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Embaixadores

Márcio Canzian

Diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (Abve) e CEO da Eletricz, empresa especializada na distribuição de veículos elétricos portáteis.

Mobilidade para quê?

A mobilidade lúdica através dos tempos

A humanidade se conecta com os veículos desde o início. Entenda o que é mobilidade lúdica e como ela influencia na cultura.

27/11/2020 - 3 minutos, 15 segundos


Mobilidade lúdica através dos tempos
Foto: Taba Benedicto | Estadão

Desde a invenção da roda, a humanidade se conecta das mais variadas formas com seus veículos. Na Grécia Antiga, o uso das bigas (carruagens de duas rodas) nas guerras já havia decaído quando elas passaram a ser utilizadas em corridas e apresentações. 

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No começo do século 20, logo que se iniciou a produção em massa da motocicleta, nos Estados Unidos, surgiu também a primeira apresentação circense do Globo da Morte, cuja esfera é feita de aço e onde motociclistas destemidos se apresentam realizando manobras radicais em alta velocidade, despertando no público um sentimento de medo e suspense. Embora aparentemente seguro, esse tipo de apresentação já causou mortes. 

A interação veículo-homem está presente também nos grandes espetáculos atuais. No Cirque du Soleil, uma das apresentações que acontecem no palco é o The Beatles Love, em que nosso velho conhecido Fusca aparece todo estilizado num complexo sistema de desmontagem em que cada dançarino coreografa com uma parte do carro ao som de All We Need Is Love (The Beatles).

Bad boy

No cinema, a relação de carros ou motos com personagens emblemáticos parece cada vez mais intensa. E já vem de longa data. O genial ator Marlon Brando (1924–2004) marcou época, em 1953, como motociclista, no filme O Selvagem. Ele influenciou gerações de jovens com seu personagem Johnny Strabler, um “bad boy” líder de uma gangue de motociclistas, pilotando sua Triumph de 1950. 

O agente secreto 007, James Bond, é outro que desperta fortes emoções no seu público com seus carros ou motos de última geração. 

As bicicletas, tão em moda nos dias de hoje, há décadas apresentam um lado lúdico muito forte. Quem não se lembra da clássica cena do filme E.T.: O Extraterrestre, de 1982, na qual as crianças voam pelo céu com suas bicicletas, carregando seu amiguinho de outro planeta? No Brasil, antes de tudo que se fala hoje sobre as bicicletas, já tínhamos no inesquecível Ayrton Senna (1960–1994) um grande defensor desse modal. Nos anos 80, ele foi o primeiro a adotar o ciclismo em sua preparação física. 

E, agora, até os micromodais elétricos começam também a fazer parte de interações artísticas e competições. Em Los Angeles, nos Estados Unidos, um evento que ocorre anualmente, desde 2019 (paralisado neste ano por causa da pandemia), é o LA EUC Games, que reúne amantes do monociclo elétrico em apresentações que vão do freestyle em manobras individuais e coletivas, de equilíbrio, dançando ou tocando um instrumento musical enquanto pilota o modal, até corridas de velocidade. Na França, o Electric Games reúne, além dos monociclos elétricos, também skates elétricos e outros micromodais num evento que atrai centenas de participantes. É lá também que ocorre uma das etapas do Polowheel, uma adaptação do jogo de polo tradicional, porém com o uso do monociclo elétrico.

Monociclo no Carnaval

Por aqui, no Carnaval deste ano, a Rosas de Ouro surpreendeu o público e levou para a avenida 20 monociclistas em uma ala artística da qual, honrosamente, fiz parte. Esse evento marcou um momento importante do enredo Tempos Modernos, em que a tecnologia e a mobilidade do futuro tiveram destaque no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo (SP).

Foi também no Brasil que a dupla de inventores Vinicius Sanctus e Alessandro Russo criou, recentemente, em Belo Horizonte (MG), a divertida Vassoura de Harry Potter, na qual uma pequena armação metálica acoplada a um monociclo elétrico simula o efeito do voo representado no jogo Quadribol, da saga de J.K. Rowling. 

Para muito além da mobilidade, os veículos fazem parte da nossa evolução também como sociedade. Future-se.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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