Meios de transporte

Dicas para curtir sua primeira viagem de moto

Viajar é bom, mas é preciso se preparar. Confira dicas para uma aventura em duas rodas

7 minutos, 9 segundos de leitura

02/02/2021

Por: Arthur Caldeira

viagem de moto
Dentista John Hyun Won já teve moto de 1.200 cc, mas se diz mais feliz viajando com sua scooter Yamaha NMax 160. "Hoje aproveito muito mais o trajeto, sem pressa para chegar", diz. Foto: Arquivo Pessoal

Quando decidiu tirar carteira de habilitação para motos e comprou sua primeira scooter, há cerca de três anos, Bruna Cassia Silva Pereira, 31 anos, precisava chegar mais rapidamente ao trabalho e economizar combustível. Mas o que ela queria mesmo era uma viagem de moto com sua Honda PCX 150.

“Sempre gostei de pegar estrada para conhecer lugares novos. De moto é ainda mais gostoso. Viajar de motocicleta, para mim, foi libertador”, descobriu Bruna, após a primeira viagem com sua scooter PCX, quando rodou mais de 6 mil quilômetros pela região Sul do Brasil, indo até o Uruguai, no início de 2019. 

Realmente, viajar é uma das coisas mais legais a se fazer de moto. Entretanto, é preciso se preparar para pegar estrada em duas rodas. Além de planejar o roteiro, é importante se acostumar a pilotar neste tipo de via, ensina Bruna. 

Antes de se aventurar até o Uruguai, a jovem contou com a ajuda de amigos mais experientes em viagens de moto e também fez roteiros mais curtos para se acostumar a viajar com sua scooter. “Comecei com algumas viagens mais curtas, aqui mesmo no Estado de São Paulo, para pegar o jeito de pilotar na estrada”, conta a consultora de tecnologia que mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Para ela, em rodovias e estradas de trânsito rápido, é preciso se posicionar nas pistas de rolamento, como se fosse um carro. “Não dá para pegar o corredor na estrada. Tem que ficar no meio da faixa e assumir uma pilotagem defensiva em relação aos carros, caminhões e ônibus”, aprendeu Bruna. 

Moto “pequena”

Ainda mais se for com uma moto pequena, como a sua PCX de 150 cc, que tem desempenho modesto e não passava de 115 quilômetros por hora. “Muita gente dizia que era perigoso, principalmente, por causa dos caminhões, mas não tive problemas. É preciso ter cuidado”, relata a motociclista. 

O dentista John Hyun Won, 56 anos, concorda. John já teve motos grandes, como a BMW R 1200 GS, e rodou mais de 100 mil quilômetros em duas rodas. Atualmente, só viaja com a sua scooter Yamaha NMax 160. “Fico na pista da direita, a 100 quilômetros por hora, e não tento ultrapassar aonde não deve”, ensina o dentista, que diz não ter pressa para chegar ao destino. 

“Não é preciso ter uma BMW de 1.200 cilindradas para viajar. Na verdade, hoje, sou mais feliz e aproveito muito mais com a minha scooter”, conta ele, que já foi para Angra dos Reis (RJ) e também até Ouro Preto (MG), com sua scooter “preparada” para viagens, com bolha maior, para desviar o vento, e um tanque de gasolina com maior capacidade. 

Afinal, outra dica importante para quem quer viajar com uma moto menor é a preocupação com a autonomia. É preciso atenção para não ter uma pane seca na estrada, pois, além de ser perigoso, é infração de trânsito. “Quase fiquei sem combustível, porque deixei para abastecer no limite e o posto estava fechado”, relembra o dentista. 

Para evitar isso, Bruna sempre fazia paradas a cada 150, 200 quilômetros, para beber água, esticar as pernas e já aproveitava para abastecer a PCX. “Viajei no verão e fazia muito calor, ainda mais com o equipamento de proteção. Então, sempre que podia parava para me hidratar e já abastecia a scooter. Não tive problemas com a autonomia”, explica ela. A jovem ainda usava um “truque” em dias mais quentes: “Jogava água nas pernas, antes de partir, para me refrescar”, conta Bruna. Também vale molhar a camiseta, que vai secando com o vento na estrada e aliviando as altas temperaturas.

Planejamento do roteiro

Desde a aventura ao Uruguai, Bruna pegou gosto pelas viagens de moto. Trocou sua PCX por uma scooter maior, a Kymco Downtown, para ter mais agilidade e potência. Com a scooter de 300 cc, Bruna viajou pelo Nordeste e Centro-Oeste brasileiros.

Na Bahia, aprendeu a importância de planejar o roteiro com antecedência. Em um dos deslocamentos, Bruna e seus companheiros de viagem escolheram por um trajeto mais curto, porém mais demorado, e acabaram enfrentando uma estrada de terra. “Olhamos no Google Maps e havia duas rotas: uma mais longa e outra mais curta, de 70 quilômetros, mas que dava três horas de viagem. Não acreditamos e fomos por esse caminho. A estrada de terra era muito ruim, tivemos até que atravessar alguns rios”, lembra ela. 

Para evitar esse tipo de problema, vale a pena gastar um tempo planejando o roteiro, ensina Pablo Berardi, instrutor-chefe da Triumph Experience, empresa ligada à marca de motos inglesa que oferece cursos e organiza roteiros de viagem pelo mundo todo. 

“Se a aventura for de muitos dias, é importante fazer um planejamento para não viajar à noite”, explica Pablo. Segundo o instrutor, na estrada, é fundamental ver e ser visto. “Escolha jaquetas e roupas claras ou que tenham tecido refletivo, pois muitos acidentes acontecem porque os outros motoristas não veem a moto”, diz ele.

Aliás, a escolha dos equipamentos de proteção é outro detalhe primordial. Além do capacete, o uso de jaqueta apropriada para motociclismo, calça comprida e com proteção, de preferência, botas e luvas são dicas unânimes dos viajantes de moto. 

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Também é importante equipar sua moto para levar bagagem. Instalar um baú ou malas apropriadas ou até mesmo ter esticadores e aranhas para prender as malas. “Mas é importante distribuir bem o peso para não afetar a dirigibilidade”, diz Pablo Berardi. Uma dica, se estiver sozinho, é usar uma mochila impermeável (pois pode chover na estrada) e amarrá-la no lugar da garupa. 

A Triumph Experience oferece um curso de “planejamento de viagem e manutenção básica de motocicletas” para quem quer se preparar para uma aventura e nos ajudou a elaborar algumas dicas para quem vai fazer a sua primeira viagem de moto (veja quadro).

Apesar de toda a preparação, quem se aventura em duas rodas sabe que o imponderável faz parte de qualquer viagem. “Na primeira, você até se diverte com os perrengues e vai aprendendo com o tempo”, ensina o dentista John Won.

Cinco itens que exigem atenção

Com milhares de quilômetros por quase 50 países no currículo, Pablo Berardi dá cursos e guia grupos em viagens de moto. O experiente motociclista e instrutor nos ajudou a elaborar dicas práticas para quem quer viajar de motocicleta, confira:

1 – Planejamento

Gaste algum tempo estudando o roteiro e calculando as distâncias antes de pegar estrada. Planeje sua viagem de forma que você não pegue a via à noite e também faça paradas em cidades a cada três ou quatro dias. “O corpo vai se cansando e é importante ficar um ou dois dias sem rodar. Tanto para descansar como para conhecer as atrações dos lugares por onde passa”, diz Pablo. 

2 – Bagagem

É comum o motociclista exagerar na mala nas primeiras viagens. Leve apenas o essencial e tenha roupas com tecidos tecnológicos, que não absorvem o suor e secam rapidamente. Tenha cuidado para distribuir bem o peso das malas na moto: não fixe a bagagem muito alta ou de um lado só da moto. 

3 – Manutenção da moto

Ninguém quer ter a viagem interrompida por um problema mecânico. Por isso, faça uma revisão completa da sua moto antes de viajar. Se algum item, como pneu ou óleo, precisar ser trocado em breve, providencie isso antes de pegar estrada. 

4 – Preparação do motociclista

Faça viagens mais curtas para se acostumar a pilotar sua moto na estrada e “ganhar” quilometragem. Se a viagem for muito longa, vale até fazer um check-up com seu médico antes: “Já vi cancelar viagens devido a uma dor de dente”, relata o instrutor. Pablo também aconselha a fazer um curso de pilotagem e não se esquecer do equipamento de proteção.

5 – Documentação e chave reserva

Muitos preparam a moto e se preparam, mas se esquecem de um pequeno detalhe: a documentação da moto deve estar em dia, com todos os tributos pagos. Não se esqueça de verificar a validade de sua CNH. “Uma dica importante também é levar a chave reserva da moto em um local em que não se vai mexer muito. Caso você perca a chave original, não terá de parar a viagem”, finaliza Pablo. 

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