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“Inovação pode atrair usuários para o sistema de transporte público”

Por: Karolina Von Sydow. Edição: Dante Grecco . 15/03/2023

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“Inovação pode atrair usuários para o sistema de transporte público”

Especialista fala sobre como novas tecnologias, modernização de alguns processos e políticas públicas criativas conseguem trazer melhorias significativas para a população em relação à mobilidade urbana

4 minutos, 9 segundos de leitura

15/03/2023

Por: Karolina Von Sydow. Edição: Dante Grecco

Ônibus elétricos não poluem, são silenciosos e têm condução mais suave. Foto: Getty Images

As cidades crescem em um ritmo acelerado. Tráfegos intensos, elevação de riscos à saúde e segurança dos cidadãos, maior ocorrência de impactos ambientais, como poluição, enchentes e deslizamentos, são fatores que constituem as realidades cotidianas de grandes áreas urbanas brasileiras.

Uma estratégia fundamental para uma boa gestão da mobilidade urbana é o investimento em ações e soluções em inovação tecnológica, aliadas aos propósitos ESG, que focam no bem-estar e na qualidade de vida socioambiental. Para refletir sobre o tema, conversamos com Sergio Avelleda, coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório de Cidades Arq.Futuro, do Insper, e sócio-fundador da Urucuia, de Inteligência em Mobilidade Urbana, e um dos embaixadores da Mobilidade Estadão

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Avelleda: “Inovação deve mudar a vida das pessoas”. Foto: Arquivo pessoal

Como as ações em inovação podem trazer melhorias e avanços aos sistemas de transporte e mobilidade urbana?

Sérgio Avelleda: Os investimentos, nesse setor, podem romper esse ciclo de perda de usuários, que o transporte público vive. Por exemplo, aplicativos que conectam os usuários com as informações diretas dos sistemas de transporte, integrando-as aos de bilhetagem inteligente, podem ser muito atrativos para o gerenciamento de viagens. Temos de alcançar esse mesmo nível de inovação – ou parecido – no transporte público.

A inovação, por exemplo, na infraestrutura dos veículos, trazendo ônibus elétricos que não poluem, silenciosos e com condução mais suave, é outro aspecto que pode atrair muitos usuários. Não podemos pensar em inovação, simplesmente, por inovação. As mudanças nas cidades passam primeiro pela elaboração de políticas públicas dedicadas a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Logo, o foco central tem de ser desburocratizar, aumentar o acesso e aprimorar a qualidade dos serviços.

Por exemplo, a telemedicina para consultas básicas pode revolucionar o Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo custos e melhorando a capacidade do usuário de interagir com o médico. Serviços municipais informatizados, também, permitem o acesso via internet, diminuindo a necessidade de deslocamento. A cidade precisa ir além da inovação, buscando se aproximar mais das necessidades dos cidadãos e trazendo os serviços públicos para a palma da mão.

Como políticas em inovação podem fomentar boas práticas em inclusão e cidadania?

Avelleda: As ações inovadoras precisam estar diretamente conectadas aos objetivos da cidade, que também devem estar vinculados aos Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável e aos Objetivos de Sustentabilidade, de Governança e de Inclusão Social.

Qual é o papel dessa linha de frente, em relação a outros pilares de ESG, como governança e meio ambiente?

Avelleda: A inovação tem que estar diretamente ligada à capacidade de mudar a vida das pessoas. E, muitas vezes, inovar não é utilizar plataformas tecnológicas. Redesenhar uma rua para colocar nela mais bicicletas, pessoas, transporte público e menos carros não demanda o uso de tecnologia, mas pode contribuir muito para a melhoria de vida. Isso é uma forma inovadora de fazer política pública.

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Como o estímulo ao aumento de parcerias público-privadas pode garantir mais inovação tecnológica na mobilidade urbana brasileira?

Avelleda: A parceria público-privada é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas, especialmente na área de tecnologia. Tecnologia e burocracia nos serviços públicos são coisas incompatíveis entre si. E, essas parcerias ajudam a acelerar investimentos – infraestrutura, compra de ônibus, melhoria dos metrôs, expansão dos sistemas de transporte – e podem ser beneficiadas pela agilidade e flexibilidade que o setor privado oferece. Entretanto, isso não exime a responsabilidade do Estado de regular, fiscalizar e controlar medidas para a proteção de interesses dos usuários e de toda a coletividade.

Qual sua perspectiva em relação à nova gestão do governo para a busca de melhores políticas de mobilidade nos próximos anos? Quais são os maiores desafios?

Avelleda: A nova gestão traz a racionalidade, que havíamos perdido no governo anterior, em relação ao tema políticas públicas. A gestão anterior era movida por uma ideologia muito preconceituosa, e este novo parece estar mais aberto à discussão de políticas públicas, o que é muito bem-vindo. E, também, mais aberto ao engajamento da sociedade civil. Este governo se abre para a participação de conselhos, ONGs, entidades, especialistas. Já o governo anterior era muito fechado em si mesmo. Com isso, a qualidade da política pública tende a melhorar.

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