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Meios de transporte

Confira como a tecnologia permite reduzir o consumo de combustível em até 20%

Economia é possível pelo acompanhamento online das atitudes do motorista e por roteiros de entrega mais curtos e livres

5 minutos, 48 segundos de leitura

20/04/2022

Por: Mário Curcio

Sistemas de gestão de frota ajudam a tornar operações logísticas mais eficientes. Foto: Getty Images

Com recursos para monitorar o comportamento do motorista e reduzir percursos de entrega, é possível baixar em até 20% os gastos com combustível em um veículo ou frota. Considerando o valor médio de R$ 6,65 para o litro de diesel na cidade de São Paulo, a economia a cada 100 litros seria de R$ 133.

Os caminhos para essa economia são apontados por empresas especializadas em monitoramento, gestão de frotas e roteirização de entregas, mas montadoras e fabricantes de pneus também fornecem tecnologias capazes de baixar o consumo.

De acordo com Fábio Acorci, diretor comercial corporativo da Ituran, o sistema de gestão de frotas fornecido pela empresa permite a redução de consumo em até 20%. Ele utiliza um algoritmo estatístico capaz de analisar online a quantidade de acelerações, freadas bruscas e curvas como sendo um conjunto de “eventos”. Com base em big data, isso permite a atribuição de notas e comparação entre motoristas. Essa pontuação começa em 100 e vai regredindo conforme o acréscimo dos eventos.

“Também emitimos alertas em caso de veículos parados e com a ignição ligada”, afirma Acorci, referindo-se à possibilidade de o motorista estar descansando na cabine com o ar-condicionado ligado. O valor mensal cobrado pela Ituran, por veículo, parte de R$ 65, e a empresa tem como principais clientes os donos de frota de veículos leves.

Pela Cobli, especializada em gestão de logística, os clientes conseguem baixar o consumo de 15% a 20%. A empresa também acompanha o tipo de condução do motorista com base em sensores. “Conseguimos comparar esse condutor com ele mesmo e com outros da nossa base de dados”, afirma Rodrigo Mourad, presidente da Cobli.

A redução dos gastos é conseguida ainda pela indicação dos postos com preços mais competitivos no trajeto e pela escolha da rota mais livre naquele momento. A Cobli também consegue reduzir fraudes como furto de combustível ou utilização indevida da verba para abastecimento (como um lanche na loja de conveniência, por exemplo). A cobertura mínima é de três veículos, com valores a partir de R$ 300 (R$ 100 para cada um).

Com os serviços fornecidos pela Autotrac, é possível reduzir o consumo em até 10%. A empresa utiliza um sistema de telemetria, que monitora os parâmetros de condução e o funcionamento do veículo. Os dados são comparados com os limites estabelecidos pela transportadora e pela montadora, e geram alertas na cabine para o motorista corrigir sua conduta.

“Esses alertas também são enviados, em tempo real, para o software de operação na sede da empresa. Com isso, são gerados relatórios e rankings, que permitem a premiação dos melhores condutores e a reciclagem daqueles que estão dirigindo de forma inadequada”, afirma Márcio Toscano, diretor de marketing da Autotrac. Os preços, por veículo, variam de R$ 50 a R$ 300, por mês.

Economia de 15% apenas com roteiro enxuto

A tecnologia também consegue trazer bons resultados com base no que se chama “roteirização”, ou seja, o estabelecimento de um trajeto mais racional para as entregas. A empresa Lincros, especializada em gestão logística, oferece essa solução a frotistas.

“A roteirização é mais utilizada em grandes centros pela maior quantidade de entregas. A economia de combustível chega a 15% pela redução no trajeto e no tempo em trânsito, o que permite rodar com o veículo mais cheio”, afirma Gilson Chequeto, CEO da Lincros. O executivo informa que, em alguns casos, é possível reduzir o número de veículos em operação.

Segundo a Lincros, o algoritmo utilizado para a definição dos roteiros também é capaz de definir áreas de risco, algo essencial em grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. A cobertura mínima pela roteirização é de 20 veículos, cobertos por um custo inicial de R$ 1.500, por mês.

Motorista também está no foco das montadoras

Os fabricantes de caminhões e outros veículos comerciais também podem fornecer tecnologias para baixar o consumo. A base desses serviços é o acompanhamento dos condutores. “Sem conectividade, não dá para saber como o caminhão foi operado”, afirma Alex Barucco, gerente de portfólio de serviços e conectividade da Scania.

Desde 2017, a empresa fornece o que chama de Serviços Conectados, que permitem acompanhar a utilização dos caminhões e o desempenho do motorista. “Ele recebe notas de A a E, e o gestor da frota pode mostrar como melhorar esse desempenho, seja desligando o caminhão parado, seja aproveitando melhor a inércia do veículo na aproximação de um pedágio”, diz Barucco.

A redução no consumo obtida pela empresa chega a 14%. O valor inicial dos Serviços Conectados varia de R$ 150 a R$ 200, por mês (conforme a concessionária), e é possível incorporá-lo em planos de manutenção.

Entre os serviços da Mercedes-Benz há o VansConnect, específico para a linha Sprinter. Quando o cliente adquire o módulo Gestão Avançada, de R$ 57,90 mensais, ele conta com monitoramento logístico e também um ranking com o desempenho de cada motorista.

“O gestor da frota pode identificar quais veículos permanecem parados com a ignição ligada por mais tempo, determinando os horários mais frequentes, além de ter um controle de multas e custos de manutenção”, afirma Aline Rapassi, gerente de produto da companhia. Segundo Aline, o frotista também recebe e-mails com o ranking dos motoristas e suas infrações da semana. E os condutores são informados, semanalmente, sobre o seu desempenho.

Monitoramento dos pneus traz mais economia

Dá para baixar ainda mais o consumo acompanhando de perto a calibragem dos pneus. A fabricante Continental produz pneus para caminhões, ônibus e carretas equipados, de fábrica, com sensores de pressão e temperatura.

Para captar as informações desses sensores, ela oferece um sistema com custo mensal de R$ 990, mesmo valor cobrado desde o lançamento, em 2019. Chamado de Conti YardReader, ele é ideal para frotas com carretas, e funciona com base em um equipamento, com antena, instalado na entrada da garagem.

A checagem da pressão dos pneus deixa de ser uma operação manual, individual, e se torna automática, simultânea e bem mais rápida. “O resto do tempo pode ser destinado a outras correções ou verificações no veículo, fazendo com que ele volte à operação mais cedo”, afirma Thaís Oliveira, diretora de vendas da Continental. É possível instalar mais de uma antena se a transportadora usar dois ou mais pátios.

O YardReader coleta e transfere os dados para um aplicativo (ContiConnect) desenvolvido pela Continental. A redução no consumo esperada é de 2% com a utilização do equipamento.

Confira outros conteúdos no Guia do Frotista.

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