Mobilidade para quê?

Mobilidade urbana merece atenção especial de prefeitos e vereadores recém-empossados

Além de impulsionar a economia municipal, a criação de novos polos econômicos também tem impacto sobre a malha de mobilidade atual.

3 minutos, 6 segundos de leitura

03/02/2021

mobilidade urbana

É hora de os prefeitos e vereadores que tomaram posse em janeiro começarem a trabalhar para que os quatro próximos anos de suas cidades sejam de desenvolvimento e prosperidade. Dentre os assuntos importantes na pauta, a mobilidade urbana merece atenção especial pelo impacto na vida das pessoas e do município.

Em primeiro lugar, é fácil identificar como a mobilidade afeta a qualidade de vida de todos. Pergunte a qualquer conhecido seu quais as três principais ‘dores’ de suas rotinas. Provavelmente, uma das três será o deslocamento, seja o trânsito lento, a condição dos ônibus ou mesmo uma nova ciclovia. O modo como fazemos viagens diárias influencia o nosso dia a dia e como nos relacionamos com a cidade. Há dúvidas que São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, seriam bem mais agradáveis se gastássemos menos tempo nos deslocando, tornando escritórios, escolas, cinemas, parques e outras oportunidades mais ‘próximos’?

Em tempos de Covid-19, doença especialmente grave para os pulmões, melhorar a qualidade do ar também é essencial. Um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) aponta que o transporte rodoviário é responsável por quase 70% das emissões de CO2 de São Paulo, impactando diretamente a saúde respiratória de quem mora na cidade.

Trabalho, emprego e renda

Políticas públicas em Mobilidade também são importantes para influenciar outros assuntos relevantes para as cidades, como o desenvolvimento econômico. Em São Paulo, por exemplo, o Plano de Diretor vigente, de 2014, define eixos estratégicos para a geração de trabalho, emprego e renda a partir da criação de corredores para incentivar o adensamento da região. Na prática, a melhora da mobilidade em determinadas áreas facilita o surgimento de edifícios de escritórios, comércio e outros serviços geradores de empregos e de renda.

Além de impulsionar a economia municipal, a criação de novos polos econômicos também tem impacto sobre a malha de mobilidade atual: imagine que cada vez menos pessoas precisem se deslocar dos extremos para o centro em busca de trabalho, uma vez que ele estará disponível próximo a elas. Os resultados são metrôs, ônibus e ciclovias mais vazios e confortáveis para todos.

Olhando para frente

O impacto da mobilidade nas cidades é tão grande que a prefeita reeleita de Paris, Anne Hidalgo, lançou o programa “Paris a 15 minutos”, permitindo acessar os destinos diários mais importantes em até um quarto de hora. Para tal, não há dúvidas de que será necessário pensar a cidade como um todo, com novas formas de mobilidade e incentivo ao surgimento de novos polos de serviços, mais próximos de quem hoje precisa se deslocar muito.

No Brasil, algumas iniciativas valem a pena serem notadas. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, por exemplo, assinou a carta “Compromisso pela Nova Mobilidade”, proposta pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (AMOBITEC), da qual a Quicko é membra fundadora. Seus principais pontos falam sobre priorizar as pessoas no planejamento da mobilidade, garantir a inovação no setor, trabalhar parcerias com o setor privado e ONGs, ampliar a abertura de dados do transporte público e promover a melhora dos modais.

O compromisso é importante e marca uma preocupação pertinente para a próxima gestão de São Paulo, que deverá discutir o novo Plano Diretor da cidade, em conjunto com a Câmara dos Vereadores. Com tantos desafios, não há dúvida de que uma mobilidade inovadora e humana é aliada fundamental para a melhora da qualidade de vida dos paulistas.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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