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Ônibus elétricos são prioridade na descarbonização  

“A eletrificação permitiria cortar emissões, melhorar a satisfação dos passageiros e impulsionar a renovação ao setor.”

2 minutos, 58 segundos de leitura

27/04/2022

Menos de 1% da frota brasileira é composta por ônibus de baixa ou zero emissão. Foto: Getty Images

À medida que o aquecimento global impacta o planeta de forma mais contundente e frequente do que se previa, a mobilidade elétrica ganha visibilidade como uma das soluções de descarbonização nas cidades. Por onde começar? Na corrida por um transporte urbano menos intensivo em carbono, a tecnologia dos motores deve andar lado a lado com a priorização da mobilidade sustentável. Eletrificar os ônibus urbanos deve ser prioridade.

A crise do clima é também uma crise de desigualdade. Enchentes e deslizamentos têm mostrado que os mais pobres são mais vulneráveis aos impactos climáticos. A ação climática deve se dar sob uma perspectiva de justiça e inclusão, com investimentos que ampliem o acesso a oportunidades de forma sustentável, segura e resiliente.

No Brasil, o transporte é responsável por 40% a 60% das emissões de gases de efeito estufa, nas cidades, e concentra 45% do potencial de redução nas emissões urbanas até 2050, segundo estudo da Coalition for Urban Transitions. O caminho é investir em infraestrutura para caminhada e bicicleta, conectada a redes de transporte coletivo de baixo carbono – caso contrário, continuaremos presos em congestionamentos.

A rota da descarbonização passa, portanto, por acelerar a eletrificação do transporte público coletivo por ônibus. Menos de 1% da frota brasileira é composta por ônibus de baixa ou zero emissão, e não é novidade que o serviço atravessa uma crise financeira e de qualidade. A eletrificação permitiria cortar emissões, melhorar a satisfação dos passageiros e impulsionar a necessária renovação ao setor.

Renovar para prosperar

Mundo afora, essa renovação já começou. A cidade chinesa de Shenzhen eletrificou, em aproximadamente cinco anos, 100% de sua frota de mais de 16 mil ônibus. Mas não é preciso ir tão longe. A América Latina é, hoje, palco de uma disputa animadora. Santiago do Chile já adquiriu quase 1.800 ônibus elétricos, mais de 750 deles em operação desde 2021. No seu encalço, vem Bogotá, com 1.500 veículos em operação ou já licitados.        

Santiago e Bogotá trilharam caminhos semelhantes para viabilizar o alto investimento inicial: novos modelos de negócio, em que atores distintos realizam a compra e a operação dos veículos. No Brasil, São José dos Campos (SP) também experimenta: adquiriu 12 ônibus elétricos (https://mobilidade.estadao.com.br/mobilidade-para-que/sao-jose-dos-campos-inova-em-mobilidade-urbana/) com recursos do estacionamento rotativo, e iniciou processo para locação de 100% da sua frota elétrica. Outras cidades que deram os primeiros passos na eletrificação da frota são Curitiba, São Paulo, Salvador e Campinas.        

No médio prazo, os ônibus elétricos ‘se pagam’. Operação e manutenção tendem a ser mais baratas, e a tecnologia limpa melhora a qualidade do ar na cidade, beneficiando a saúde da população. Veículos mais modernos, confortáveis e silenciosos também melhoram a percepção dos passageiros sobre o serviço, e podem atrair novos clientes.        

Acelerar a eletrificação do transporte coletivo é parte importante de uma estratégia de retomada econômica que reduza desigualdades e alinhe o Brasil aos esforços globais. Não há mais espaço – nem tempo – para investimentos que não sejam resilientes e inclusivos. Ônibus elétricos representam uma ocasião favorável de renovação ao transporte coletivo, de melhoria no acesso a oportunidades e à saúde e ao desenvolvimento econômico. Tudo isso enquanto contribuem para a redução de emissões necessária para evitar os piores efeitos da mudança no clima.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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