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Meios de transporte

Cidade de São Paulo recebe a maior frota de ônibus elétricos do Brasil

Incorporação de modais sustentáveis no transporte público do País requer planejamento

Daniela Saragiotto

13/01/2020 - 4 minutos, 31 segundos


Um dos 15 ônibus elétricos em operação na zona sul de São Paulo. Foto: Divulgação.

No final de novembro, a Prefeitura de São Paulo apresentou um lote de 15 ônibus 100% elétricos com chassi da BYD para operação no sistema de transporte público do município a cargo da concessionária Transwolff. Trata-se da maior frota de modelos acionados por bateria em uma capital brasileira, um passo importante na introdução de tecnologias de baixa emissão de poluentes no transporte público. Os veículos estão operando em linhas na zona sul da capital paulista e fazem parte do projeto piloto da SPTrans para atingir as regras estabelecidas na Lei 16.802/2018, chamada de Lei do Clima, que exige a redução de 10% na emissão de poluentes locais (MP e NOx) e do efeito estufa (CO2) a cada ano.

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Os 15 ônibus BYD D9W têm 250 quilômetros de autonomia, o que permite que rodem o dia inteiro e retornem para a garagem no período da noite para ser recarregados. A recarga total leva em torno de quatro horas e a energia usada no abastecimento é limpa, gerada por meio de fazenda solar. O carregamento noturno torna a operação mais econômica, uma vez que o
custo da energia elétrica no período é mais baixo. A redução da emissão de poluentes locais ocorre porque, em média, cada ônibus elétrico em operação urbana reduz cerca de 1,8 tonelada de CO2 equivalente. Segundo a Transwolff, isso é o mesmo que o plantio de mais de 11 árvores por ano e evita a emissão local de 118,814 kg de NOx e 1,152 kg de material particulado.

Com capacidade para transportar 29 pessoas sentadas e 51 em pé, incluindo espaço para cadeirante, os ônibus são movidos a bateria de ferro-lítio, que, no contato com o oxigênio, não explode e não pega fogo. A bateria pode ser usada no período de 15 anos e, depois, ainda poderá ser reutilizada em sistemas de armazenamento de energia. Todos os veículos têm ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas USB e são do tipo piso baixo, o que facilita o embarque e o desembarque. Os ônibus possuem também monitoramento por câmeras, itinerários eletrônicos em LED e são veículos acessíveis. De maneira geral, os passageiros que utilizam a linha, na zona sul da capital, gostaram da novidade. A dona de casa Edvanda Aparecida Marques da Silva, moradora do bairro Icaraí, aprovou os veículos. “Achei o ônibus silencioso e confortável, gostei da viagem”, disse ela. O segurança Cleiton Gonçalves Pereira, que utiliza o transporte diariamente, disse que aprovou a iniciativa. “Eles são bem confortáveis. Os ônibus elétricos estão superando minhas expectativas”, disse Pereira.

“Achei o ônibus elétrico silencioso e confortável” , diz a dona de casa Edvanda Aparecida Marques

Planejamento é fundamental

Na solenidade de entrega dos ônibus elétricos, o prefeito Bruno Covas chamou atenção para o fato de que não basta uma medida isolada para que a cidade atinja um modelo de transporte sustentável. “Primeiro, a eletricidade deve vir de uma fonte limpa, pois não exigir isso seria transferir a poluição. Segundo, para utilizar esse tipo de nova energia é preciso que ela tenha, no máximo, a mesma proporção de custo que hoje o diesel representa para o ônibus. Esse custo vai cair no futuro e, quem sabe lá na frente, possa também representar uma redução da tarifa por conta dessa energia”, afirmou o prefeito.

Para o arquiteto e urbanista Marlos Hardt, especialista em gestão urbana e professor na PUCPR, investir em eletromobilidade no transporte de maneira geral, seja público ou particular, é uma tendência mundial, mas é necessário que haja um planejamento nesse sentido. “A substituição dos combustíveis fósseis por outros de baixa emissão apresenta uma série de vantagens, mas é preciso estruturar muito bem todas as medidas do início ao fim da cadeia. Falando especificamente dos ônibus elétricos, além da redução de poluentes, também há a diminuição do ruído, ou da poluição sonora”, explica Hardt. O especialista exemplifica a questão do planejamento: “No caso dos veículos elétricos, é importante responder como serão recarregados e para onde irão as baterias depois de usadas, entre outras questões”, diz Hardt.

A EDP, empresa que atua em toda a cadeia de valor do setor elétrico, anunciou no final do ano passado a instalação de 30 novas estações de recarga ultrarrápida de veículos elétricos cobrindo todo o Estado de São Paulo. As marcas Audi, Porsche e Volkswagen são as parceiras da EDP nesse projeto, que prevê investimento de R$ 32,9 milhões e vai conectar um total de 64 pontos de carregamento, interligando São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba e Florianópolis até o fim deste ano. Será um inédito corredor de abastecimento de automóveis elétricos com mais de 2.500 quilômetros de extensão. “Fomentamos a transição energética do Brasil e a promoção de soluções de mobilidade baseadas em fontes não poluentes. Mas isso deve ser feito de maneira organizada e de forma a resolver desafios como o dimensionamento da atual rede elétrica para atender o aumento da demanda, entre outros”, afirma Nuno Pinto, gestor executivo de Mobilidade Elétrica da EDP Smart.

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