais baratos”, diz.
Um dos estudos que envolvem a bateria de íon de lítio é a utilização da tecnologia análoga de íon de sódio. Ela apresenta a mesma construção básica de células e princípios de funcionamento, mas com a vantagem de custar menos na produção.
A empresa inglesa Nyobolt vai além. Ela desenvolveu uma bateria de íon de lítio de 35 kWh, capaz de ser carregada de 10% a 80% em estações ultrarrápidas em míseros cinco minutos, bem menos que o tempo de 20 a 40 minutos que uma bateria atual leva.
Em linhas gerais, a tecnologia usada pela Nyobolt se baseia em um design que gera menos calor. Assim, acelera a recarga e evita o superaquecimento. Com essa estabilidade térmica, ela se tornará mais segura porque praticamente eliminará o risco de pegar fogo. Da mesma forma, os materiais empregados também permitem a transferência mais rápida dos elétrons.
A companhia já vem negociando com fabricantes de veículos elétricos o repasse da nova tecnologia. Mas a bateria revolucionária ainda não está em condições de ser produzida em escala comercial.
Outra fonte de pesquisa é a bateria de estado sólido, que usa eletrólito sólido feito, por exemplo, de cerâmica e não de líquido inflamável, deixando a peça mais protegida em caso de acidente. As baterias de estado sólido podem multiplicar a densidade energética, aumentando a autonomia e o desempenho do carro elétrico.
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