Inovação

Sem motorista, mas com total segurança

“A tecnologia de direção autônoma será a maior responsável por um trânsito mais seguro.”

3 minutos, 3 segundos de leitura

20/10/2021

Sem pedais, sem volante e sem motorista, o modelo autônomo Cruize AV já está sendo testado em Los Angeles, nos EUA

Quem já teve a oportunidade de testar um carro autônomo sabe: no início, a sensação de não ter ninguém dirigindo é, no mínimo, muito estranha. Nosso instinto nos passa a sensação de insegurança quando não há uma pessoa no comando.

Mas a realidade é bem diferente. Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), mais de 90% dos acidentes de trânsito são causados por falhas humanas, entre elas a desatenção ao dirigir, a ingestão de álcool, o excesso de velocidade e o uso do celular, entre outras imprudências do motorista.

Ou seja, a tecnologia de direção autônoma será a maior responsável por um trânsito mais seguro. E o que pode parecer algo que só existe em filmes de ficção científica, o carro sem volante e pedais, já é uma realidade. A General Motors, com sua subsidiária Cruise, foi a primeira fabricante de veículos a desenvolver e utilizar um processo de fabricação em massa para produzir veículos autônomos nos Estados Unidos.  

Já é realidade

O modelo Cruise AV, derivado do carro zero emissão Bolt EV, está sendo testado nas ruas de São Francisco, Estados Unidos, e recentemente recebeu a inédita autorização das autoridades para realizar corridas com passageiros. Carros autônomos nível 5, sem pedais, sem volante e sem motorista estão fazendo trajetos em meio a um dos ambientes urbanos com o trânsito mais complexo do mundo, e já transportam pessoas.

No ano passado, a GM apresentou o Cruise Origin, um veículo autônomo com propósito, zero emissão e projetado para o compartilhamento. O carro, desenvolvido em colaboração com a Honda, será oferecido no futuro por meio de serviços de táxi robô via aplicativo.

A segurança não é o único ganho com essa nova tecnologia, apesar de ser o principal. Os carros autônomos, 100% elétricos, conectados uns com os outros e com o ecossistema ao seu redor vão proporcionar enormes avanços na mobilidade urbana. 

Isso porque a tecnologia que elimina o motorista tem vocação para o compartilhamento. Se hoje o carro próprio de uma pessoa que mora em uma grande cidade fica mais de 90% de sua vida útil estacionado, os carros autônomos serão compartilhados e terão um uso muito mais racional. Os serviços de táxi robô reduzirão o número de veículos nas ruas, eliminando a necessidade de local para estacionamento e tornando o trânsito mais eficiente.

Mais segurança

Estudos apontam que o brasileiro gasta 32 dias por ano no trânsito. Globalmente, estima-se que a economia perca em torno de 1 trilhão de dólares anuais em produtividade devido aos congestionamentos. Além de melhorar a fluidez do trânsito, os autônomos também criarão novas oportunidades de negócio, como propaganda e serviços durante o deslocamento. Quando o motorista vira passageiro, ele passa a ter todo o tempo disponível durante o trajeto.

Em resumo, a tecnologia de direção autônoma trará muito mais do que surpreendentes carros andando sozinhos por aí. Estamos falando em milhões de vidas salvas anualmente, mais espaço nas cidades, menos congestionamentos, mais economia e oportunidades de geração de novos negócios.

Por tudo isso, eu garanto, vale a pena passar pelo sentimento inicial de ser passageiro de um carro sem motorista. A sensação de estranhamento das próximas gerações virá de imaginar que um dia alguém dirigia o carro. Tudo é uma questão de perspectiva.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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