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Embaixadores

Carlos Mira

Fundador e CEO do TruckPad, maior plataforma de conexão entre caminhoneiros e cargas da América Latina. Foi presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog) e é autor do livro Logística, o Último Rincão do Marketing.

Meios de transporte

Era da conveniência: a logística brasileira precisa se preparar para novos hábitos de consumo

Inovar em formas de entrega, trabalhar com dados e aprender sobre o hábito de consumo e comportamento de recebimento dos clientes serão a chave para o diferencial competitivo

17/06/2020 - 3 minutos, 9 segundos


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Comércio eletrônico aquece na pandemia. Foto: Freepik

Se há uma coisa que muitas pessoas têm aprendido com o distanciamento social é que é possível fazer quase tudo pela internet. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) mostrou um crescimento nas compras online: 61% dos consumidores que fizeram compras nessa modalidade aumentaram o volume devido ao isolamento social. Em 46% dos casos, esse crescimento foi superior a 50%.

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Ainda de acordo com a mesma pesquisa, cerca de 70% dos consumidores perceberam prazos de entregas mais elásticos. Ainda que 57% deles tenha considerado aceitável, isso nos faz refletir sobre o quanto a logística precisa se adaptar aos novos tempos.

O fluxo lógico e o físico

Para analisarmos o mercado de transporte de mercadorias, é preciso ter em mente que ele é composto por dois processos paralelos: o fluxo lógico – que corresponde às informações, aos dados de compra e pagamento – e o fluxo físico, que lida com  produção, estoque, separação de pedido, transporte e entrega das mercadorias.

No fluxo lógico, a tecnologia tem proporcionado uma evolução fantástica nos últimos anos, com websites cada vez mais amigáveis, checkouts intuitivos e com menos cliques e sistemas de pagamento seguros, além de conexões com internet mais velozes.

O fluxo físico, no entanto, não tem conseguido incorporar toda essa inovação, sobretudo no que se refere aos modelos de negócio e à tecnologia utilizada.

Jornada de compra

O consumidor de hoje não quer mais que sua encomenda lhe seja entregue “assim que possível”. Ele a quer na hora em que lhe for mais conveniente, determinando as janelas de horário para recebimento. Quer acompanhar o entregador em tempo real e ter a exata previsão da hora de chegada, assim como quando pedimos um carro por aplicativo, por exemplo.

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Essa busca por criar mais conveniência aos consumidores tem aberto possibilidades de novos modelos de negócio, como os armários guardadores inteligentes, nos quais as compras feitas on-line são deixadas para que os clientes retirem quando preferirem.

Mais comuns nos Estados Unidos, eles costumam ficar em pequenas lojas, mercados e outros pontos de grande circulação. No Brasil, o iFood tem testado esse modelo, com lockers abertos por QR Code, para deixar as refeições dos clientes até o momento em que preferirem retirá-las.

Novas tendências

Outros modelos interessantes que têm ganhado força são o shipping from store, no qual as mercadorias são enviadas diretamente das lojas de bairros, não do estoque central (que costuma ser afastado dos centros urbanos), e as assinaturas de entrega.

Esse modelo a Amazon já utiliza há algum tempo no exterior e tem testado mais recentemente no Brasil, nas quais o cliente paga uma assinatura anual e tem direito a entregas grátis e mais rápidas durante todo o período.

A mesma pesquisa da SBVC mostrou ainda que 70% dos clientes pretendem continuar a comprar online mais do que faziam antes da covid-19. Essa é uma grande oportunidade, tanto para e-commerces quanto para empresas de logística criarem um plano de ação.

Aliados tecnológicos

Ferramentas como big data, machine learning e inteligência artificial são os grandes potenciais aliados para os operadores logísticos que querem estar em dia com o altíssimo nível de exigência por informações de seus usuários na era da conveniência.

Espera-se um padrão de exigência ainda mais elevado ao fim da pandemia. Por isso, inovar em formas de entrega, trabalhar com dados e aprender sobre o hábito de consumo e comportamento de recebimento dos clientes serão a chave para o diferencial competitivo nesse mercado de fretes de última milha.

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