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Meios de transporte

Mercado de entregas fracionadas cresce e ganha inovações

Empresas correm para se adequar às novas demandas, com soluções cada vez mais eficazes

Lucia Camargo Nunes

11/10/2019 - 4 minutos, 32 segundos


Centro de distribuição do Mercado Livre em Cajamar (SP). Fotos: Divulgação

O consumidor mudou seus hábitos e, com isso, criou-se uma nova demanda sobre a logística: de serviços pulverizados e mais ágeis. O serviço de entregas expressas representa uma modalidade significativa no mercado de entregas de mercadorias e está diretamente relacionado ao comércio eletrônico, que avança em crescimento de dois dígitos. 

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Dados recentes do relatório Webshoppers, produzido pela Ebit/Nielsen, mostram aumento de 12% no faturamento do comércio eletrônico no primeiro semestre de 2019, comparado ao mesmo período de 2018. Em volume de pedidos, a alta foi de 20%.

O mercado como um todo é liderado pelos Correios. Mas, especificamente no e-commerce, as transportadoras privadas lideram com mais de 50% de share, segundo a pesquisa Webshoppers.

“Da mesma forma que o e-commerce vem crescendo no Brasil, o mercado de entregas expressas também acompanha essa evolução e demanda cada vez mais de operadores logísticos”, afirma Bruno Tortorello, presidente da Jadlog, empresa de logística e transportes de cargas expressas fracionadas.

Mudança que vem do consumidor

O grande desafio é chegar ao que se vê hoje nos EUA:  a entrega em questão de horas. “Para isso é preciso outra estrutura de logística. Hoje no Brasil estamos em 24 horas, ou no dia seguinte. As empresas têm, então, um caminho grande a desenvolver, e é uma mudança puxada pelo consumidor”, explica Mauricio Lima, sócio diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

Mauricio Lima, da Ilos
Mauricio Lima, sócio diretor do ILOS: “As empresas têm um caminho grande a desenvolver, e é uma mudança puxada pelo consumidor”

Lima cita que antigamente os sites vendiam seus próprios produtos. Depois, com o marketplace, passaram a vender produtos de terceiros. “A tendência é que os sites principais de marketplace façam uma logística de recolher o produto nos sellers, levar para um centro próprio, preparar os pedidos e enviar ao cliente”, diz Lima.

Ele também avalia que o preço do frete diminuiu nos últimos tempos. “Há dois anos acontecia do preço do frete ser o preço do produto. Grandes empresas hoje entregam de graça. Mas algumas talvez tenham de mudar a estratégia, porque esse modelo não é muito rentável para elas. Gigantes do comércio eletrônico ainda são deficitários.”

Tecnologia e integração

Para acompanhar essas mudanças, a unidade de negócios de logística do Mercado Livre, a Mercado Envios, investiu em tecnologia e integrou plataforma para crescer.

“O vendedor, ao fechar uma venda, imprime uma etiqueta com os dados do comprador já com o código de rastreio dos Correios. Com isso, ambos podem acompanhar o passo a passo da entrega da mercadoria”, explica Leandro Bassoi, vice-presidente do Mercado Envios para a América Latina.

Leandro Bassoi, do Mercado Envios
Leandro Bassoi, do Mercado Envios: “Anunciamos parceria com a Azul Cargo Linhas Aéreas”

Em outra frente, a empresa lançou o serviço de Fulfillment, pelo qual passa a tocar os pacotes/produtos em dois centros de distribuição (Louveira e Cajamar, ambos em São Paulo). O Mercado Livre recebe a mercadoria de seus vendedores e fica responsável pelo estoque, manuseio, despacho e pós-venda.

Outro serviço é o Cross-Docking, no qual o Mercado Livre se encarrega de retirar os produtos com os vendedores, os leva aos seus centros de distribuição e os despacha para o comprador. 

“Fizemos parcerias com empresas de logística, além de DHL e Ceva, que atuam no Fulfillment. Recentemente, anunciamos parceria com a Azul Cargo Linhas Aéreas, que vai permitir fazermos entregas no dia seguinte da compra a 16 capitais do país”, conta o executivo.

Outro recente anúncio foi do programa Places, ainda em fase piloto. Trata-se de um serviço que viabiliza que locais habilitados recebam pacotes de vendedores do marketplace. Nessa fase, já possui 10 pontos. O objetivo é, até o final do ano, chegar a 300 pontos.

Investimento e foco no B2C

Bruno Tortorello
Bruno Tortorello, presidente da Jadlog: “Já vemos hoje o uso da ciência de dados no setor de logística”

Investimento em automação e novos equipamentos na ordem de R$ 20 milhões contribuiu para o crescimento de 50% das operações B2C da Jadlog no ano passado, voltadas, principalmente, ao atendimento do comércio eletrônico. A empresa ainda lançou o serviço Pickup, no qual o cliente retira o produto comprado on-line em pontos comerciais, inclusive aos fins de semana. 

“Em 2019, estamos expandindo e consolidando o Pickup e chegaremos a 6 mil pontos até dezembro. Em 2020, devemos alcançar a maturidade do projeto, com 8 mil pontos. Estaremos, no máximo, a 10 minutos a pé de 90% do mercado consumidor”, afirma Tortorello, presidente da Jadlog. Entre os clientes estão a Dafiti e as Lojas Renner.

Para o executivo, a tecnologia terá uma importância cada vez maior para garantir a maior eficiência nos sistemas de transporte. “Já vemos hoje o uso da ciência de dados no setor de logística, com a aplicação de algoritmos para definir as rotas de veículos e analisar dados que garantem mais segurança, e o rastreamento das cargas em tempo real. Podemos citar ainda o uso de aplicativos para identificar problemas na frota e realizar a gestão das entregas ou, até mesmo, o uso de robôs e drones nas operações logísticas para inventariar armazéns.”

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