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Pedágios caminham para sistema de cobrança por quilômetro rodado

Valor será determinado a partir de câmeras, sensores e antenas instalados em diferentes pontos da rodovia

4 minutos, 40 segundos de leitura

28/04/2022

Por: Mário Curcio

Daqui a alguns anos, as praças de pedágio (e seus tradicionais congestionamentos) serão lembranças do passado. Foto: Getty Image

A forma de cobrança pelo tráfego em rodovias passará por uma grande mudança. As praças de pedágio darão lugar a pórticos dotados de câmeras especiais, sensores e antenas capazes de operar até mesmo em condições muito ruins de visibilidade como neblina e chuva. Esses equipamentos estarão nos acessos e em diferentes pontos da rodovia e serão capazes de identificar o veículo a partir das placas ou de uma tag como aquelas para cobrança automática de pedágio. A quantia a ser paga será definida pelos quilômetros percorridos, não mais pela quantidade nem valor dos pedágios.

Chamado free flow (do inglês fluxo livre), o sistema passa por testes piloto, como na rodovia paulista Ayrton Senna, e já tem a implantação prevista na Via Dutra em 2025 e também no trecho Norte do Rodoanel, cuja conclusão deve ocorrer também para 2025.

“No trecho Norte, o modelo de concessão já prevê a utilização dessa forma de cobrança”, afirma João Otaviano Machado Neto, secretário estadual de Logística e Transporte da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Ele afirma que o sistema de verificação e cobrança tem três componentes principais: os pórticos, a infraestrutura de transmissão dos dados e os processadores dessas informações.

“Vale lembrar que a leitura das placas implica o reconhecimento de padrões diferentes, como a cinza e as mais novas do tipo Mercosul. E os pórticos precisam também de leitores transversais, capazes de contar os eixos e também reconhecer aqueles que estão suspensos. E o sistema de transmissão de dados tem de ser muito mais robusto por conta da LGPD”, recorda o secretário estadual, referindo-se à Lei Geral de Proteção de Dados. “Ainda é uma fase de estudo, é preciso uma modelagem adequada para implantação do sistema”, lembra o secretário. Também não se sabe o valor médio a ser praticado por quilômetro.

Para o superintendente de Operações da Veloe, Alexandre Fontes, o maior problema não está na tecnologia a ser aplicada: “O grande desafio está em buscar alternativas ao risco de inadimplência. Nesse ponto será preciso a ajuda do governo federal, das concessionárias de rodovias e também das empresas especializadas em fiscalização eletrônica. É um projeto bastante desafiador.”

Em princípio, quem tiver uma tag instalada no veículo para cobrança automática continuará recebendo suas faturas mensais. Mas ainda não estão definidos os prazos e a forma de pagamento quando a cobrança for gerada pela imagem da placa do veículo que circulou pela via sem nenhuma tag. Em princípio a fatura será enviada ao endereço de registro do veículo, como ocorre com uma infração de trânsito.

Fim das praças e desemprego

O free flow tende a acabar com as praças de pedágio, mas ainda não é possível estimar um prazo para isso: “Talvez dez, 15 anos, isso vai depender de fato dos resultados dos primeiros projetos implantados, de como vão ‘performar’, da inadimplência”, pondera Fontes, da Veloe.

Paulo Resende, professor de Logística, Transporte e Planejamento de Operações e Supply Chain da Fundação Dom Cabral, recorda que o conceito free flow está ligado não só à fluidez do tráfego e à cobrança mais justa para o usuário: “Reduzir custos está entre os objetivos principais.”

Isso implica eliminação das praças de cobrança e também de empregos. “Essa é de fato uma preocupação que temos e estamos avaliando todas as questões, mas ainda não há um modelo definitivo”, afirma o secretário Machado Neto, da Artesp. Outro ponto que ditaria o fim das praças seria a renovação dos contratos de concessão das rodovias que ainda não preveem a nova forma de cobrança.

Como são os testes na Rodovia Ayrton Senna

Por intermédio da Artesp e da concessionária Ecopistas, o governo do Estado desenvolve o projeto piloto do primeiro pedágio free flow do Brasil. Nesta fase inicial estão ocorrendo testes de desempenho de um conjunto de equipamentos para captação de imagens e dados instalado no quilômetro 31,5.

Os aparelhos permitem a identificação do tamanho, categoria e quantidade de eixos dos veículos que transitam por esse trecho, mas ainda sem a cobrança pelo novo sistema.

O pagamento para quem passa por ali continua ocorrendo numa praça pouco à frente, no quilômetro 32. Segundo a Artesp, os dados captados nesse pórtico vão gerar um estudo. O teste piloto servirá de base para a expansão do uso desses equipamentos no Estado, inclusive no trecho Norte do Rodoanel.

As câmeras colocadas nos pórticos usam a tecnologia Optical Character Recognition (OCR), que permite o reconhecimento óptico de caracteres. Elas fazem a leitura das imagens frontais e traseiras das placas. Os pórticos recebem também um scanner a laser que faz a identificação e o dimensionamento do veículo, capturando altura, largura, comprimento, trajeto e velocidade, seja um carro, moto, caminhão, ônibus ou outro veículo.

As antenas de identificação de TAGs e as câmeras de monitoramento complementam as informações, que são enviadas para um sistema central, responsável por receber e processar todos os dados e, por fim, calcular a tarifa de acordo com a distância percorrida.

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