Meios de transporte

Bicicletas buscam mais espaço e acolhimento

Uso, em São Paulo, ainda não atingiu os recordes pré-pandemia, mas a retomada aparece nas vendas e nos apps de compartilhamento

4 minutos, 31 segundos de leitura

30/09/2021

Por: Heverton Nascimento

Cerca de 1,1% de todas as viagens de São Paulo são feitas de bikes. Com mais investimentos e conexões, a meta até 2028 é chegar a 3,2%. Foto: Getty Images

As viagens por bicicleta têm apresentado crescimento na cidade de São Paulo, depois da diminuição acentuada no início da pandemia, em março de 2020. Os dados são da contagem realizada por postos fixos da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET). 

“Os contadores fixos da CET mostram, em 2021, números de crescimento. O da Rua Vergueiro, por exemplo, já apresenta volume como o de dois anos atrás”, ressalta Daniel Guth, pesquisador em políticas de mobilidade urbana, mestrando em urbanismo pelo Prourb/UFRJ e diretor executivo da Aliança Bike. “O contador da Avenida Faria Lima estava no pico antes da pandemia da covid-19 e ainda está bem abaixo, mas é uma região em que o home office continua sendo bastante praticado, ressalta.

Além do aumento nos contadores, outros dados confirmam a tendência de alta no uso de bikes. São eles elevação de 32%, nos últimos 12 meses, nas vendas de bicicletas novas, além de incremento de 59% no número de novos usuários no sistema de compartilhamento Bike Sampa. “Seja como for, há todo um cenário favorável, que vem desde quando o prefeito Bruno Covas implementou mais de 150 quilômetros de ciclofaixas, e é referendado pelo atual prefeito Ricardo Nunes, que incluiu a entrega de mais 300 quilômetros no Programa de Metas”, destaca Guth. “São sinais de que o campo está aberto para o modal, inclusive quando a SPTrans inclui bicicletários obrigatórios nos editais para privatização de terminais, por exemplo”, comenta.

Infraestrutura e crescimento

Segundo a prefeitura, a cidade de São Paulo tem a maior malha cicloviária do Brasil: são 684 quilômetros de vias próprias, o que inclui ciclofaixas, ciclovias e as chamadas ciclorrotas. “O número ideal seria uma malha de 1.600 quilômetros de vias para bicicletas. Mas, se passamos de 600 quilômetros, já é significativo”, esclarece Suzana Leite Nogueira, especialista em planejamento e projetos de mobilidade ativa. “É um bom número; afinal, saltamos de 68 para 680 quilômetros, nos últimos sete anos”, avalia. 

Atualmente, cerca de 1,1% de todas as viagens realizadas em São Paulo são feitas de bike. O Plano de Mobilidade Urbana do Município de São Paulo, de 2015, projetou, para 2028, que esse índice chegará a 3,2% dos deslocamentos. E o Plano de Ação Climática de São Paulo 2020-2050 é ainda mais ambicioso: estabelece participação de 4% já em 2030. 

Além do crescimento da malha, os especialistas chamam atenção para outros dois pontos: a necessidade de consolidação dessa estrutura, com a interligação de trechos separados, além da implementação de de ciclo passarelas como pontes e viadutos exclusivos para bikes e pedestres. Eles são fundamentais. É nesses locais que os ciclistas ficam mais fragilizados do ponto de vista da segurança, dividindo espaço, na via, com carros e até com ônibus”, destaca Nogueira. 

Bicicletários

Numa cidade como São Paulo, com grandes distâncias a serem percorridas, a bicicleta deve fazer parte do percurso, mas como veículo de chegada até outro modal, o que exige estrutura para que elas fiquem estacionadas em segurança. A região metropolitana conta com 189 bicicletários, muitos deles com gestão feita pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), alguns da iniciativa privada e de associações, como o do município de Mauá, que tem capacidade para 2 mil bicicletas e é o maior bicicletário da América Latina, com vestiário e até oficinas para as bikes. 

Na capital paulista, o modelo de referência dessas estruturas é o da SPTrans, presente em terminais de ônibus para permitir justamente a integração entre os modais. São 72 bicicletários, que oferecem, no total, 7.192 vagas. Há ainda outras 802, nos chamados paraciclos, aqueles arcos amarelos em que o usuário pode prender a bike. Mas esses paraciclos são para paradas rápidas, não indicados para estacionamento por períodos longos.

Bike na bagagem

A opção de transportar a bike também tem ganhado espaço. O horário permitido no metrô foi expandido – com a pandemia, as bikes são bem-vindas de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h e das 21h até a meia-noite; já aos sábados, domingos e feriados, são liberadas durante o dia todo. Para os modelos dobráveis, não há restrição.

No caso dos ônibus, a frota do município conta com 1.308 veículos superarticulados de 23 metros, equipados com suporte para bicicleta, atendendo a 94 linhas em todas as regiões da cidade. Eles contam com um adesivo frontal indicando que as bikes são permitidas. “Como, durante muitos anos, não houve nada, podemos considerar que avançamos bastante, mas sempre é preciso melhorar”, explica Susana Nogueira, com otimismo, que é compartilhado por Guth. “Estamos consolidando uma rede, tem bastante detalhe em aberto, mas sabemos que estão todos na pauta do Poder Público”, lembra.

Bike em números

  • SP tem 684 km de ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas.
  • Cerca de 1,1% de todas as viagens realizadas na cidade são feitas de bicicleta.
  • Há 7.192 vagas em 72 bicicletários integrados ao sistema de transporte na cidade.
  • Mais 802 vagas em paraciclos.

Na região metropolitana, são 189 bicicletários, a maioria gerida pela CPTM
Em Mauá, uma associação mantém um deles com capacidade para 2 mil bikes, com vestiário e oficinas. É o maior da América Latina

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