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Inovação

“5G, sozinha, não vai ajudar carro autônomo”

Vice-presidente de sistemas avançados da ZF, o alemão Uwe Class diz que já há testes com rede 6G, e prepara supercomputador para 2024

2 minutos, 53 segundos de leitura

19/01/2022

Por: Hairton Ponciano Voz

carro autônomo
No futuro, automóveis terão atualização de software remota e automática, o que reduzirá custos de manutenção e até desvalorização do veículo. Foto: Divulgação ZF

Pergunte ao alemão Uwe Class, vice-presidente de sistemas avançados da ZF, quando os automóveis serão totalmente autônomos, e ele responderá com um vago “em alguns anos”. Mas quando, precisamente? “Em alguns anos”, repete. A ZF – uma das maiores sistemistas do mundo – vem se preparando para ser protagonista quando isso ocorrer, mas, para que o motorista seja, finalmente, dispensado de suas obrigações ao volante, muita coisa ainda precisa evoluir.

É o caso do padrão de banda larga. Quando muita gente julgava que a 5G era o que faltava para o carro dispensar ajuda humana, o executivo da ZF afirma que “a rede 5G, sozinha, não vai ajudar carro autônomo”, e que já há testes com o padrão 6G.

Alguns recentes acidentes envolvendo automóveis da Tesla nos Estados Unidos, que ocorreram quando o sistema autônomo Autopilot estava em operação, provam que os dispositivos ainda precisam ser aprimorados.

Enquanto a banda larga não fica larga o bastante, a empresa alemã vai fazendo sua parte. A ZF apresentou a plataforma batizada de Middleware, que, como o nome diz (middle significa meio), faz o meio de campo entre os sistemas operacionais do veículo e o software. Segundo a empresa, atualmente, um automóvel pode ter até 100 unidades de controle (ECUs), cada uma operando com seu software, para comandar funções do motor, dos freios, da direção etc.

A função do dispositivo da ZF é centralizar todas essas informações, reduzindo o número de ECUs e utilizando uma plataforma aberta, que pode ser compartilhada por diversos fabricantes. Traçando um paralelo com os sistemas operacionais de smartphones, o que a ZF está desenvolvendo seria uma espécie de sistema Android; porém, mais complexo, mas mantendo uma “linguagem universal”.

A ideia é que apenas alguns sistemas permaneçam com software separado – por exemplo, os destinados à direção autônoma.

Desenvolvimento mais rápido e barato

Entre as vantagens da adoção dessa tecnologia, segundo a sistemista, estão a aceleração no processo de desenvolvimento do veículo e a possibilidade de atualizações automáticas de software, já que os programas ficam baseados na nuvem. Além disso, a empresa informa que a unificação de funções e o aumento de escala geram redução de custos. A ZF garante que o projeto deverá estar nos veículos a partir de 2024.

Além do Middleware, a ZF está trabalhando em um supercomputador automotivo, batizado de ProAI – referência a sua capacidade de inteligência artificial. De acordo com a empresa sediada no sul da Alemanha, na divisa com a Suíça, mesmo sem aumento de tamanho, em relação ao padrão das centrais atuais (24 cm x 14 cm x 5 cm), o dispositivo, que também deverá ser produzido a partir de 2024, tem capacidade de aprendizado (deep learning).


Supercomputador ProAI, da ZF, tem capacidade de processamento 66% superior, em relação às centrais atuais, sem alteração no tamanho. Foto: Divulgação ZF

O poder de processamento aumentou 66% e o consumo de energia caiu 70%, informa a ZF, que garante que o dispositivo é capaz de realizar 1 quatrilhão de operações por segundo.

O supercomputador é um dos principais elementos que a ZF prevê para os veículos “movidos por software”, que funcionarão por meio de informações guardadas na nuvem. Isso é o que deverá possibilitar o funcionamento harmônico de automóveis autônomos e conectados entre si.

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