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Mobilidade para quê?

IPVA e o impacto na construção de smart cities

O Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores é um tributo anual obrigatório cujo pagamento se faz necessário para o licenciamento dos veículos

3 minutos, 33 segundos de leitura

28/01/2022

smart cities
Foto: Pexels

Todo começo de ano os motoristas têm um compromisso certo: pagar o IPVA. O Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores é um tributo anual obrigatório cujo pagamento se faz necessário para o licenciamento dos veículos, sem o qual os carros não podem circular pelas cidades. Até fevereiro de 2021, a Secretaria da Fazenda e Planejamento contabilizou mais de 10 bilhões de reais recolhidos somente em São Paulo. A Sefaz-SP estima que em 2022 o valor chegue a R$21,8 bilhões somente no estado. 

A arrecadação do IPVA não é totalmente aplicada para melhoria da mobilidade urbana, e muitas informações sobre seu uso ainda geram dúvidas. Além de contribuir com 20% para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), a quantia arrecadada com o imposto é dividida entre Estado, Município e Governo Federal, e eles aplicam o montante conforme a necessidade – seja em mobilidade, educação ou saúde. Então, surge o questionamento: como os valores arrecadados com o IPVA poderiam ser usados na parceria entre poder público e privado para melhorar a qualidade de vida dos motoristas?

É importante que o IPVA tenha um papel mais significativo dentro dessa estrutura. Há pouca visibilidade sobre a aplicação do dinheiro e a iniciativa privada pode ser uma grande aliada no processo, com inovações desde a etapa da arrecadação, tornando o pagamento de impostos mais rápido e com mais transparência de informações.

O setor privado tem, hoje, acesso a milhares de dados sobre mobilidade que podem ser estudados para gerar mudanças dentro da arquitetura urbana. O poder público pode contar com a ajuda do setor para criar soluções que englobam multimodais. Esse é o grande quebra-cabeça e o objetivo no final é uma qualidade de vida melhor para o cidadão. 

A tecnologia é grande aliada. A criação de serviços como os de carros compartilhados promoveu um salto na experiência dos usuários e uma visão ampliada sobre economia e novas formas de se mover pelas cidades. 

O papel de empresas do setor privado nesse quesito é ajudar as pessoas a cuidarem melhor do próprio tempo, para que possam aproveitá-lo em momentos de lazer e saúde mental ao invés de desperdiçá-lo com deslocamentos e burocracias que poderiam ser otimizadas. 

Do ponto de vista de experiência para o motorista, há uma evolução dos aplicativos e sites governamentais, ampliando a digitalização e, com isso, criando um ambiente para o desenvolvimento de negócios. É o início de um período de inovações, que abre novas opções de pagamento de tributos, monitoramento dos documentos e débitos, e ainda a possibilidade de compartilhamento dessas informações com empresas para acesso a ofertas de seguros e financiamentos de forma personalizada, com preços que estejam de acordo com cada perfil de motorista. 

O principal desafio agora é a construção de uma arquitetura de cidade e de transporte que faça sentido para o cidadão, diminuindo o trânsito, o tempo de deslocamento e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida nas cidades. A união de empresas de tecnologia e poder público se faz cada vez mais necessária para essa análise e compartilhamento de dados. A junção dessas frentes possibilita a construção de cidades mais eficientes em diversos cenários.

Nesse novo ciclo, surge uma discussão: como o setor privado pode ajudar o poder público na criação de cidades inteligentes que possam absorver essas novas tecnologias? Será que as autoridades não precisam pensar em novos caminhos ou incluir prioridades dentro do uso do dinheiro arrecadado do IPVA para se preparar e mudar a infraestrutura de cidades focadas em mobilidade?

Já que o imposto é pago pelos motoristas, precisamos pensar em maneiras de usá-lo para garantir que proprietários de veículos e qualquer cidadão possa ter um deslocamento eficaz e de qualidade. E acima de tudo, precisamos promover parcerias entre os setores com o objetivo de melhorar a eficiência da mobilidade e garantir, assim, uma melhor qualidade de vida para a nossa população.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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