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“A expectativa é que 8 milhões de veículos eletrificados sejam colocados no mercado neste ano.”

3 minutos, 47 segundos de leitura

08/06/2022

carro elétrico sendo carregado
Para que a mobilidade elétrica seja viável para o consumidor popular, é preciso que o custo do kWH gire em torno de US$ 60. Foto: Getty Images

A produção de automóveis como meio de transporte foi iniciada em 1828 e, curiosamente, as primeiras unidades eram 100% elétricas. Naquela época, os aportes financeiros para pesquisa e desenvolvimento eram escassos, mas, aos poucos, os veículos começaram a frequentar as ruas das grandes cidades. Em 1900, nos Estados Unidos, foram vendidos 4.192 veículos, sendo que 1.575 eram elétricos.

Nessa mesma época, um ex-secretário da Marinha dos Estados Unidos, William C. Whitney, comprou uma companhia de táxi à beira da falência em Nova York. Na aquisição, rebatizou-a de Electric Vehicle Company (EVC) e utilizou uma frota 100% elétrica. A aposta era na qualidade da operação e conforto para os passageiros, mas a baixa autonomia dos veículos era extremamente limitante. Diante das limitações, tiveram uma grande ideia. Ao invés de parar os carros durante cerca de duas horas para recarregar, a companhia decidiu substituir as baterias cada vez que a capacidade estava baixa.

Com essa solução, conseguiram resolver o problema da autonomia. Ao longo do tempo, a frota inicial de 13 veículos passou para 200 carros e, então, atingiu inacreditáveis 1.800 automóveis. A expansão da frota começou a impactar na gestão da operação, que ficou pesada e ineficiente. Com o tempo, as baterias começaram a falhar e, em poucos anos, a EVC entrou em declínio. A falência chegou em 1907 e, juntamente com ela, um golpe fatal na indústria do veículo elétrico, que estava totalmente desacreditada. Algum tempo depois, a companhia voltou a operar, mas desta vez com veículos a combustão.

Que o presente não imite o passado

Refletindo sobre o caso da EVC fica fácil entender porque não deu certo. Atualmente, depois de muitos milhares de veículos vendidos ao redor do mundo, nos deparamos com a realidade dos fatos. O planeta não suporta mais veículos a combustão. A solução é a mobilidade elétrica, mas ainda enfrentamos várias situações conhecidas da EVC como alto custo dos veículos, baixa autonomia, infraestrutura de recarga complexa, entre outras.

Muito trabalho já foi feito. Atualmente, a frota mundial de veículos beira 1,4 bilhão de unidades. A expectativa é que este ano, 8 milhões de veículos eletrificados sejam colocadas no mercado. Ou seja, a transição energética na mobilidade é verdadeira e inevitável. Entretanto, o cerne da questão continua no custo, principalmente dos acumuladores, ou seja, das baterias.

O reinício da manufatura de acumuladores para embarque em automóveis híbridos e elétricos foi a partir de 1995. O custo das baterias nessa época passava de US$ 1.000 o kWH. (kilowate hora). Por volta de 2013, esse custo em veículos elétricos puros representava, em média, 60% a 70% do custo total do veículo. Ou seja, um fator determinante para inviabilizar a produção de um elétrico de alcance popular.

Atualmente, o KWH da bateria custa cerca de US$ 100, apenas para as células (unidades de armazenamento de energia). Além disso, deve ser acrescentado o custo da estrutura de caixa e toda a eletrônica aplicada na manufatura. Sim, já melhorou muito, mas soma-se a isso 20% de margem comercial, mais a cadeia de impostos incidentes nos produtos para a venda no Brasil e o frete. Resultado? Um popular elétrico, lançado recentemente no mercado nacional, com valor de R$ 141 mil enquanto seu irmão a combustão custa R$ 63 mil.

Caro, mas desejado

Para que a mobilidade elétrica seja viável para o consumidor popular, vários fatores precisam ser revistos, iniciando pelo custo do kWH, que deverá custar perto de US$ 60. Além disso, claro, tem toda a discussão das políticas públicas como isenção ou redução de impostos, benefícios de circulação para veículos eletrificados, estacionamento diferenciado e, por fim, mas não menos importante uma estrutura de recarga confiável e abundante.

Estamos caminhando a passos lentos, mas estamos andando. E eu trago três certezas. A primeira é que mesmo caro, o consumidor tem interesse em adquirir um veículo elétrico, vide a fila de espera de mais de 900 pessoas para o popular citado acima. A segunda é que com a equiparação dos preços dos veículos elétricos e os a combustão, o que deve acontecer em cinco a seis anos, a preferência de grande parte dos consumidores será pelo elétrico. E a terceira é que estamos no caminho certo.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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