Mobilidade para quê?

Conheça a história da Marginal Pinheiros

O que, nos anos 1920, era uma várzea, hoje, se caracteriza por um corredor cercado de arranhas-céus, trânsito intenso e uma ciclovia em parte de sua extensão

3 minutos, 51 segundos de leitura

08/12/2020

história Marginal Pinheiros
Imagem: Agência Estado

Conhecida por seus tradicionais congestionamentos e como local frequente de acidentes, o “mar de carros” da Marginal Pinheiros de hoje não lembra em nada sua aparência na década de 1920: rios navegáveis, clubes de regata em suas margens e água limpa. Como esses, há diversos outros fatos curiosos sobre a via fundamental na vida dos paulistanos. Conheça alguns fatos marcantes que contam um pouco da história de uma das vias mais importantes de São Paulo:

Batismo

O que conhecemos como Marginal Pinheiros e Marginal Tietê é um conjunto de avenidas da SP-015, ou Via Professor Simão Faiguenboim, nome quase desconhecido das pessoas que trafegam pelas vias. Parte dessas avenidas margeiam o Rio Pinheiros, formando uma das vias expressas mais importante da cidade de São Paulo. Ela tem 22,5 quilômetros de extensão e liga a região de Interlagos ao Complexo Viário Heróis de 1932, no acesso à Rodovia Castelo Branco.

Sobre seu projeto

Com o avanço da urbanização, a cidade de São Paulo viveu décadas de discussão sobre o destino tanto da Marginal Pinheiros quanto da Marginal Tietê. A história de seu projeto começa em 1920, encabeçado pelo engenheiro e sanitarista Francisco Saturnino de Brito, que levou a José Pires do Rio, prefeito de São Paulo na época, o conceito de projeto que garantia a integridade dos leitos com a formação de um cinturão de parques.

Entretanto, essa ideia foi considerada muito ousada e não avançou. Na década de 1930, a discussão sobre a necessidade de obras nos rios Tietê e Pinheiros voltou; porém, com foco na circulação dos veículos. Anos depois, o então engenheiro Francisco Prestes Maia elaborou o chamado Plano de Avenidas, que tinha como base um modelo radial, com construção de avenidas ao longo das margens e canalização dos dois rios (Pinheiros e Tietê). Foi apenas a partir de 1950, quando o norte-americano Robert Moses reforçou o projeto idealizado por Prestes Maia, que as obras iniciaram.

Construção levou mais de 20 anos

O início, de fato, da construção da Marginal Pinheiros – uma história totalmente ligada à da Marginal Tietê – foi em 1954, começando pela retificação do rio, pois era preciso deixar as margens – e, por consequência, o rio –, o mais retas possíveis. Esse processo explica parte dos problemas que os paulistanos enfrentam, até hoje, na época de fortes chuvas: regiões muito afetadas por alagamentos, como a Zona Oeste, por exemplo, próximo à Ponte do Jaguaré, era antigamente um desvio do Rio Pinheiros. A obra para construção da marginal seguiu durante mais de 20 anos, entre mudanças na administração municipal e estadual.

Marginal Pinheiros, hoje

O que antes era várzea agora se caracteriza por diversos arranha-céus ao longo da via, pelo projeto de arborização na margem e pela Ciclovia Rio Pinheiros. Localizada na margem leste do Rio Pinheiros, ela corre paralelamente a um trecho da Linha 9-Esmeralda, da CPTM, tem 21,5 quilômetros e foi inaugurada em fevereiro de 2010.

Outro destaque da Marginal Pinheiros, mas este negativo, é seu elevado número de acidentes: em 2017, foi divulgado um levantamento feito pela Polícia Militar e pela revista Veja São Paulo que dava conta de que a marginal registrava um acidente a cada seis horas, um aumento de 80%, em geral, na comparação com o ano anterior. O trecho considerado mais perigoso é o abaixo da Ponte Itapaiuna, no Panamby.

Despoluição?

A despoluição do Rio Pinheiros, medida que poderia melhorar a mobilidade da cidade, além trazer diversas opções de lazer, já foi promessa de muitos políticos e candidatos. A mais recente foi no ano passado: em 2019, João Dória (PSDB), governador do Estado de São Paulo, lançou o programa Novo Rio Pinheiros, que tem como meta a despoluição completa até 2022. 

Em julho deste ano, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou que havia assinado os últimos quatro contratos, no valor total de R$ 459 milhões, necessários para cumprir a promessa. Em setembro, a Sabesp divulgou que já foram realizadas 40 mil ligações da rede de esgoto, enquanto a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) tem feito recuperação das margens do Pinheiros, deixando-as mais profundas e retirando o lixo. O trabalho de desassoreamento é enorme: a meta é que, até o final de 2020, sejam retirados 500 mil m³ de detritos no desassoreamento do Rio Pinheiros, além de 700 mil m³ no desaterro – equivalente a 480 piscinas olímpicas.

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