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Inovação

Futuro da mobilidade elétrica

“Nossas cidades estão preparadas para receber uma infraestrutura de carregamento de veículos elétricos?”

3 minutos, 59 segundos de leitura

20/07/2022

Sistemas integrados trabalham com tensões e correntes maiores para recarregar baterias de veículos elétricos. Foto: Divulgação Siemens

Indo direto ao ponto, sem rodeios: não, nossas cidades não estão preparadas para receber uma infraestrutura de carregamento de veículos elétricos. Ainda não estão, mas as perspectivas para avançar nesse sentido são muito mais positivas, observando alguns gargalos do presente.

Projetando um futuro no qual o percentual de carros elétricos seja crescente, veremos cenários nos quais os veículos serão abastecidos em locais diferentes dos habituais postos de combustíveis do presente. Carros de passeio poderão ser recarregados nas próprias residências, no local de trabalho do usuário e, eventualmente, na estrada, para as chamadas cargas de oportunidade, necessárias para completar uma viagem até o próximo carregamento completo.

Caminhões elétricos deverão ser recarregados nos próprios depósitos ou centros de distribuição, beneficiando-se também de carregamentos rápidos, ao longo do dia, enquanto realizam suas entregas. E os ônibus elétricos também deverão seguir rotina semelhante, sendo carregados durante a noite e recebendo pequenas cargas de oportunidade, durante o dia, nas paradas programadas.

Em qualquer um desses cenários, há desafios de infraestrutura a serem vencidos. Vejamos.

No caso dos carros de passeio, estruturas de carregamento em residências já são realidade em algumas cidades, mas é evidente que, atualmente, elas estão dimensionadas para um volume de carros elétricos ainda pequeno. À medida que essa proporção se altere, será preciso observar fatores como sistemas de proteção elétrica e contra incêndio nesses ambientes.

Desafios para o carregamento

Examinando a questão de caminhões e ônibus, surgem outros pontos de atenção. Carregar frotas é diferente de carregar um único automóvel. A ideia de simplesmente ‘ligar o veículo na tomada’ não se aplica quando pensamos em dezenas de ônibus ou caminhões. Efetuar esse carregamento durante a noite pode criar dois desafios de ordem estrutural.

Um deles é a necessidade de elevar a tensão em garagens, depósitos e centros de distribuição, passando de baixa para média tensão ou até alta tensão, a depender do volume. O outro é o próprio acesso à energia: carregar uma frota de veículos elétricos significa aumentar, exponencialmente, o consumo de energia. Antes de optar por essa mudança, frotistas precisam ter a certeza de que a concessionária da região terá capacidade para atender a esse aumento.

Como consequência desse incremento na parte elétrica das instalações, empresas de transporte, de carga ou de pessoas, e frotistas, em geral, precisarão aperfeiçoar suas estruturas, e já existem soluções moldadas para essa finalidade. Uma delas é a instalação de subestações compactas completas na própria garagem ou no depósito, viabilizando e otimizando o fornecimento de energia para o carregamento dos veículos.

A Siemens já dispõe de uma solução para essa finalidade, que engloba painéis de média e baixa tensão e transformador, provendo a conexão à rede elétrica em média tensão, atendendo a demandas de até 2,5 mW. A depender da quantidade de veículos a serem carregados, a estrutura será definida, com o volume de equipamentos adequado para o fornecimento.

Questão de espaço

Um desafio bastante comum em garagens e depósitos é o espaço reduzido. A imagem de um local desse tipo, com dezenas de veículos estacionados lado a lado, demonstra a importância de projetar soluções compactas para essa finalidade, e a solução padrão da Siemens também atende a esse requisito.

Ainda no aspecto da geração de energia para alimentar tais estruturas, projetos que considerem fontes eólica e solar nessa equação também podem ser viáveis, especialmente no Brasil, que apresenta excelente potencial nesse sentido. No entanto, dado ao desafio de pouco espaço nesse tipo de estrutura, a solução seria fazer o investimento em fontes renováveis, em locais mais distantes – porém, com disponibilidade de terreno –, despachando a energia gerada para a rede elétrica e compensando, assim, o uso ampliado na garagem ou no depósito.

Associada a esse panorama, surge a ideia do armazenamento de energia – por exemplo, por meio de baterias. Trata-se de outra solução viável que pode otimizar o consumo, gerenciando o uso de forma a beneficiar o projeto de tarifas flutuantes, nas quais o abastecimento se torna mais vantajoso em determinados horários do dia.        

O caminho pode até ser longo, mas as perspectivas são positivas: à medida que invista na infraestrutura para a mobilidade urbana, a sociedade estará pavimentando o caminho para cidades cada vez mais conectadas, inteligentes e sustentáveis.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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