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Cidade inteligente e mobilidade elétrica: a combinação do futuro

É possível um modelo de gestão que aponte caminhos em poucos anos?

2 minutos, 57 segundos de leitura

20/04/2022

A troca de veículos antigos por híbridos ou elétricos trará resultados significativos em dez anos. Foto: Divulgação Siemens

Não há como imaginar uma cidade inteligente sem pensar em carros, caminhões e ônibus elétricos trafegando de forma autônoma, drones fazendo entregas, prédios que identificam quem entra por reconhecimento facial, acionando a iluminação e ajustando o ar-condicionado conforme sua preferência. Mas sinto decepcioná-los: essa não será a cidade inteligente do futuro próximo.

Sempre menciono que uma cidade inteligente não é aquela que utiliza as tecnologias mais avançadas – ela traz a inovação para resolver seus maiores problemas. No caso das cidades brasileiras de médio e grande porte, os desafios são poluição, saneamento básico, transporte público, desastres naturais, transição energética, entre outros. Acredito que a transição para a mobilidade elétrica tem papel fundamental para mitigar alguns problemas, tais como:

Zero emissão – aqui aborda-se um problema de saúde pública com a redução de doenças respiratórias. Vale sinalizar que, mesmo que toda a frota não seja substituída imediatamente, a simples troca de veículos antigos por novas aquisições com híbridos ou elétricos, em dez anos, trará resultados significativos.

Qualidade de vida da população – Grande parte dos cidadãos passa algumas horas de seu dia no transporte público. O ônibus elétrico oferece um nível de conforto ímpar, mais silencioso, sem vibrações e sem lançar fumaça em quem está esperando no ponto.

Transição energética – Aqui, eficiência é a chave, fazer mais com menos, e motor elétrico é mais eficiente do que motor a combustão, não tem perdas em transmissão, bombas, sistemas auxiliares, além de a necessidade de manutenção ser muito menor.

Uso de energias renováveis – Pela perspectiva da concessionária de energia, o veículo elétrico é uma carga que se move pela rede e que traz complexidade ao gerenciamento. Mas, em contrapartida, há uma grande oportunidade, pois eles podem servir como uma bateria para as fontes renováveis, principalmente as intermitentes, como solar e eólica.

Por isso, um plano diretor estratégico e de longo prazo pode, sim, colocar uma cidade no caminho certo para se tornar inteligente em poucos anos. Um exemplo é Jundiaí, em que, em conjunto com a prefeitura, a Siemens realizou um estudo que desenha cenários futuros (horizontes para 2030 e 2050), quantificando as emissões de gases de efeito estufa e partículas nocivas à saúde, conforme aumenta a penetração de tecnologias sustentáveis. Ali, a mobilidade tem grande impacto, pois o transporte é responsável, hoje, por mais da metade dessas emissões.

O cenário-base business as usual (BAU) leva em consideração que nenhum transporte elétrico será introduzido, e apenas contaríamos com as evoluções incrementais nos motores atuais. Os cenários de 1 a 3 consideram aumento gradual no transporte elétrico variando de 6%, no cenário 1, a 100% ,no cenário 3, em 2050, conforme gráfico abaixo.

No cenário em que não temos nenhum veículo elétrico (BAU), contamos com uma redução total de CO2 de apenas 8,4%, enquanto, no cenário 3, a redução chega a 21,9%. Assim como essa iniciativa, existem muitas outras em andamento. Precisamos agora evoluir com ações concretas e definir modelos de concessão e de negócio que sejam sustentáveis, economicamente. Esse movimento merece ganhar escala para que nossas cidades sejam bem mais seguras e saudáveis para viver.

Confira outros conteúdos no Guia do Primeiro Carro Elétrico ou Híbrido.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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