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“Eletrificação é o nome do jogo”

Diretor da BMW revela como a montadora alemã está se preparando para o novo cenário da eletromobilidade mundial

5 minutos, 38 segundos de leitura

08/06/2022

Por: Mário Sérgio Venditti

fábrica da bmw
Fábrica da BMW na Alemanha, que produzirá células de última geração. Foto: Divulgação BMW

A BMW está levando muito a sério o projeto de eletrificação de seus automóveis. No Brasil, ela promete oferecer, até o fim do ano, cinco modelos eletrificados, investe na instalação de eletropostos, faz treinamentos com os concessionários e, na Alemanha, vai inaugurar uma fábrica de células de última geração para as futuras baterias.
Para Emílio Paganoni, gerente sênior de treinamento do BMW Group Brasil, a eletromobilidade é uma realidade cada vez mais forte no universo do consumidor, que tem interesse crescente pelo assunto, embora ainda seja embalado por alguns mitos. Os automóveis são tecnológicos e caros, mas ele acredita na redução dos valores na medida em que a produção em escala crescer. Paganoni concedeu a seguinte entrevista ao Mobilidade

emilio paganoni
Paganoni acredita na redução nos valores dos automóveis assim que a produção em escala aumentar. Foto: Divulgação BMW

A BMW anunciou que terá cinco modelos eletrificados à venda no Brasil em 2022. Não é uma aposta alta no segmento?

Emílio Paganoni: O projeto de eletrificação dos carros da BMW é ambicioso e vai englobar parte do nosso portfólio. Esse mercado está em desenvolvimento no País e, com ele, vem a reboque uma cultura sobre o assunto: estações de recarga, preparação das concessionárias e a explicação ao usuário de como funciona esse automóvel. Existe, ainda, muita coisa a ser desmistificada, como a energia renovável, a infraestrutura necessária e a ansiedade do consumidor sobre a autonomia da bateria.

Ainda existe o receio de ficar no meio do caminho com o carro sem bateria?

Paganoni: Quem compra um veículo elétrico tem a preocupação se vai chegar ao destino sem susto. Ele ainda faz perguntas do tipo: “Devo usar o carro só na cidade?”, “Como faço para recarregar a bateria durante uma viagem?” É por isso que todos os detalhes precisam ser bem esclarecidos. Não à toa, o investimento em treinamento de venda e pós-venda feito pela BMW requer tempo e paciência. Vivemos um momento de transição, semelhante ao que ocorreu durante a mudança de tração a cavalo pelo motor a combustão.

A BMW defende a ideia de que as montadoras têm a missão de investir em pontos de recarga?

Paganoni: Atuaremos no que for possível para avançar na estrutura de recarga. Já participamos da instalação de estações na Rodovia Presidente Dutra, em parceria com a EDP, e temos a intenção de seguir investindo até que o Brasil tenha 5 mil pontos, espalhados em postos de serviço, supermercados, lojas de conveniência nas estradas e, claro, nas concessionárias.

Quais são os destaques da BMW no caminho da eletromobilidade?

Paganoni: Destaco o BMW iX, que está chegando ao Brasil (confira reportagem completa e vídeo produzido pela equipe do Jornal do Carro). Ele possui dois tipos de carregador: o wallbox e o Flexible Fast Charger – aparelho portátil e três vezes mais rápido que o carregador normal. A versão xDrive 40 tem capacidade superior a 70 kWh e 50% de sua carga é recomposta em cerca de 40 minutos. Todos os nossos produtos eletrificados, porém, são exemplos do que há de mais moderno no segmento.

Hoje, é possível uma concessionária sem o treinamento atender o dono de um veículo elétrico?

Paganoni: A qualificação é fundamental. Nossas concessionárias passam por treinamento desde 2014. Embora o motor do veículo elétrico seja mais simples, existem importantes padrões de procedimento de segurança, porque estamos lidando com alta voltagem. Hoje, 100% dos nossos técnicos são HVT, ou seja, técnicos de alta tensão. Os executivos de vendas também fazem o curso. Estamos falando de uma nova cultura. Uma das grandes dúvidas do consumidor diz respeito à bateria: se ela tiver algum problema, é preciso trocá-la totalmente? Não, basta avaliar cada módulo do conjunto e substituir o que está com problema. Ou seja, todos os detalhes devem ser assimilados. 

Os carros híbridos dividem opiniões, pois algumas marcas acham que são uma transição para o elétrico e outras não concordam. Qual é a visão da BMW?

Paganoni: Os híbridos fazem parte da eletrificação da indústria automotiva. Nada menos do que 1.800 cidades no mundo assinaram o acordo por menos emissões de carbono, que tem metas rígidas, até 2035. Nessa transição, o híbrido ocupa papel importante e caminha par e passo com os modelos 100% elétricos. A BMW trabalha com várias tecnologias para atender seus clientes. A vantagem de um híbrido plug-in, como o BMW 330, é a autonomia. Ele é capaz de rodar quase 30 quilômetros por litro. Como desprezar um veículo com essa capacidade?

Quando o consumidor poderá ver a redução nos preços dos carros eletrificados?

Paganoni: O amadurecimento da parte tecnológica trará ganho de escala e, consequentemente, preços menores. O segmento está em evolução – cada vez mais usuários se interessam por ele. E esse mercado tem outras frentes, como compartilhamento, aluguel e assinatura de carro, que se apresentam como ótimas opções de mobilidade urbanas.

Qual é o objetivo de a BMW produzir células na Alemanha?

Paganoni: Quanto mais as células evoluírem, melhor para os carros e para sua posterior utilização. Logo chegará o momento em que os usuários usarão a bateria em sua segunda vida, antes da reciclagem. A BMW já firmou parceria com a Tupi para reciclagem dos componentes, na qual é possível recuperar quase 100% do material. Ele é tratado adequadamente e enviado, de novo, à linha de produção. 

A seu ver, como caminha a política de eletromobilidade no Brasil?

Paganoni: Há grupos bem atuantes discutindo a eletromobilidade. A BMW está trabalhando lado a lado com a Universidade Federal de Santa Catarina para fomentar debates e iniciativas a respeito do tema. Já existem movimentos importantes, como criação de cursos de mecatrônica e políticas de eletrificação, como descontos de impostos e rodízios. Em paralelo ao lançamento de modelos, há muita coisa acontecendo. Hoje, eletrificação é o nome do jogo.


O motor a combustão vai acabar no Brasil?

Paganoni: Tirar de cena o motor a combustão levará tempo, até porque ainda existe tecnologia a ser explorada. Enquanto a propulsão elétrica não se populariza, ela casa melhor com os automóveis premium, devido ao elevado nível de tecnologia embarcado. Mesmo assim, se você for pensar bem, os automóveis elétricos são simples. O que faz a diferença é o sistema de gestão de baterias.

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