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Inovação

Transição energética mundial e oportunidades para a eletromobilidade no Brasil

A eletromobilidade pode ser um fio condutor da nova indústria nacional em formação

3 minutos, 54 segundos de leitura

22/06/2022

A transição energética deve reestruturar nossa indústria, colocando o País na ponta do desenvolvimento tecnológico. Foto: Getty Images

A transição energética atual em que vivemos pode ter impactos consideráveis em razão da passagem das fontes de energia fóssil, baseadas no petróleo e no gás, rumo à eletrificação. Ainda que essa substituição seja gradual, os ventos de mudança batem, novamente, à porta para um novo acesso a bens e serviços e à transformação do consumidor, pelos processos de digitalização, convidando-o a adquirir novos hábitos. Assim, o ele transforma-se de usuário e pagador em um papel protagonista do seu próprio processo modificador e, quem sabe?, em um futuro acionista, ainda que minoritário, de futuras prestadoras de serviços de eletricidade.         

Na geopolítica internacional, o deslocamento do eixo econômico central para a Eurásia, pela consolidação da moderna rota da seda, fortalece os mercados da União Europeia (UE), que fica num extremo, e da China, no outro. Nesse ínterim, o Parlamento europeu aponta para a convergência de esforços de seus países integrantes para a meta 100% da frota de veículos novos e vans com emissão zero, a partir de 2035.         

Num olhar para o PIB mundial, verifica-se que a Eurásia conta com a parcela de cerca de 60%, o que significa que esse bloco econômico ameaça deslocar a centralidade dos EUA. O suprimento monopolista do gás russo, subjacente à indústria da UE, apontava uma leve tendência para a autossuficiência do bloco eurasiano no médio prazo se não fosse a transição energética agora imposta e acelerada pela guerra na Ucrânia. Na outra margem do oceano, os EUA detêm quase 30% do PIB mundial e que ainda depende, em muito, das decisões tomadas pela UE, pois lá reside boa parte de seu mercado consumidor.

A busca por fontes renováveis

Como a guerra da Ucrânia provocou elevação no preço do petróleo, do gás e o risco de desabastecimento, acionou-se o alerta econômico do potencial aumento nos custos de produção. Para a indústria europeia voltada à produção de bens de alta complexidade, esses movimentos ameaçam a sua competitividade, despertando a urgência na busca do uso das fontes renováveis como alternativa ao seu suprimento energético. Agora, essa opção torna-se mandatória para a sobrevivência futura do modelo industrial digital, em que o uso de energia limpa passa a ser um portal de possibilidades de novos negócios, mundo afora.         

No Brasil, essa transição energética está em curso e pode recepcionar essas demandas como oportunidades. Com nossa invejável matriz energética limpa, as empresas internacionais encontram, aqui, um lastro de energia de produção industrial com base em fontes renováveis, que, se instaladas neste território, ampliam mercados, absorvem mão de obra local, gerando emprego e renda.         

Novas parcerias técnicas com países da UE, dos EUA e dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ampliariam o mercado doméstico e, ainda que indiretamente, alcançaríamos esses mercados com produtos de maior valor agregado produzidos nacionalmente, sempre com fontes de energia renovável.         

Já se sabe que nosso cardápio de fontes renováveis vai além da hídrica, eólica, solar e biomassa. Ressaltemos, mais uma vez, as novas possibilidades do hidrogênio verde com tecnologias em franco desenvolvimento e barateamento nos processos de sua produção e no etanol, já consagrado como tecnologia nacional de ponta. Ainda podemos oferecer a eólica offshore e a energia oceânica como um novo front para novas tecnologias. Todo esse conjunto de opções pode ser arranjado de forma sistêmica e descentralizada com uso de modernos sistemas de armazenamento.         

Nesse contexto, a eletromobilidade pode ser um fio condutor da nova indústria nacional em formação. A transição energética, no Brasil, pode e deve reestruturar nossa indústria, colocando o Brasil na ponta do desenvolvimento tecnológico e de novos negócios. Como fazer isso? Com a construção de políticas públicas multissetoriais integradas e inclusivas, construídas com a participação de players da indústria nacional, pautadas no fomento de redes de inovação em todo território nacional.”

O conteúdo deste artigo traduz opinião pessoal, e não institucional.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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