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Embaixadores

Raquel Cardamone

CEO da Bright Cities

Mobilidade para quê?

Cidades conectadas, deslocamentos mais livres

Em Helsinque, na Finlândia, passageiros utilizam um único aplicativo para se planejar e pagar por todas as viagens, sejam elas via transporte público, sejam compartilhadas

17/11/2020 - 3 minutos, 0 segundos


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As cidades inteligentes estão de olho em um futuro sem congestionamentos, que afetam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. E, para requalificar o deslocamento nas grandes metrópoles, iniciativas apostam na tecnologia. Analisando o cenário global, despontam três principais tendências para cidades mais democráticas, sustentáveis e inteligentes.

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Pagamentos integrados 

Imagine atravessar a cidade utilizando diferentes modais públicos ou compartilhados com um único meio de pagamento. Essa é uma das frentes em que as carteiras digitais e o Pix estão se organizando para atuar. 

Para além de viabilizar pagamentos digitais e instantâneos, incluindo 46 milhões de brasileiros ‘desbancarizados’, os novos recursos prometem integrar o pagamento de serviços de transporte, sejam públicos, sejam compartilhados sob demanda. 

Com isso, os operadores de transporte conseguirão baratear o processo de venda de créditos e usuários ganharão flexibilidade e rapidez no pagamento das viagens e mudança de modais. Em um futuro próximo, será possível liberar a catraca de ônibus ou metrô aproximando um QR Code no celular, por exemplo. 

Mobilidade como serviço

A cultura do compartilhamento fez crescer as opções de transporte nas cidades. Mas serviços sob demanda significam mais aplicativos no celular e mais consumo de dados, fatores que dificultam a entrada de novos consumidores, especialmente os de baixa renda.

De olho nisso, o conceito de Mobility as a Service (MaaS, ou mobilidade como serviço) é uma alternativa para que diferentes prestadores de serviço de transporte operem em uma mesma plataforma. 

Um caso interessante de MaaS ocorre em Helsinque, na Finlândia. Passageiros utilizam um único aplicativo para se planejar e pagar por todas as viagens, sejam elas via transporte público, sejam compartilhadas. Os planos são mensais ou sob demanda, integrados em uma conta de pagamento vinculada ao serviço. Em contrapartida, os operadores que trabalham na bilhetagem aberta compartilham informações para fomentar o planejamento urbano. 

Novas formas de financiamento do transporte público

Com a pandemia e a queda no número de passageiros, buscar alternativas de financiamento para o transporte de massa se tornou algo primordial no mundo todo.

Segundo o site Mobilize, no Brasil, praticamente toda a receita do transporte coletivo vem das tarifas pagas pelos passageiros. Enquanto isso, em países da Europa e América do Norte, é comum governos bancarem a quase totalidade desses valores. Mas, mesmo nesses casos, gestões públicas buscam diferentes alternativas para financiar o serviço. A França cobra uma taxa de transporte das empresas. Barcelona e Nova York destinam parte dos impostos sobre propriedades para o financiamento do transporte público.

Taxar veículos particulares individuais que circulam por perímetros urbanos de grande fluxo e criar fundos que financiam o sistema público são uma prática adotada por cidades como Londres e Cingapura. Na mesma linha, a taxação de aplicativos de carros compartilhados já está na mira de vereadores brasileiros como uma saída para o gargalo do transporte. 

Focada em cidades inteligentes, a Bright Cities é uma startup que cria diagnósticos e um roteiro de soluções para que qualquer município possa identificar prioridades e implantar sistemas de modo a enfrentar seus principais desafios, inclusive na área de mobilidade. O tema corresponde a 30% das mais de mil soluções cadastradas em nosso banco de dados. Aracaju (SE), Curitiba (PR), Campinas (SP) Cataguases (MG), Juazeiro do Norte (CE) e Tubarão (SC) têm recorrido à plataforma para dar mais fluidez às vias, entre outras melhorias.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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