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Embaixadores

Nuno Miguel Pinto

Head de mobilidade elétrica da EDP Brasil

Inovação

O mercado potencial da mobilidade elétrica no Brasil

Crescer no mercado brasileiro é um desafio continental. Atualmente, há pouco mais de 20 mil carros elétricos e híbridos em uma frota de 65milhões de veículos

30/10/2020 - 3 minutos, 6 segundos


mobilidade elétrica
Foto: Getty Images

Quando se fala em mobilidade elétrica no Brasil, duas ideias contrastantes vêm à mente: o enorme potencial de mercado, considerando o tamanho da frota; e o grande desafio de expandir esse segmento. Essas premissas me trouxeram ao País em 2017. Sou lisboeta e cheguei graças à EDP, multinacional do setor elétrico de origem portuguesa que colocou a expansão da mobilidade elétrica no Brasil como uma de suas prioridades. Meta ambiciosa, mas que pode se resolver com a união de diversos atores.

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A mobilidade elétrica consiste em um grande ecossistema com importantes players envolvidos, como montadoras, empresas de energia, fornecedores de soluções, startups, governos e, claro, o consumidor final. Pensar o Brasil como uma potência pode estar distante, mas as bases estão sendo montadas.

Corredor de 2.500 km

O setor está aquecido. No primeiro semestre, as vendas cresceram 221%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Além disso, a infraestrutura ganha reforço e os primeiros eletropostos da maior rede pública de recarga ultrarrápida do País vão ser entregues até o fim do ano. Serão 30 pontos de carregamento nas principais rodovias do Estado de São Paulo, interligando a infraestrutura já disponível de Santa Catarina até o Espírito Santo. Graças a ela, um corredor eletrificado de 2.500 quilômetros vai conectar Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória.

Temos a honra de encabeçar o projeto, junto com parceiros como Audi, Porsche, Volkswagen, ABB, Electric Mobility Brasil e Siemens. Mais uma iniciativa emblemática na criação de infraestrutura. Em 2018, inauguramos, na Via Dutra, ao lado da BMW, um corredor de recarga de 430 quilômetros conectando São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto possibilitou, pela primeira vez, viajar de carro elétrico com total autonomia entre as capitais mais populosas do País.

Desde que cheguei, a quantidade de players no ecossistema cresceu muito. Cada um deles ajudando, a seu modo, a amplificar o alcance dos elétricos. Iniciativas governamentais, como a Chamada Estratégica, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para o tema Mobilidade Elétrica, realizada em 2019, tendem a atrair ainda mais interessados.

Menos poluição e mais silêncio 

Crescer no mercado brasileiro é um desafio continental. Atualmente, há pouco mais de 20 mil carros elétricos e híbridos em uma frota de 65 milhões. Parece pouco, mas, em menos de dez anos, devem ser 2 milhões – com perspectiva de venda de 200 mil unidades por ano a partir de 2030. Vale lembrar que a China – maior mercado no mundo – possui em torno de 2,5 milhões de veículos elétricos.

Significa ainda chegar ao transporte público, pois os ônibus são os principais responsáveis pelas emissões de CO2. Há cerca de 500 mil em circulação no segmento que possui o maior potencial de benefícios socioambientais, retorno financeiro e oportunidades. Pense nas toneladas de CO2 que deixaremos de emitir e o silêncio quando tivermos ônibus elétricos em quantidade razoável nas ruas.

Fortalecer soluções de compartilhamento de carros por meio de aluguel, o carsharing, e promover a eletrificação de frotas corporativas, por exemplo, podem criar nichos de mercado, atraindo outros interessados e acelerando a adesão à mobilidade elétrica.

A estrada é longa, mas a largada já foi dada nessa corrida de vantagens. Para as empresas, novas oportunidades de negócio. Para a sociedade, cidades mais limpas e menos poluídas. Para os governos, redução de gastos com saúde. E, para o planeta, menos vulnerabilidade frente ao aquecimento global. E você, o que está fazendo pela mobilidade elétrica? Até a próxima parada.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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