Mobilidade para quê?

Muito além do delivery

Mototaxistas, motofretistas, policiais e até bombeiros também usam motos para se deslocar mais rapidamente pelas ruas das cidades

3 minutos, 54 segundos de leitura

16/09/2021

Por: Arthur Caldeira

Jequié (BA) tem mais motos que carros (como 45% dos municípios brasileiros) e muitos mototaxistas. Crédito: Infomoto

Motoboys e entregadores já são personagens comuns nas grandes cidades brasileiras há muitos anos, mas ganharam ainda mais importância com a pandemia da covid-19. Durante os primeiros e mais severos períodos de isolamento social, esses profissionais sobre duas rodas foram fundamentais para manter muitos bares, restaurantes e outros negócios em funcionamento. 

Apesar do aumento no número de entregadores de delivery de comida e outras entregas, as motos também contribuem em diversas outras áreas da sociedade. Elas estão ao lado de diversos profissionais, como mototaxistas, policiais, bombeiros e socorristas, que se beneficiam da agilidade no trânsito e da economia de combustível desses veículos de duas rodas para realizar as mais variadas atividades.

Embora apenas 15% das motos vendidas, em 2020, tenham sido adquiridas com a finalidade do uso profissional, segundo a Abraciclo, associação dos fabricantes do setor de motocicletas, esse percentual já foi bem maior. Em 2017, por exemplo, 28% dos consumidores que compraram uma moto afirmaram que iriam usá-la para trabalhar.

Prova de que, além de ser uma opção, prática, versátl e econômica de mobilidade urbana, as motos também são ferramentas de trabalho para muitos brasileiros, como pode ser conferido a seguir. 

No Rio de Janeiro (RJ), elas oferecem rapidez e agilidade aos bombeiros. Foto: Divulgação SSRJ

Motofretista

O popular “motoboy” é figura comum nas grandes cidades e a profissão de motofretista é regulamentada pelo governo federal desde 2009, mas cada município é responsável por estabelecer as exigências para a prática profissional. 

Embora vistos por muitas pessoas como vilões no trânsito, é impossível imaginar uma grande cidade sem esse tipo de profissional. Eles são especializados em entregas e coletas rápidas de todo tipo de produto e serviço, até mesmo exames laboratoriais. Muitos também executam o trabalho que, antigamente, era realizado por office-boys, como pagar contas em banco, retirar documentos em cartório, buscar alguma mercadoria etc. Mas não os confunda com os entregadores de aplicativos, que não precisam seguir as exigências da lei que regulamentou a profissão e costumam trabalhar apenas nas entregas de comida.

Entregadores de app

Embora os aplicativos de delivery existam desde 2011, no Brasil, foi mesmo durante a pandemia que apps, como iFood e Rappi, entre outros, se tornaram fundamentais para a economia. Tanto para manter restaurantes, bares e padarias em funcionamento como para servir de fonte de renda para milhões de brasileiros que perderam o emprego. 

Entre os entregadores, a grande maioria usa motocicletas, já que, por serem mais velozes, permitem aceitar pedidos distantes e aumentar os ganhos diários. Segundo pesquisa do instituto Locomotiva, patrocinado pelo iFood, 81% dos entregadores usam motos.

Mototáxi

A estimativa é de que existam mais de 3 milhões de mototaxistas, no Brasil. De acordo com a pesquisa Perfil dos Municípios Brasileiros de 2017, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2.560 das cidades do País (46% do total) contam com esse serviço. Eles são vistos em pequenos e médios municípios, complementando o ineficiente serviço de transporte público ao levar as pessoas de um lado a outro. 

Moto no lugar do animal

A motocicleta também cumpre sua função no campo. Serve para percorrer lavouras, ajudar na segurança das fazendas e até tocar a boiada pelo interior do País. Na Região Nordeste, por exemplo, muita gente trocou o jegue pela moto para se locomover com mais conforto, rapidez e economia. 

Resgate rápido

Em Recife (PE), as motos são muito utilizadas em atendimentos do Samu Foto: Divulgação Prefeitura da Cidade de Recife

Muitos agentes de saúde adotam a motocicleta para prestar um pronto atendimento eficiente e dinâmico. Vale destacar o trabalho realizado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que, com suas motos, consegue chegar rapidamente ao local do acidente e salvar muitas vidas. 

Em prol da segurança

A motocicleta também é muito útil para garantir a segurança de muitos cidadãos. Da Guarda Civil à Polícia Militar, as forças de segurança se beneficiam da agilidade das motos para atender a ocorrências e perseguir criminosos. Até mesmo o Corpo de Bombeiros se utiliza da moto para salvamentos ou chegar com mais rapidez aos locais e focos de incêndio.

As motos ainda estão presentes no Exército e na Polícia do Exército para  escolta de autoridades brasileiras e estrangeiras.

Na iniciativa privada, os vigilantes particulares nas ruas – o famoso guarda noturno – e segurança particular são outros serviços prestados com a ajuda de motos.

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