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Inovação

Brasil, o país dos elétricos?

Ficaremos lado a lado com as economias desenvolvidas e nos tornaremos uma referência verde? Potencial para isso, nós temos

3 minutos, 41 segundos de leitura

05/01/2022

carro elétrico
Foto: Getty Images

“Já está definido, todos os nossos carros serão 100% elétricos”. A declaração recente do CEO global da Jeep, Christian Meunier, é importante. Se a marca icônica, que representa o espírito de um motor a combustão como poucas, já decidiu que vai se tornar elétrica, é bem provável que esse seja, de fato, um caminho sem volta para a indústria automobilística. 

O posicionamento da Jeep faz coro com outras vozes, como a da Renault, que também pretende que 90% de seu portfólio seja de carros totalmente elétricos até 2030, na Europa. 

A União Europeia, por sinal, promete zerar a emissão de carros movidos à combustão até 2035. A Alemanha é ainda mais ousada. Prevê que, a partir de 2030, 100% dos veículos que circularão em suas cidades serão elétricos. 

Os compromissos assumidos pelas grandes potências mundiais em descarbonizar suas economias nas próximas décadas atingem em cheio a indústria de veículos — responsável por um dos grandes vetores de emissões nessa equação. 

Mas o que isso tem a ver com o Brasil? Muito, para não dizer tudo. Somos um dos países do mundo mais apaixonados por carro, com uma frota super nova e consumidores historicamente early adopters (que adotam inovações antes das demais pessoas).

Precisamos assumir o compromisso de combater o aquecimento global reduzindo nossas emissões. Mas, ao mesmo tempo, se abre uma oportunidade imensa de crescimento para a nossa economia. 

Em todos os exemplos ao redor do planeta, ficou claro que o sucesso da eletrificação de carros e motos passa por um ponto estrutural fundamental: a rede de abastecimento. Ou seja, para viabilizar os veículos elétricos em larga escala, a rede de abastecimento precisa ter cobertura nacional e um método conveniente. 

O consumidor só vai considerar um elétrico, de fato, se ele puder rodar muitos quilômetros sem a preocupação de ter que parar seu veículo por horas, em casa ou em um ponto raro de abastecimento. Seja na sua cidade, ou viajando. 

E no país que é referência em geração de energia limpa e renovável? As matrizes hidrelétricas, solar e eólica têm tudo para jogar a favor da gente! 

Mas arrisco dizer que nosso dever de casa está atrasado

Essa oportunidade vai se materializar como vantagem, desde que o Brasil corra para se estruturar. E quando falo Brasil, me refiro a poder público, montadoras, marcas, concessionários, varejistas, pesquisadores e startups. 

A Gogoro, empresa tech taiwanesa, por exemplo, apresenta uma solução fundamental para que as motos elétricas sejam realidade na cidade. Com pontos de troca, os motociclistas podem consultar o mapa pelo celular, parar na estrutura mais próxima, encaixar a sua bateria descarregada, e retirar uma bateria carregada. Tudo em tempo real. 

É o abastecimento as a service, você não precisa mais pagar para abastecer, basta assinar um plano mensal. E o melhor, o seu ponto de abastecimento não depende de um posto de gasolina. Pode estar na conveniência do posto, no estacionamento do shopping, no parque, no supermercado, na academia, na concessionária. E o principal, no modelo 24×7. 

Nossos números ainda são tímidos. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo elétrico (ABVE), no primeiro semestre de 2021 (janeiro a junho), os 732 veículos 100% elétricos (BEV) comercializados no Brasil representaram apenas 0,07% das vendas totais no período. 

Para dar uma ideia, na Europa, os BEV superaram os 8% de marketshare. Só Alemanha (11%), Holanda (11%) e Suécia (16%) emplacaram elétricos puros. E na China, as vendas de veículos BEV superaram os 13%. 

Já passou da hora de o nosso País se posicionar como potência verde. Por que não parar de perder tempo — e, literalmente, desperdiçar energia — com discussões que não importam mais, e não traçar um plano consistente e moderno para muito além dos próximos quatro anos? 

Temos uma das maiores oportunidades de liderar a revolução da nossa indústria. Todas as peças já estão disponíveis. Falta vontade, pragmatismo e trabalho para encaixar cada uma. 

Seremos um país de veículos elétricos? Ou vamos engolir poeira e continuar despejando CO2? Chegou a hora de responder.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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