Mobilidade para quê?

O futuro das cidades também passa pelos estacionamentos

Ao migrar para os estacionamentos, fluxos de atividades e pessoas em torno de serviços essenciais são reorganizados

2 minutos, 39 segundos de leitura

11/05/2021

Soluções já implantadas em várias partes do mundo mostram como estacionamentos são aliados a cidades mais tranquilas, eficientes, conectadas e em movimento. Em grandes centros urbanos, muito além de guardar carros com segurança, esses espaços estão oferecendo opções para incentivar o uso de outros veículos, como bicicletas, e aproveitando suas localizações estratégicas para servir de armazéns de mercadorias

Ao migrar para os estacionamentos, fluxos de atividades e pessoas em torno de serviços essenciais são reorganizados. Vias públicas são liberadas, reduzindo a poluição visual e sonora. Em Paris, por exemplo, onde existem mais de 2 milhões de metros quadrados destinados a vagas subterrâneas para carros, plataformas abaixo do nível da rua servem também a caminhões e veículos elétricos usados para abastecer o comércio local e fazer entregas na região. E câmaras frias foram criadas para manter os produtos frescos até chegarem mais rapidamente ao consumidor.

Para o motorista que deseja desacelerar e completar partes de um trajeto pedalando, centenas de vagas em Paris, Estrasburgo e Antuérpia são reservadas para bicicletas – de modelos elétricos a cargueiras. Uma série de comodidades é disponibilizada para motoristas e ciclistas. Na França, assinaturas mensais, que custam o mesmo para qualquer modelo de bicicleta, dão acesso a área exclusiva e local para recarga de baterias.

Alternativas mais sustentáveis

Com esse modelo de estacionamento, o estímulo à multimodalidade é realidade em diversos países. Neles, a infraestrutura funciona não só para otimizar a entrada e saída de carros mas também para aproximar a população de alternativas mais sustentáveis, fazendo uso de ferramentas digitais, tecnologia de monitoramento, novos modais de mobilidade e fontes de energia alternativa.

No Brasil, a oferta de estações de recarga para veículos elétricos está crescendo, incentivada pelas operadoras dos estacionamentos e com a chegada de novas versões de automóveis. Uma iniciativa de aluguel de carros elétricos está disponível em arenas de eventos e hospitais em São Paulo, unindo a inovação dos veículos recarregáveis à tendência da mobilidade compartilhada.

Com o aumento da demanda por economia limpa e tecnologia, novos modelos de estacionamento subterrâneos incluem diferentes níveis que podem ser destinados a abastecimento hídrico e energético, instalações de equipamentos tecnológicos, integração com prédios e transporte público, espaços culturais e oficinas para manutenção de veículos, conforme propõe o estudo Inventando o Estacionamento do Futuro, do Grupo Indigo e da DPA-X.

Prova de que o segmento está alinhado às demandas atuais, em 2021 foi lançado um programa de responsabilidade social, para os próximos três anos, envolvendo 14.500 profissionais de estacionamentos, públicos ou privados, operados pelo grupo que atua no setor em 11 países e 750 cidades. Entre as metas, está a redução na emissão de carbono e a transição para a mobilidade leve. O objetivo, em conjunto com todos os atores que pensam e conservam a cidade, é também viabilizar espaços mais sustentáveis.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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