Mobilidade para quê?

Um improvável Fusca 1972 elétrico

Inconformada com os preços do mercado, a engenheira eletricista Aline Gonçalves Santos resolveu produzir o seu próprio modelo

2 minutos, 59 segundos de leitura

15/12/2020

Por: Patrícia Rodrigues

fusca 1972 elétrico
Aline Gonçalves e seu Fusca elétrico: o veículo necessita de oito horas na tomada para ser carregado e pode rodar cerca de 50 km a 50 km/h. Foto: Acervo Pessoal

Um fusca 1972 elétrico? Sim, ele existe e hoje você vai conhecer sua história! Desde os tempos de graduação, a engenheira eletricista Aline Gonçalves Santos, 33 anos, sonhava em empreender. Depois de anos atuando na indústria e na construção civil, em 2015, a capixaba de Vila Velha, diretora na Associação Brasileira de Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei), deu os primeiros passos na realização desse sonho, unindo-o a outros igualmente importantes para ela: a sustentabilidade e o meio ambiente.

Nasceu, assim, a Solar Maxxi, voltada para a energia solar fotovoltaica. “Não queria só vender painéis; meu objetivo era fazer a diferença no mercado”, conta. “Em uma das minhas pesquisas, eu soube de um projeto, na Noruega, de um posto de abastecimento para veículos elétricos cujos painéis eram totalmente automatizados para ‘acompanhar’ o Sol e gerar o máximo de energia possível”, recorda. 

Paixão por um elétrico

Aline viu ali uma grande oportunidade, não só na questão dos painéis mas na geração de empregos e na disseminação de modais sustentáveis. “Fiquei apaixonada pela ideia de ter um veículo elétrico e usufruir de tantos benefícios, especialmente se comparados aos modelos convencionais, tanto em relação a meio ambiente, manutenção e vida útil quanto pela liberdade de poder ser abastecido por uma tomada caseira”, lembra. “Mas, quando procurei no Brasil, estava em torno de R$ 230 mil o único modelo disponível, algo totalmente inviável para a população brasileira comprar, mesmo com tantas vantagens.”

Apaixonada por tecnologia, Aline resolveu pôr a mão na massa para criar seu próprio veículo, estudando incessantemente para identificar os componentes para criar um motor elétrico – naquela época, ainda não existiam os kits para conversão como hoje. Ela investiu cerca de R$ 100 mil reais para comprar e reformar um Fusca 1972 – o popular mais famoso que ainda vive na memória de muita gente –, mantendo-o conforme as características originais e, com peças totalmente nacionais, ela produziu, em 2018, o seu tão sonhado elétrico. 

“Meu objetivo é provar que pode ser uma alternativa à importação, mostrando que a economia local tem condições de oferecer esses materiais e insumos”, explica. “Por mim, teria produzido até a bateria, mas, como queria meu carro andando logo, acabei optando pela importada. Pela questão da segurança para um projeto artesanal, fiquei com a versão mais cara de lítio (LiFePO4), que, na época, custou cerca de R$ 33 mil.”

Digitalização e compartilhamento

Para uso urbano, o Fusca elétrico da engenheira – que necessita de oito horas na tomada para ser carregado e pode rodar cerca de 50 km a 50 km/h – foi o primeiro passo para lançar a startup VEB, que, a princípio, tinha o objetivo de transformar outros veículos movidos a gasolina/etanol em versões elétricas, graças a essa tecnologia, que pode ser replicada. “Porém, cada modelo exige um projeto totalmente personalizado.”

Mas a ideia foi – por enquanto – deixada de lado para ir além: com base no apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), a startup recebeu um aporte de R$ 60 mil para investir na digitalização do projeto. O processo consiste no desenvolvimento de um aplicativo para o compartilhamento do Fusca, que deve ter, ainda, outras funcionalidades, como a abertura do veículo, o monitoramento do nível de bateria, rastreamento e trajeto percorrido. 

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