Mobilidade para quê?

Moto elétrica que recarrega em 10 minutos será testada no Brasil

Parceria entre a Horwin Brasil e a CBMM cria bateria com nióbio que permiti recargas ultrarrápidas; protótipo com a tecnologia será apresentado neste primeiro semestre, com previsão de chegar ao mercado em 2024

3 minutos, 21 segundos de leitura

31/03/2022

Por: Arthur Caldeira

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Moto elétrica Horwin CR6 servirá como base do protótipo que será testado no País. Fotos: Divulgação/Horwin Brasil

O longo tempo de recarga e a baixa autonomia da bateria são os maiores obstáculos para a popularização das motos e scooters elétricas. Contudo, a Horwin Brasil, fabricante de motos elétricas de origem chinesa, e a CBMM, empresa especialista nióbio, se uniram para criar uma bateria com nióbio que promete resolver esses problemas e tornar mais viável o uso de uma moto elétrica, seja no dia a dia ou em viagens.

A parceria, assinada no início deste ano, vai testar uma bateria de íons de lítio com nióbio, que permite uma recarga ultrarrápida com segurança e sem prejudicar a vida útil do componente. O metal vai ser aplicado nos ânodos da bateria de íons de lítio na forma de óxido de nióbio que, por ser um elemento muito estável, permite operações mais seguras e eficientes.

“Além disso, devido à sua estrutura cristalina mais aberta, o que facilita a intercalação do lítio, permite a recarga total em menos de 10 minutos, sem causar danos à bateria”, explica Rogério Marques Ribas, gerente do programa de baterias da CBMM.

Bateria de íons de lítio com óxido de nióbio pode ser recarregada mais rapidamente e tem maior vida útil. Foto: Divulgação/CBMM

A tecnologia que será empregada na bateria da moto elétrica é resultado de mais de três anos de pesquisa e desenvolvimento da parceria entre a CBMM e a japonesa Toshiba Corporation, fabricante de baterias para veículos elétricos. Ribas acrescenta que, por suas características únicas, as baterias com nióbio apresentam mais segurança e uma vida útil muito maior do que as baterias atuais.

Testes feitos com a bateria com nióbio demonstram que ela é capaz de segurar até 80% da carga por mais de 10 mil ciclos. “As baterias mais antigas têm vida útil de 1.500 ciclos; as com fosfato de lítio ferro, chamadas LFP, duram 3.000 ciclos. Essa nova, com nióbio, dura muito mais e também reduz o problema com o descarte”, conclui o gerente do programa de baterias da CBMM.

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Modelo deve chegar ao mercado em 2024

Segundo a CEO da Horwin Brasil, Pricilla Favero, o protótipo deste projeto será apresentado ainda no primeiro semestre deste ano. Terá como base a motocicleta CR6 da Horwin, que tem motor de 6.200 W de potência e 150 quilômetros de autonomia.

“Nosso maior desafio foi criar um novo software de controle da bateria, já que ela tem outras características. Mas contamos com um time brasileiro altamente capacitado que está trabalhando nesse desenvolvimento”, explicou a CEO da Horwin Brasil.

Naked elétrica CR6 será base do protótipo que vai usar bateria com nióbio

“Trabalhamos para que, em breve, qualquer pessoa possa utilizar uma moto elétrica com carga ultrarrápida de até 10 minutos. Além do diferencial da recarga, as baterias com nióbio trazem benefícios significativos do ponto de vista de segurança e da vida útil, que permitem até 20 mil cargas com um nível de profundidade de descarga relativamente ampla, o que por si só já é o maior avanço para o segmento nos últimos tempos”, complementa Pricilla Favero.

A expectativa é que a nova geração da CR6 com a bateria com nióbio chegue ao mercado brasileiro em 2024. Para isso, a Horwin, que anunciou sua chegada ao Brasil no Salão Duas Rodas 2019, está estruturando uma planta fabril em Manaus (AM), onde montará seus cinco modelos, três scooters e duas motos elétricas.

Atualmente, a naked elétrica CR6 é vendida por R$ 43 mil. O modelo usa duas baterias Panasonic para alcançar a autonomia de 150 quilômetros. Com a nova tecnologia utilizando nióbio, com mais densidade energética e recarga ultrarrápida, a CR6 poderá ter apenas uma bateria. “Fizemos estudos e o uso da nova bateria com nióbio não deverá aumentar muito o preço do modelo para o consumidor”, finaliza a CEO da Horwin Brasil.

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