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Descarbonização no transporte deve custar  US$ 2 trilhões até 2040  

Parceria entre Ministério da Infraestrutura e BID vai definir caminhos para eletrificação no transporte

3 minutos, 55 segundos de leitura

29/06/2022

Por: Ju Cabrini

Transição energética são as palavras-chave, porque não vamos mudar de um dia para o outro. Foto: Getty Images

Como se sabe, há inúmeros desafios para que o País possa viabilizar a mobilidade elétrica. Infraestrutura e políticas públicas são os principais dificultadores, nos dias de hoje; porém, só não estava claro, ainda, o tamanho do investimento financeiro que necessita ser feito.

Na última semana, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou uma parceria de US$ 1,6 milhão em cooperação técnica (empréstimo não reembolsável) com o Ministério de Infraestrutura brasileiro. A iniciativa será financiada com recursos do Programa de Infraestrutura Sustentável do Reino Unido (UKSIP), e tem como objetivo ajudar a implementar tecnologias e marcos regulatórios que permitam a redução nas emissões de gases de efeito estufa do setor de transporte.

Nesta entrevista, Ana Beatriz Monteiro, coordenadora da carteira de transportes do BID no Brasil, fala sobre essa cooperação, projetos em andamento, entre outros temas.

Para Ana Beatriz Monteiro, a transição energética não vai acontecer de forma alinhada. Foto: Divulgação BID

No que consiste a cooperação técnica com o Ministério de Infraestrutura?

Ana Beatriz Monteiro: A assinatura dessa cooperação técnica vai ajudar o País a traduzir os compromissos, firmados no Acordo de Paris, em 2016, em planos e ações concretos para promover a transição energética e consequente descarbonização da frota. Transição energética são as palavras-chave, porque não vamos mudar de um dia para o outro; tem que planejar e buscar diferentes caminhos.

Qual é o ponto de partida?

Ana Beatriz: Só para atualizar a infraestrutura para a descarbonização do transporte, o Brasil precisa investir US$ 110 bilhões, por ano, até 2040 – um total de quase US$ 2 trilhões de investimento, ao longo dos próximos 18 anos. Nesse projeto de cooperação, vamos planejar para que essas ações aconteçam de forma sustentável. O conhecimento do banco, que atua em 26 países em diversos setores, vai ajudar muito no intercâmbio de informação. É preciso desenvolver um marco regulatório do transporte e da logística.

Como será o acompanhamento do projeto?

Ana Beatriz: Será um trabalho realizado muito de perto com o ministério. O BID conta com uma equipe técnica e é responsável pela execução. Temos nossos especialistas, mas, se necessário, contratamos consultores. Faremos reuniões e acompanhamento das metas por meio de uma Matriz de Resultados. Essa é a grande diferença do BID e dos bancos multilaterais. Trabalhamos juntos; e, no caso de financiamentos, nossos juros são menores, porque existe uma contrapartida voltada para o desenvolvimento.

De que forma a experiência internacional do banco pode auxiliar?

Ana Beatriz: Você não imagina a quantidade de conhecimento gerado ao acompanhar um projeto, na prática. A descarbonização é um tema multidisciplinar e colaborativo. Existe muita troca entre os setores de energia, mudanças climáticas e sustentabilidade, ESG (meio ambiente, social e governança), PPPs (parcerias público-privadas) e mercado de capitais para o financiamento verde, por exemplo.

A transição energética, no Brasil, acontecerá de que modo?

Ana Beatriz: Não vai ocorrer de forma alinhada. Veja o exemplo de São José dos Campos (SP), que já está investindo, por conta própria, em infraestrutura e ativos. Eles seguem o modelo de negócio com custos separados entre a operação e a aquisição dos ativos, como é feito em Santiago do Chile e Bogotá.

Já Curitiba (PR) começou com financiamento para a infraestrutura da linha Inter II, mas ainda não definiu a operação. Sabemos que o contrato de concessão para operação dos ônibus termina em 2025, e um novo modelo deverá ser pensando.

Quais projetos de eletrificação são apoiados pelo BID?

Ana Beatriz: O Banco desenvolve vários projetos com o governo federal e com os Estados. Em Santa Catarina, por exemplo, já existe um estudo de pré-viabilidade de embarcações a diesel e outro em andamento para embarcações elétricas para viabilizar o transporte aquaviário em Florianópolis, em alternativa ao uso do sistema de ponte. Em São Paulo, atuamos no projeto Trem entre Cidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas, e, de acordo com informações públicas, terá início ainda neste ano.

E, na América Latina, o que está em andamento?

Ana Beatriz: Atuamos no financiamento de duas linhas de trem em Buenos Aires. Fui até lá em novembro de 2019, e posso garantir que temos os mesmos problemas. Um dos principais é o fato de a ferrovia ser antiga e passar ao lado das casas. Temos muitas lições para aprender com eles.

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