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Meios de transporte

Conectividade vira tendência também entre motos

Novos modelos de motocicleta já trazem conexão Bluetooth, aplicativos e até a possibilidade de espelhar o smartphone no painel enquanto se pilota

6 minutos, 47 segundos de leitura

15/06/2021

Por: Arthur Caldeira

Sistema de infotainment da luxuosa Honda Gold Wing 1800 traz informações detalhadas sobre o funcionamento da moto e permite espelhar celulares iOS ou Android na central multimídia. Foto: Divulgação Honda

Atualmente, é possível fazer quase tudo pelo smartphone. Desde pedir uma refeição, pagar contas, ouvir música até se cadastrar para tomar vacina. Na mobilidade, não é diferente. Afinal, quem se lembra da última vez em que consultou um guia de ruas para encontrar um endereço?

Como a nossa vida está cada dia mais online, natural que as motocicletas sigam essa tendência. Antes restrita aos modelos mais luxuosos, a conexão com o smartphone chega também a outros segmentos, como motos aventureiras e até scooters.

A conectividade pode fazer com que o trajeto diário seja mais confortável, seguro e – por que não? – divertido. Há inúmeras vantagens, como receber as direções dos sistemas de navegação no painel ou obter informações detalhadas sobre o estado da sua motocicleta e a sua forma de pilotar.

Segurança e informação

Mas se engana quem pensa que a conectividade se restringe às centrais multimídia. As motos conectadas também podem dar informações sobre o funcionamento do veículo, alertando o condutor sobre falhas ou problemas mecânicos.

Já existem, na Europa, serviços automáticos de chamada de emergência em caso de uma queda ou colisão. Os algoritmos das unidades de controle eletrônico detectam a ocorrência de um acidente e, por meio de um aplicativo no celular, o sistema envia uma mensagem aos serviços de emergência.

O alerta traz informações sobre o local do acidente, a gravidade e até dados médicos do condutor. Segundo pesquisas, uma mensagem automática desse tipo pode reduzir pela metade o tempo necessário para que o resgate chegue ao local.

Espelhamento é a grande novidade entre motos

Aplicativo para conectar o celular ao painel da moto já está presente em modelos compactos, como a KTM 390 Duke, até na sofisticada BMW R 1250 GS. Foto: Divulgação BMW

As motocicletas estão cada vez mais conectadas, como provam os mais recentes lançamentos no mercado internacional e brasileiro. Recentemente, a Honda apresentou a nova geração da Africa Twin CRF 1100L. Entre as diversas novidades do modelo aventureiro, está a possibilidade de espelhar o iPhone ou o celular Android em uma tela sensível ao toque e colorida, feita em TFT – mesmo material usado nos smartphones.

O painel do modelo, que pode ser chamado de central multimídia, traz os softwares Apple Car Play e Android Auto – também usado em muitos automóveis –, que permitem reproduzir aplicativos e funcionalidades dos smartphones mais populares no mundo todo.

A grande vantagem desse tipo de conexão é permitir o uso de aplicativos com os quais os motociclistas já estão acostumados. É possível usar o Spotify para ouvir música, o Google Maps para navegar ou outros aplicativos do Google para ver a previsão do tempo ou fazer pesquisas, tudo direto no painel da motocicleta.

Por enquanto, para utilizar os softwares de emparelhamento, ainda é preciso conectar o smartphone por meio de um cabo USB. Mas, nos automóveis, já existe uma versão “sem fio”. Para aproveitar todas as funcionalidades do sistema, ainda é preciso ter um intercomunicador no capacete.

Embora o espelhamento seja a tendência atual, diversas motos, de modelos compactos, como a KTM 390 Duke, à sofisticada BMW R 1250 GS, oferecem outros meios e sistemas que permitem a conexão com o celular.

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Aplicativo próprio

A solução mais comum é a conexão da moto com um aplicativo no smartphone por meio de Bluetooth. Esse tipo de conectividade é adotado por grandes marcas como BMW, Ducati, Triumph e Kawasaki.

Praticamente, todos os modelos apresentados pela Kawasaki a partir de 2019 têm conexão com o aplicativo Rideology, criado pela própria marca. Da naked média Z 650 à recém-lançada superesportiva Kawasaki Ninja ZX-10R.

Embora seja limitado e não ofereça sistema de navegação nem a possibilidade de se ouvir música, o aplicativo possui três funcionalidades interessantes. Tem informações sobre a moto, como quilometragem, autonomia, troca de óleo, entre outras, e permite fazer ajuste remoto direto no celular, dos controles eletrônicos da motocicleta, como modos de pilotagem e acerto das suspensões, eletronicamente, nos modelos em que existe essa função.

Ainda há a possibilidade de gravar informações sobre seu passeio de moto no fim de semana ou até mesmo algumas voltas em um autódromo. Além da distância e do tempo, é possível ver a rotação do motor, a marcha engatada e a inclinação em determinada curva do percurso.

Já os sistemas de conectividade da BMW e da Triumph, que também se valem de aplicativos próprios, oferecem outras funcionalidades. Ambos vêm com sistema de navegação integrado, baseado no Google Maps, no caso da Triumph, e possibilidade de se ouvir música. Ou no sistema de som da própria moto, caso exista, ou em alto-falantes do intercomunicador instalados no capacete – mas é preciso adquirir, separadamente, o equipamento, composto por microfone, central de conexão e alto-falantes.

Controle de voz

Recém-lançada Africa Twin 1100 tem tela sensível ao toque e espelhamento de smartphones. Foto: Divulgação Honda

Há diversas opções de intercomunicadores para motociclistas no mercado, atualmente. Alguns modelos de capacete já trazem até mesmo o equipamento integrado. Com o aumento no uso de intercomunicadores, as fábricas já estão criando sistema de conexão que funcionam por comandos de voz.

Em dezembro passado, a Honda apresentou um sistema de controle de voz e um aplicativo desenvolvidos para que os motociclistas possam acessar e utilizar as funções mais importantes dos seus smartphones Android, enquanto pilotam suas motos.

O app Honda RoadSync funciona em conjunto com um sistema de controle de voz, desenvolvido pela marca. Batizado de Honda Smartphone Voice Control System (HSVCS), o sistema vai ser item de série em diversos modelos, como a NC 750X e a CB 1000R, que também estão à venda no País.

Para aproveitar todas as funcionalidades do aplicativo, entretanto, é preciso um telefone Android (7.0 ou superior) emparelhado com o sistema e um capacete equipado com intercomunicador (alto-falantes e microfone).
Todas as funcionalidades do aplicativo Honda para smartphones são operadas por meio de uma combinação de comandos de voz ou por uma espécie de joystick, de quatro vias, no punho esquerdo. Dessa forma, o condutor pode guardar o celular com segurança no bolso, mas continuar conectado.

A base do sistema de navegação do aplicativo é o Google Maps. O condutor recebe as direções pelo intercomunicador, mas as informações também aparecem no canto inferior direito do painel da moto, todas digitais, com tela de TFT, como os smartphones. O sistema ainda dá a previsão detalhada do tempo no destino escolhido.

Também é possível ouvir música, efetuar e receber chamadas, além de usar o SMS ou seu aplicativo de mensagem preferido. O condutor pode pesquisar um contato por voz, depois ditar a mensagem para enviar. As mensagens recebidas são convertidas em voz e lidas para o piloto. O sistema deve equipar a futura scooter Honda Forza 350, que será lançada, no Brasil, ainda neste ano.

Inteligência artificial

Aplicativo Rideology, da Kawasaki, permite gravar informações de um passeio de moto e deve ganhar assistente de voz. Foto: Divulgação Kawasaki

A Kawasaki também revelou que já tem pronto um assistente de voz para motociclistas, nos moldes do Alexa, da Amazon. Em coordenação com um serviço na nuvem, o novo sistema da Kawasaki usa o smartphone como intermediário para a comunicação bidirecional entre piloto e motocicleta.
Ativado por voz no capacete, a inteligência artificial poderia, por exemplo, dizer a um motociclista qual a autonomia restante que sua moto tem antes de precisar de mais combustível ou pesquisar padrões de clima e tráfego ao longo de um trajeto. Segundo a Kawasaki, o projeto de inteligência artificial já está em fase final de testes, com pilotos selecionados no Japão, e deverá equipar os modelos com conectividade por meio de uma atualização do software.

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