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Mobilidade para quê?

Na valorização imobiliária, tudo se resume a localização, localização e localização

Professor examina aspectos que fazem da Avenida Faria Lima uma localidade tão cobiçada

2 minutos, 2 segundos de leitura

21/09/2019

Por: Luiz Guilherme Rivera De Castro

Fachada de edifício espelhado em área nobre da capital paulista. Na lateral direita, quatro homens fazem manutenção predial.
As diferentes localizações são produtos de processos sociais complexos e sua importância relativa e seu status; podem mudar de muitas maneiras. Foto: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

É lugar comum dizer que os três principais fatores responsáveis pela valorização imobiliária são: localização, localização e localização. As localizações urbanas podem ser compreendidas pelo menos em três sentidos: acesso a facilidades existentes de comércio e serviços, equipamentos e espaços públicos; acesso às infraestruturas de mobilidade; e em relação aos bairros vizinhos. Se examinarmos esses aspectos, no fim da década de 1960, quando a Avenida Faria Lima foi concebida, havia uma potencialidade enorme de desenvolvimento imobiliário, que acabou se concretizando nas décadas seguintes.

As diferentes localizações são produtos de processos sociais complexos e sua importância relativa – e seu status – podem mudar de muitas maneiras. Em São Paulo, a partir dos anos 1970, houve uma inflexão no processo de reprodução cumulativa do centro, ou seja, o centro tende a não mais crescer sobre si mesmo. Novas centralidades de comércio e serviços considerados como superiores começaram a surgir. O deslocamento dessas atividades – com o esvaziamento relativo do centro – deu-se na direção das áreas de concentração de moradias da população de mais altas rendas, predominantemente no setor sudoeste da cidade, como já apontava o arquiteto e urbanista Flávio Villaça. Foi o que ocorreu primeiro com a Avenida Paulista, depois com a Faria Lima e, mais recentemente, com as regiões da Berrini, Chucri Zaidan e Marginal do Pinheiros.

A Avenida Faria Lima corresponde a uma fase intermediária de diferenciação e deslocamento de centralidades, com a tendência de localização de empresas de ponta no setor de serviços, vinculadas ao presente estado de globalização da economia. Mas também é área altamente valorizada para uso residencial. Ações do poder público tiveram papel fundamental na criação dessa centralidade, com os investimentos feitos na avenida e a mudança nos índices de uso e ocupação do solo promovida pela Operação Urbana Faria Lima, em vigor desde o fim dos anos 1990. Essa concentração por sua vez tende a atrair atividades semelhantes ou de suporte para a região, sendo responsável pela sua atual ocupação e por seu status – consequentemente pelos altos valores imobiliários que ali encontramos.

É PROFESSOR E PESQUISADOR DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE.

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