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Meios de transporte

Os lugares mais perigosos para andar de bicicleta em SP

A capital paulista ainda está longe de poder ser considerada uma cidade segura para os ciclistas. Roubos, furtos e acidentes preocupam quem pedala na cidade

Cristiane Marsola

24/11/2019 - 3 minutos, 45 segundos


Um capacete e uma bicicleta caídos em uma faixa de pedestres
O ano de 2018 teve 530 ciclistas atropelados, sendo que 22 deles morreram. Foto: iStock

Apesar de ainda ser responsável por menos de 1% das 42 milhões de viagens feitas diariamente na Grande São Paulo, as bicicletas vêm ganhando espaço nas grandes cidades. De acordo com a Pesquisa Origem e Destino do Metrô, de 2007 para 2017, as viagens diárias de bicicleta cresceram 24%, passando de 304 mil para 377 mil. 

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A produção acompanha essa demanda. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção de bicicletas no país vem crescendo. Em setembro, foram fabricadas 110.895 unidades, o que representa alta de 35,9% ante o mesmo mês do ano passado, quando foram produzidas 81.590 unidades.

No acumulado do ano, já foram produzidas 703.739 unidades, correspondendo a um crescimento de 21,7% ante as 578.449 bicicletas feitas nos nove primeiros meses de 2018. A projeção é de que, em 2019, haja uma produção de 857 mil unidades, o que seria um crescimento de 10,8% ante as 773,6 mil bicicletas produzidas em 2018.

Mesmo com uma maior presença dos ciclistas, São Paulo ainda está longe de poder ser considerada uma cidade segura para andar de bicicleta. Roubos, furtos e acidentes preocupam os ciclistas na cidade.

Acidentes com bicicletas

O Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, mostra que, dos 96 distritos da cidade, os que têm mais ocorrências de acidentes são Barra Funda, Bom Retiro, Sé, Pinheiros e República. 

De acordo com o Painel da Mobilidade Ativa, abastecido pela Ciclocidade, 2018 teve 530 ciclistas atropelados, sendo que 22 deles morreram. Além das bicicletas, os acidentes tiveram envolvimento de 303 automóveis, 59 motos, 35 ônibus e 33 caminhões e caminhonetes, entre outros. As vias com mais ocorrências, segundo o levantamento do painel, são Avenida Marechal Tito, Avenida Senador Teotônio Vilela, Avenida Sapopemba, Avenida Dr. Eduardo Cotching e Avenida Brigadeiro Faria Lima. 

Segundo a Pesquisa Origem e Destino do Metrô, 72% dos ciclistas disseram não usar as vias segregadas para bicicleta, ou seja, na maioria do tempo as bicicletas estão dividindo o espaço com carros, ônibus e caminhões, o que causa muitos acidentes. 

“Tem vias muitos letais para a mobilidade ativa em todos os distritos da cidade. Em geral, uma característica comum é serem grandes avenidas, com velocidades máximas altas e muito fluxo de carro, ônibus e caminhão. Do ponto de vista geral da cidade, eu destaco dois pontos preocupantes: os ônibus são os responsáveis por grande parte das mortes de ciclistas e há um conflito dos outros veículos com ciclistas próximo das infraestruturas cicloviárias”, explica Aline Cavalcante, diretora de participação da Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo).

De janeiro a setembro deste ano, morreram 29 ciclistas na cidade de São Paulo, vítimas de acidente, de acordo com dados do Infosiga SP, sistema do Governo do Estado que publica mensalmente estatísticas sobre acidentes fatais de trânsito. Em 18 ocorrências, havia automóveis (9), ônibus (7) ou caminhões (2) envolvidos. No mesmo período, houve 3.370 acidentes com vítimas envolvendo bicicletas.

“As políticas públicas têm de partir do pressuposto que as pessoas vão errar. A premissa é que, na hora que o ser humano cometer um erro, a probabilidade de tirar a vida de alguém com esse erro seja cada vez menor e, para fazer isso, existem regras e leis a serem cumpridas. A primeira delas é a redução de velocidade nas vias. Se reduz de 80 km/h para 50 km/h a velocidade máxima de uma via, diminui em quase 80% a chance de morte dessa pessoa que sofreu o acidente”, fala Aline Cavalcante.

Roubos e furtos de bicicletas

De janeiro a outubro de 2019, foram 564 roubos de bicicletas na cidade de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação. 

A Zona Oeste da capital concentra os bairros com mais ocorrências. Pinheiros é o bairro com maior número de roubos de bicicletas na cidade. Foram 39 ocorrências nos dez primeiros meses deste ano. Em segundo lugar em número de roubos está o Itaim Bibi, com 21 casos, seguido por Alto de Pinheiros, com 20, Vila Leopoldina, com 19, e Rio Pequeno, com 18. 

Entre as vias, a campeão de roubos de bicicleta é a avenida Brigadeiro Faria Lima, com 23 ocorrências, de janeiro a outubro de 2019. Em seguida, vem a avenida Escola Politécnica, que teve 18 roubos, e a avenida Doutor Gastão Vidigal, com 15 casos. 

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