Mobilidade para quê?

A reorganização da mobilidade nas grandes cidades no pós-pandemia

“Os investimentos na mobilidade urbana em bicicleta representam oportunidades.”

2 minutos, 59 segundos de leitura

18/08/2021

Foto: Getty Images

Nas últimas semanas, é provável que você tenha escutado ou até mesmo passado pela situação de cancelamentos de viagens em aplicativos de carro. Pois esse cenário, que vem se ampliando nos últimos meses, tem explicação e os motivos são diversos. No Brasil, por exemplo, a dificuldade parte do baixo repasse financeiro aos motoristas, que estão tendo mais gastos com o combustível em alta e a valorização da locação de carros e, com isso, escolhem as corridas que parecem mais lucrativas. Já nos Estados Unidos, somada ao cenário de pandemia, a grande preocupação está na escassez de motoristas, que, segundo dados da Apptoia, se apresentou 40% menor, no trimestre de 2021, comparado com 2020.

Mas o que isso pode representar quando olhamos para a mobilidade e os impactos causados no dia a dia das pessoas? De imediato, esses aumentos chegam de forma cada vez mais direta e pesam mais no bolso dos usuários, uma vez que alguns serviços de economia compartilhados passaram, inclusive, a adotar preços mais elevados do que alternativas tradicionais, como os táxis. No médio e longo prazos isso, sem dúvida, abre precedente e reforça a necessidade de novas escolhas de deslocamento.

Amigos que, hoje, moram nos EUA e na Europa, lugares em que a campanha de vacinação está avançada e a vida começa a voltar ao ritmo que estávamos acostumados, já relatam algumas quebras desses paradigmas que, se bem observadas, podem revolucionar a mobilidade urbana. 

Em um momento em que a informação corre em rápida velocidade, as novas gerações – que já não possuem tanto interesse na compra de  automóveis e estão habituadas a usar aplicativos de viagens curtas todos os dias – passaram a questionar: vale a pena pagar US$ 20 para andar sete quadras ou posso fazer o mesmo trajeto a pé ou de bike para economizar?

Novos hábitos

Uma análise feita com dados de compartilhamento de bicicletas em 11 cidades dos EUA mostra que, em maio do ano passado, 240 mil bicicletas elétricas representaram apenas 11% das viagens. Já no mês passado, essas mesmas e-bikes foram responsáveis por 38% dos deslocamentos, chegando a 1,4 milhão de empréstimos. E mostra que muitos dos hábitos pré-pandemia podem ter seus dias contados para boa parte da população, enquanto outros novos ganham relevância e chegaram para ficar, como o uso da bike como meio de transporte. 

Nova York registrou mais de 2 milhões de novos usuários em seu principal sistema de bikes compartilhadas. Por aqui, registramos recordes de viagens em todas as cidades em que atuamos, números maiores que os de pré-pandemia e só crescem. Os investimentos na mobilidade urbana em bicicleta representam, acima de tudo, oportunidades.

Diante de tudo isso, uma nova discussão que se estabelece: o que fazer para não perder algumas melhorias que foram descobertas nos últimos tempos? Essa mudança de comportamento já está acontecendo e será cada vez mais acelerada. É fundamental que as cidades aproveitem esse momento para otimizar os modais e, finalmente, avancem em uma mobilidade mais eficiente no caminho de cidades inteligentes, caso contrário, há um grande risco de retrocedermos com as conquistas que a pandemia acabou nos trazendo nos quesitos de mobilidade e meio ambiente.  Já é realidade a imunidade coletiva da vacina em algumas cidades do mundo e esperamos que essa também seja a realidade dos brasileiros em alguns meses. Diante disso, precisamos preparar nossos espaços urbanos para a retomada.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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