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Mobilidade para quê?

Guilherme Boulos: conheça as propostas do candidato para o transporte público em São Paulo

Este é o segundo de quatro posts sobre as propostas de mobilidade urbana dos candidatos à Prefeitura de São Paulo

20/11/2020 - 4 minutos, 19 segundos


Guilherme Boulos em fundo branco
Foto: Divulgação

No domingo, dia 29 de novembro, os paulistanos terão que escolher por meio do voto o próximo prefeito que irá fazer a gestão da maior cidade da América Latina durante os anos de 2021 a 2024. Entre os maiores desafios do próxima gestão, que poderá ser conduzida por Bruno Covas ou Guilherme Boulos, está a questão da mobilidade urbana. Afinal, ela faz parte do dia a dia de milhões de habitantes da metrópole.

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Por isso, fomos ouvir os dois candidatos que disputarão o segundo turno. O primeiro post tem as propostas de Bruno Covas para o transporte público. Neste segundo post, é a vez de Guilherme Boulos falar sobre o mesmo tema. 

Nos próximos dias, falaremos sobre o que os dois candidatos têm planejado para os demais temas relacionados à mobilidade, como ciclovias, segurança nas calçadas e fiscalização no trânsito.

Confira as propostas de Guilherme Boulos

Como o senhor avalia o tema da mobilidade urbana e qual a sua importância para a cidade de São Paulo?

Guilherme Boulos: A mobilidade urbana é um conflito permanente. Embora regulada pelo Poder Público, acaba determinada pelas grandes empresas e pela renda. Até hoje, tem quem ande a pé por não poder arcar com as tarifas. É um dos poucos setores que afetam – de maneira muito diferente, é certo – todos os habitantes da cidade. É dever da Prefeitura garantir o direito de mobilidade – acessível, confortável, higiênico, como a covid-19 mostrou ser fundamental, e com o mínimo tempo gasto no deslocamento – a todos os cidadãos. Isso só se concretizará com base em políticas públicas para o combate às desigualdades na mobilidade urbana. Transporte coletivo é um serviço público, e não mercantil. No nosso governo, as pessoas terão condições para participar da definição de políticas públicas de mobilidade urbana, sempre de forma democrática.

Em relação ao transporte público coletivo por ônibus, quais as principais propostas? Está em seu plano de governo o aumento da frota?  

Boulos: O transporte público é nossa prioridade. Isso implica investir de verdade nos corredores, com prioridade em completar a rede de corredores estruturais. Vamos fazer o que a gestão Doria/Covas não fez: entregaram apenas 3 quilômetros de corredores, em uma cidade do tamanho de São Paulo, não completaram nem 5% do que prometeram e tiraram recursos dos corredores para asfaltar o Autódromo de Interlagos. Em nossa gestão, os corredores vão operar como metrôs de superfície, com maior velocidade, semáforos com sensores que priorizem ônibus em cruzamentos, sem congestionamentos no corredor. Em todas as vias em que ônibus circularem e for possível, vamos expandir as faixas exclusivas. Além de aumentar a velocidade, essas medidas, por si só, vão ampliar a oferta de lugares. A partir disso, vamos avaliar quais linhas precisam de aumento de frota e, naquelas em que for necessário, vamos ampliar. É indiscutível que a tarifa é um regulador da demanda por serviço de transporte. O direito ao transporte só será real se a tarifa não tiver esse papel e chegar a zero. 

Quais serão os incentivos para que as empresas de ônibus troquem seus veículos a combustão por modelos mais modernos eletrificados?

Boulos: O governo Doria/Covas assinou contratos de 15 anos com as empresas de ônibus, com vários problemas: desde a remuneração das empresas com prêmio para a superlotação (chamada de “produtividade”) até um plano extremamente lento de substituição de frota sem combustível de origem fóssil – desobedecendo, inclusive, a Lei da Mudança Climática.  Não dá para ficar assim. Existe tecnologia disponível no mercado nacional para essa substituição ser feita com muito mais celeridade. Nosso governo abrirá negociações e organizará pressão popular e jurídica para proteger o ar da cidade através da eletrificação de 100% da frota em prazo muito menor que 15 anos.

Em relação ao subsídio do transporte por ônibus, caso eleito, pretende propor alguma mudança? Há alguma proposta no sentido de criar alguma taxa que ajude a financiar o transporte público?  

Boulos: Vamos criar um Fundo de Financiamento e Investimento no Transporte Coletivo, que vai reunir as receitas já auferidas pelo sistema, como a tarifa arrecadada, o vale-transporte, e receitas acessórias, como publicidade. Também vamos propor um pacto nacional pela regulamentação do direito social ao transporte público, inscrito na Constituição, por iniciativa de Luiza Erundina, com a geração de fundos para financiamento. Por fim, propor a criação de uma autoridade metropolitana de transporte público, já que o problema do transporte é da cidade, mas a cidade real é a Grande São Paulo, para discutir melhorias integradas entre ônibus municipal, intermunicipal e trilhos. Os custos do transporte público não podem recair apenas no usuário do transporte – assim como no SUS ou na rede de escolas e de universidades públicas.

As informações são de responsabilidade dos candidatos.

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