Mobilidade para quê?

Mobilidade elétrica individual vê boom durante a pandemia

Patinetes robustos e sofisticados ganham cada vez mais adeptos e atraem o investimento de empresas

4 minutos, 23 segundos de leitura

18/08/2021

Por: Arthur Caldeira

Drop investiu em linha de montagem em Manaus (AM) para reduzir o preço final ao consumidor de seus patinetes. Foto: Marco Ankosqui

Não poluem, são silenciosos e nem é preciso parar no posto para abastecer. São os principais benefícios dos veículos elétricos. Mas, enquanto carros movidos a eletricidade ainda são caros e inacessíveis à maioria da população, outros modais, como patinete e scooter elétricos, podem ser boas soluções de mobilidade elétrica individual e sustentável.

“O público entendeu a necessidade de ter um veículo sustentável, ou seja, que não polua, para se locomover em curtas distâncias na cidade ou até mesmo para lazer”, afirma Gustavo Salvadori, coordenador de marketing da MXF Motors, empresa com sede em Curitiba (PR). Famosa por suas motos off-road, com motores a combustão, desde 2017, a MXF também tem apostado na mobilidade elétrica.

A empresa ampliou seu portfólio durante a pandemia. O patinete elétrico MUV Urban, mais moderno, com bateria de lítio e autonomia para 35 quilômetros, juntou-se ao MUV One, que usa bateria de chumbo e tem menos tecnologia.

A empresa também lançou pequenas bicicletas elétricas de equilíbrio para crianças, com rodas de 12 e 16 polegadas. A bicicleta elétrica de equilíbrio preenche a lacuna de aprendizado entre as bikes convencionais e as motocicletas. Não têm pedal nem rodinhas, justamente para incentivar a criança a usar os pés para empurrar e ir tentando se equilibrar. A diferença é que, por vir com motor elétrico, depois que aprende, pode-se andar de bicicleta.

Além da micromobilidade

Outra empresa que migrou das motos a combustão para os veículos elétricos é a Drop, de São Paulo (SP), que comercializa desde hoverboards elétricos até sofisticados patinetes com freio a disco (veja quadro).

Para Ricardo Ducco, sócio-diretor da Drop, os patinetes mais potentes e robustos podem ser mais do que micromodais. “Quando falamos de micromobilidade, estamos nos referindo a deslocamentos de até 10 quilômetros. Mais que isso já é mobilidade urbana e nossos patinetes podem atender esse usuário”, explica ele. 

A marca, recentemente, apresentou uma nova linha de patinetes elétricos de última geração, com construção mais robusta, para atender quem quer ter seu próprio veículo, segundo Ducco.

Com investimento de R$ 4,2 milhões, a Drop instalou uma planta fabril em Manaus (AM), com 1.000 m², três linhas de montagem e 60 funcionários, com capacidade para fabricar até 120.000 patinetes e scooters por ano.
“Com a produção no Brasil, conseguimos oferecer aos nossos consumidores preços até 30% menores em relação aos produtos importados. Estamos atravessando esta época difícil de pandemia, mas há otimismo em relação ao segundo semestre. O setor de micromobilidade voltará com força total.

Os patinetes, por serem leves e dobráveis, garantem a opção de um verdadeiro transporte multimodal. O usuário pode interligar o uso do patinete com o transporte público de forma única, como nenhum outro veículo elétrico, hoje, oferece”, conclui Ricardo Ducco, diretor da Drop.

Teste: Patinete Drop Jetter 48V

Os patinetes mais potentes e robustos, como o Drop Jetter 48V, oferecem maior autonomia e segurança do que os modelos oferecidos nos serviços de compartilhamento.

Top de linha, o Jetter 48V chega a 45 km/h e tem autonomia de até 40 km – como comparação, os veículos compartilhados não passam de 20 km/h e sua autonomia é de cerca de 20 km. Com chassi reforçado, pneus infláveis de 10”, suspensões e até freio a disco, o patinete ainda possui painel digital com velocímetro, carga da bateria e hodômetro.

Jetter 48V tem motor forte para ir a 45 km/h e superar ladeiras

Troquei minha motocicleta pelo Jetter 48V durante uma semana. Acostumado com os antigos patinetes compartilhados, surpreendi-me, primeiramente, com o porte do modelo: bem maior e mais pesado [cerca de 25 kg], tem capacidade para levar uma pessoa de até 140 kg.

Para garantir mais conforto, há a possibilidade de viajar sentado ou em pé, com pedaleiras laterais. Embora seja mais confortável se sentar no ‘banquinho’, senti-me mais seguro conduzindo o patinete de pé. Principalmente, em ruas mais irregulares e em velocidade mais alta.

Há três modos de potência, que alteram a velocidade máxima de 20 km/h a 45 km/h. O mais comedido permite rodar em ciclovias, como manda a regulamentação do Contran. Mas o motor de 48 V é o grande diferencial, porque possui mais ‘força’ em subidas”.

De fato, foi possível superar as ladeiras do bairro da Aclimação, sem dificuldade. A autonomia foi mais do que suficiente. Cheguei a rodar até 25 km sem recarregar a bateria – a recarga leva cerca de 4 horas. O modelo top de linha Jetter 48V chega a 45 km/h e tem autonomia para até 40 km. O preço é de R$ 6.990, e a garantia, de um ano.

O valor é um pouco menor do que uma moto de 110 cc, mas o patinete tem a limitação de não poder rodar em vias expressas. Por outro lado, dispensa habilitação e os custos de gasolina e manutenção. Serve para quem faz curtos deslocamentos diários até o escritório, em vias mais tranquilas e centrais, de forma divertida e ecologicamente correta.

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