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Mobilidade para quê?

Quanto vale a mobilidade?

Expansão das linhas de metrô e ciclovias influencia na valorização de empreendimentos imobiliários próximos a mais opções de transporte

Da Redação

10/05/2019 - 4 minutos, 57 segundos


Empreendimentos que facilitam a mobilidade urbana.
Empreendimentos imobiliários próximos ao metrô podem valer, em média, 16% a mais do que os distantes. Foto: GettyImages

Pesquisa realizada em 2017 pela Geoimovel Grupo Zap, empresa de informações estratégicas do setor imobiliário, detectou que as propriedades que ficam a menos de um quilômetro de uma estação de metrô podem valer, em média, 16% mais do que aquelas fora desse raio privilegiado, ainda que no mesmo bairro.

Segundo o estudo, o valor médio do metro quadrado de imóveis próximos ao metrô é de R$ 10.130. Fora do raio de um quilômetro, o preço cai para R$8.557. Na zona oeste de São Paulo, a diferença pode chegar a 32%, sendo que o preço médio do metro quadrado dos imóveis próximos à estação Barra Funda é de R$14.343, enquanto nos bairros adjacentes o valor é de R$9.783.

Decisão de compra

Essa variação de preços aponta como a mobilidade está ganhando importância na vida das pessoas, a ponto de fazer com que a proximidade às linhas de metrô e trem influencie na decisão de compra ou aluguel de um imóvel.

É o caso do consultor de tecnologia Rodrigo Duarte, 27 anos, que, depois de meses à procura de um apartamento para si e a namorada, optou por alugar um imóvel no bairro de Pinheiros, próximo à estação Fradique Coutinho, na Linha 4 -Amarela. “Embora seja uma apartamento um pouco mais caro, nós pensamos no tempo de deslocamento que gastávamos todos os dias para trabalhar e isso pesou na escolha”, conta. “Antes, eu levava 1h15 até o trabalho. Este tempo, hoje, caiu pela metade”, acrescenta.

Em 2018, outra pesquisa do Grupo Zap registrou 23 mil ofertas de imóveis disponíveis para compra e locação no raio de um quilômetro de dez estações de metrô e trem recém-inauguradas. O entorno das linhas 5-Lilás e 4-Amarela é o mais valorizado. Um imóvel perto da estação Moema (Lilás), por exemplo, é vendido por R$ 1,6 milhão, enquanto o aluguel sai por R$ 6.000. A um quilômetro da estação Oscar Freire (Linha Amarela), um imóvel é vendido por R$1,4 milhão e alugado por R$5.500.

Um total de 7,8 milhões usa o transporte sobre trilhos todos os dias. Muitas delas, inclusive,utilizam o sistema para driblar o trânsito, economizar e até mesmo poupar o meio ambiente ao deixar o carro em casa.

Além das seis linhas de metrô e monotrilho que cruzam a cidade atualmente, existem planos para a expansão do sistema, o que deve seguir influenciando o mercado imobiliário. O metrô já reservou R$32 bilhões para a construção de mais cinco linhas, que devem ficar prontas nas próximas décadas. São a 20 -Rosa, que vai da Lapa ao ABC; a 21-Grafite, que vai passar pela Celso Garcia; a 22 – Bordô, que vai ligar São Paulo a Cotia; a 23-Magenta, que deve formar grande parte do chamado “metroanel”, que inclui o Limão e o chamado Arco Norte; e há ainda uma última linha, ainda sem nome ou número,para unir São Paulo a Diadema.

Entorno das ciclovias também vale mais

Rotas, vias e faixas destinadas às bicicletas também são valorizadas como alternativa para o transporte cotidiano, inclusive para melhor qualidade de vida.

Estudos já começam a demonstrar que não é só o metrô, o trem ou grandes avenidas que são valorizados na hora de procurar um imóvel comercial ou residencial. Ciclovias e ciclofaixas (saiba a diferença entre elas no quadro abaixo) também começam a ser notadas como uma conveniência importante na hora de escolher uma região para se estabelecer, embora ainda seja cedo para avaliar o movimento.

Enquanto alguns corretores afirmam que a proximidade das ciclovias ainda não afeta a decisão dos clientes, outro grupo já identifica uma tendência mais clara nesse sentido. Entre eles, Fabio Tieppo, coordenador de uma pesquisa feita pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de São Paulo.

O pesquisador mapeou imóveis à venda ou para aluguel, dividindo o município em 350 zonas, das quais extraiu informações para as conclusões. Conforme aumentava a distância entre o imóvel e a ciclovia, a valorização caía rapidamente. “Os investimentos em ciclovias vêm aumentando com o passar dos anos, tanto por questões urbanísticas quanto ambientais, pois o uso das bicicletas no transporte diminui a quantidade de carros nas ruas e, consequentemente, a emissão de gases poluentes” , comenta Tieppo.

Ida e volta de bike

A editora de vídeo Anna Molly, 30 anos, começou a pedalar em 2015, quando morava próximo da Avenida Sumaré, onde tem uma ciclovia de 2,7 km de extensão.“Eu estava cansada do valor da tarifa do transporte público e de perder tempo demais no trânsito”, conta. “Comecei a ir para o trabalho de bicicleta todos os dias. Hoje, se puder, faço praticamente tudo com ela”, fala. Atualmente, ela mora na região do Largo da Batata e ainda pode contar com uma ciclovia perto, na Avenida Faria Lima.

A Prefeitura de São Paulo tenta fazer sua parte, alongando as ciclovias e aumentando a inter conexão entre elas. Prevê-se que até 2028 a metrópole vai dispor demais 1.420 quilômetros de caminhos exclusivos para bicicletas, chegando, portanto, a um total de quase 2.000 quilômetros para esse tipo de locomoção.

Conheça as diferentes modalidades para o tráfego de bicicleta

CICLOVIA

Espaço com separação física isolando ciclistas dos demais veículos, com mureta, meio-fio, grade, blocos de concreto ou outro tipo de isolamento fixo.

CICLOFAIXA

Demarcada apenas por uma faixa pintada no chão, sem separação física com obstáculos. É mais barata e recomendada para vias menos movimentadas.

CICLORROTA

Trajeto sugerido para ciclistas, com sinalização específica para um circuito turístico ou esportivo,mas em faixa separadora, obstáculos ou via regular.

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