Mobilidade para quê?

Carro elétrico: o primeiro passo

Para o engenheiro Diogo Seixas, o modal é apenas uma das atitudes que adotou para ensinar aos filhos os princípios de uma vida mais sustentável

3 minutos, 3 segundos de leitura

03/07/2021

Por: Patrícia Rodrigues

Diogo Seixas aponta comportamentos que ainda impedem a opção pelos elétricos. Foto: Arquivo pessoal

Diogo Seixas, 40 anos, já sabia desde os 4 com o que iria trabalhar: carros. Tanto que se formou em engenharia mecânica e de produção para esmiuçar todos os desafios dessa cadeia. Porém, em 2013, a paternidade o fez enxergar o mundo de outra maneira. “Como o estilo de vida atual não favorece o mundo para as próximas gerações, resolvi mudar isso dentro de casa, fazendo, ao menos, a minha parte”, revela o morador de Florianópolis (SC). Na casa da família, a energia vem 100% da solar fotovoltaica e de placas solares térmicas para chuveiros; a alimentação 100% orgânica é adquirida de pequenos produtores da região, assim como roupas de fabricação nacional, de preferência local.

No ano seguinte, ele começou a se especializar em sustentabilidade (aquecimento global e poluição) e em formas de diminuir o impacto de seu automóvel a gasolina no dia a dia. As mudanças de atitude não influenciaram apenas Max, de 7 anos, e Tom, de 5 – que só se locomoveram em elétricos, como o atual BMWi3, adquirido em 2019 –, mas também o círculo familiar e de amigos. “Desde cedo, explicava para eles a diferença entre carro elétrico e a combustão e a relação entre poluição, gás carbônico e aquecimento global.”

O engenheiro viveu mais de dez anos fora do Brasil, tendo a oportunidade de rodar com seis modelos elétricos de marcas diferentes. Durante o período na Califórnia, nos Estados Unidos, em que se aperfeiçoou na área de sustentabilidade, de veículos elétricos, energias renováveis e baterias, Seixas vivenciou a grande variedade desses modelos, bem mais acessíveis para compra e aluguel (nem sempre disponíveis nas locadoras nacionais), e suas diferentes tecnologias. Com isso, fez um “rodízio”, na garagem, entre dois modelos BMW i3, Nissan Leaf, Mercedes Classe B, Chevrolet Volt, Cadillac ELR e Tesla Model S (dois de cada vez). “Todos eram seminovos ou usados, assim como o meu atual. Não tenho essa desconfiança com manutenção e bateria. Tive zero problema com todos. Aqui, contratempos com reposição de peças acontecem, porque os modelos são importados, e não por serem elétricos.”

Carregamento doméstico

Como estudioso do tema, Seixas acredita que existam fortes barreiras para aumentar a adoção de veículo elétrico, e infraestrutura mais “visível” é uma delas. “Sou a favor da ampliação; assim, mais pessoas se sentiriam seguras de adquirir um elétrico. Mas logo perceberiam que dá para carregar em casa ou usariam apenas em viagens. Nem todos viajam mil quilômetros de carro – vai do hábito familiar.”

Ele conta nos dedos quantas vezes precisou de estrutura pública, pois carrega o carro em casa, de três a quatro vezes por semana, durante a madrugada, de forma lenta, o que é melhor para a bateria, deixando os carregamentos rápidos para emergências. “Meu carro é da primeira geração, com uma autonomia menor, mas perfeito para um carro urbano e meu estilo de vida.”

O tamanho do veículo, de acordo com o especialista, também é um entrave: não é fácil convencer donos de carros maiores e mais poluentes, como as SUVs, a trocar pelo elétrico. Além de nada abaixo de R$ 150 mil, somente os usados, e o status de ter um carro 0-km ainda pesa. “É uma grande mudança de hábito para quem tem poder aquisitivo optar por um carro não poluente. Mas, nos próximos anos, será uma questão de status rodar com um elétrico.”

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