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Alexandre Cury

Diretor comercial da Honda Motos.

Meios de transporte

Segurança no trânsito: educação é a prioridade

Em muitos aspectos, as motocicletas excedem as mais exigentes normas internacionais

15/09/2020 - 3 minutos, 20 segundos


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Foto: Getty Images

Promover a conscientização sobre os diversos aspectos que envolvem a mobilidade, em especial a segurança dos cidadãos, é o alvo da Semana Nacional de Trânsito, que terá início na próxima sexta-feira, 18 de setembro. Uma iniciativa mais que justificada por causa dos altíssimos índices de acidentes de trânsito no Brasil.

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Apesar de dados do Ministério da Saúde apontarem para uma queda de cerca de 25% nas fatalidades no trânsito no período entre 2014 até 2018 (último ano com números fechados), andar a pé, de bicicleta, de moto, carro ou até mesmo viajar de ônibus nas vias brasileiras representa um risco bem maior do que europeus, americanos ou japoneses enfrentam para trafegar em seus países.

A busca por soluções para essa realidade difícil de engolir, verdadeiro problema de saúde pública nacional, certamente é um dos mais importantes tópicos da agenda social brasileira.

A complexidade do tema demanda uma abordagem positiva e focada em três pilares fundamentais: evolução tecnológica dos veículos, melhoria do ‘ecossistema’ do trânsito (legislação, fiscalização e infraestrutura) e, o mais importante entre todos esses aspectos, educação dos usuários das vias públicas.

A atual produção nacional de veículos está plenamente alinhada aos padrões globais de tecnologia e qualidade. Especialmente, em relação às motocicletas, o produto ‘made in Manaus’ está enquadrado – e, em muitos aspectos, excede – às mais exigentes normas internacionais.

Importantes aperfeiçoamentos tecnológicos podem ser apontados como fundamentais para uma significativa melhora na segurança, que envolve não apenas os motociclistas mas todos os usuários das vias públicas brasileiras.

Um deles foi a adoção, a partir do início de 2019, de sistemas de freios combinados para motocicletas de pequena ou média cilindrada e de sistema eletrônico ABS, que impede o travamento das rodas, em qualquer circunstância, nas motos maiores. Outro efetivo passo à frente foi o aperfeiçoamento do sistema de iluminação das motos, que progrediu em confiabilidade e efetividade.

Transformação cultural

Tais avanços tecnológicos são essenciais, mas, para o real alinhamento do padrão de segurança do trânsito brasileiro ao das nações de referência em segurança, é necessária uma forte mudança comportamental, pois não há dúvida de que o fator humano é preponderante na dinâmica de qualquer tipo de acidente.

Educar é, portanto, a solução. Incutir nos usuários das vias públicas valores de respeito mútuo e sabedoria de que o espaço não deve ser disputado, mas, sim, compartilhado, é primordial, assim como substituir o comportamento ríspido no modo de dirigir pela cordialidade irrestrita.

É grave constatar o desconhecimento – ou menosprezo – de uma das mais básicas regras do trânsito, aquela pela qual o maior deve cuidar do menor, ou seja, dar sempre a prioridade ao mais frágil.

 Nesse cenário pouco virtuoso do trânsito brasileiro, um dedo acusador é constantemente apontado para os motociclistas, frequentemente considerados ‘vilões’ no trânsito quando, na verdade, eles estão entre as maiores vítimas desse cenário no qual nenhum dos agentes – pedestre, ciclista, motociclista ou motorista – pode ser considerado mais ou menos culpado.

Alterar tal realidade depende da continuidade de ações de conscientização, com foco em conceitos como o de responsabilidade coletiva, além das instruções para a condução segura de veículos.

Enfim, a implantação de uma política de trânsito que priorize os três pilares mencionados no início – evolução tecnológica dos veículos, melhoria do ‘ecossistema’ do trânsito e educação dos usuários das vias públicas – é o caminho para que a segurança ao dirigir, com um volante ou guidão nas mãos, seja aquela que todos queremos.

Assim, o nosso direito de ir e vir, garantido pela Constituição, estará acompanhado de um risco cada vez menor.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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