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Inovação

O futuro embarca nas linhas ferroviárias do Brasil

Consolidado em países pelo mundo, meio de transporte tem grande potencial de expansão no Brasil

3 minutos, 44 segundos de leitura

21/02/2022

transporte ferroviário
Veículo em teste no trecho entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, percurso de um passeio tradicional do Rio Grande do Sul chamado Maria Fumaça – Trem do Vinho, na Serra Gaúcha. Foto: Divulgação Marcopolo

O sistema ferroviário traz oportunidades de crescimento. Muito mais do que um meio eficiente para o transporte de cargas, os trens são fundamentais para o deslocamento de passageiros e considerados altamente eficientes para cidades que não têm condições de expansão e precisam evitar um colapso urbano.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as cidades devem abrigar cerca de dois terços da população mundial até 2050. Além disso, o número de megacidades – compostas por populações com mais de 10 milhões de pessoas – deve chegar a 43 até 2030, hoje são 33. Os dados reforçam a necessidade do crescimento planejado das cidades, com investimentos significativos em sistemas de transportes capazes de conectar as pessoas de um ponto a outro de maneira simples, rápida e eficiente.

No Brasil, a extensão de redes ferroviárias representa cerca de 30 mil quilômetros e, de acordo com o Plano Nacional de Logística 2035, é previsto um aumento da participação do sistema ferroviário no País em 30% nos próximos anos. Essa previsão reforça a necessidade de um estudo sobre as redes de deslocamento de passageiros, alinhadas às demandas das cidades e da população.

Ao falar de sistemas transportes, podemos destacar duas modalidades: as troncais, as linhas que operam nas principais vias das cidades e têm como origem e destino pontos de grande concentração de pessoas, como terminais; e as linhas alimentadoras, compostas por transportes que percorrem pequenos trajetos e redistribuem a demanda de passageiros pelos bairros.

A partir do momento que os modais assumem o seu papel com qualidade e passam a ser complementares, é possível melhorar a mobilidade das pessoas em seus deslocamentos diários. 

Na matriz de transporte brasileira, um dos fatores responsáveis pelo atraso dos sistemas ferroviários é a renúncia prematura aos trens e bondes para atender a uma política de expansão rodoviária, intensificada a partir da década de 1950, com o avanço da indústria automobilística. Em um modelo ideal de desenvolvimento planejado, poderíamos ter a expansão dos dois sistemas de maneira conjunta, sem perder eficiência e capacidade de transporte. 

Soluções ferroviárias 

Com o planejamento e a priorização do transporte coletivo de passageiros por parte dos governos, os modais ferroviários ganham protagonismo, aumentando a qualidade do serviço à população. O Chile é um bom exemplo sobre o bom aproveitamento do sistema ferroviário. Por meio de um projeto de expansão estratégico e planejado, o país investe em ferrovias que cruzam todo o território. 

Considerando o contexto de deslocamentos intercidades e turísticos, estão os modelos tracionados por locomotiva, chamados de passenger coaches, quando uma locomotiva fornece a energia necessária para deslocar os demais vagões, além dos multiple units, modelos que contam com composições de dois a seis carros, podendo apresentar diferentes opções de propulsão, incluindo versões híbridas ou zero emissões, todos alinhados ao desafio de um sistema de transporte mais sustentável e limpo. 

Paralelamente, outras oportunidades surgem para a mobilidade ferroviária no meio urbano, com os veículos leves sobre trilhos (VLTs), que apresentam vantagens como baixo custo de operação, longa vida útil e alta capacidade de transporte de passageiros. 

Atualmente, temos dois importantes cases de VLTs no Brasil: o sistema de Santos, que também atende São Vicente, abrange 15 estações e mais de 70 mil passageiros transportados diariamente, de acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Também o VLT carioca, que percorre do centro da capital do Rio de Janeiro até a zona portuária, conectando trens, ônibus, rodoviária e terminal de cruzeiros, com 29 estações, divididas em três linhas. No período pré-pandêmico, cerca de 110 mil passageiros utilizavam o sistema diariamente. Hoje, a circulação representa aproximadamente 50,55% deste montante, segundo dados da VLT Rio, da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Além dos esforços para modernizar a infraestrutura, o Brasil ainda é um potencial fornecedor na fabricação de trens, com indústrias nacionais aptas à produção local. A nacionalização da produção dos transportes ferroviários impacta diretamente a geração de empregos e garante soluções mais competitivas, dentro do cenário futuro de expansão do modal sobre trilhos no País. 

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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