Meios de transporte

Futuro da aviação requer novas fontes de combustíveis

Estima-se que cerca de 215 aeronaves com propulsão elétrica estão atualmente em desenvolvimento no mundo. Uma delas no Brasil.

3 minutos, 6 segundos de leitura

05/01/2021

Futuro da aviação requer novas fontes de combustíveis
Foto: Getty Images

Quando se pensa em transição energética, impossível não falar da contribuição da indústria aeronáutica, que vem abraçando a descarbonização e dando os primeiros passos para uma revolução na forma como voamos. O setor de energia se apresenta como parte fundamental desse processo, sobretudo para o desenvolvimento de novas soluções para voos de curtas distâncias por meio da eletrificação da fonte propulsora. Enquanto a aviação de longa distância deverá passar pelo uso do hidrogênio, à medida que esta tecnologia ganhar maturidade. 

A eletrificação da aviação não é um conceito novo. Antes mesmo de se realizar o primeiro voo, já havia protótipos elétricos sendo testados. Em 1883, o francês Gaston Tissandier (1843-1899) colocou no ar um dirigível movido a um motor elétrico. Entretanto, assim como aconteceu com os automóveis, o transporte aéreo acabou escolhendo outras fontes para se massificar.

Avião brasileiro 100% elétrico

A história não para e, atualmente, um estudo da Nexa Advisors e da Vertical Flight Society prevê que a mobilidade aérea urbana poderá receber até US$ 318 bilhões em investimentos nos próximos 20 anos. A consultoria Roland Berger estima que cerca de 215 aeronaves com propulsão elétrica estão atualmente em desenvolvimento no mundo. Uma delas está no Brasil: o avião demonstrador de tecnologia de propulsão 100% elétrica que utiliza um EMB-203 Ipanema como plataforma de testes. Trata-se de uma iniciativa da Embraer, a quem a EDP se uniu num acordo de cooperação para avançar no conhecimento de tecnologias de armazenamento de energia e recarga de baterias para a aviação – um dos principais desafios desse tipo de projeto. 

Transporte aéreo compartilhado

A parceria permitirá investigar a aplicabilidade de baterias de alta tensão para o sistema de um avião de pequeno porte, visando a uma possível futura aplicação comercial. Também serão avaliadas características de operação, como peso, eficiência e qualidade de energia, controle e gerenciamento térmico, ciclagem de carregamento, descarregamento e segurança de operação.

O desenvolvimento de tecnologias é o primeiro passo para a mudança. Baterias, sistemas eficientes e integração de equipamentos são essenciais para viabilizar o transporte aéreo elétrico. Com a evolução, será possível obter preços acessíveis e avançar para as etapas seguintes, que incluem novos mercados.

O transporte aéreo elétrico poderá possibilitar novas formas de mobilidade urbana. Poderemos ter, em breve, o transporte aéreo compartilhado. Em uma metrópole como São Paulo, que possui atualmente a segunda maior frota de helicópteros do mundo, este não parece um sonho distante.

Também haverá espaço para serviços como transporte para o aeroporto, táxis aéreos sob demanda, novos serviços para aviação executiva e voos charter de até 250 milhas, segundo projeções da Nexa Advisors e da Vertical Flight Society. Tudo isso demandará infraestrutura de carregamento, claro. Daí, surgirão novas soluções que atenderão esses nichos.

Já para grandes distâncias, o hidrogênio desponta como a fonte mais replicável. Em estudo preparado pela McKinsey & Company para o Clean Sky 2, a fonte apresenta como vantagem a possibilidade de ser produzido diretamente a partir de fonte renovável.

Obviamente, o surgimento de todos esses mercados está ligado à capacidade das fornecedoras de energia de avançar na oferta dessas novas fontes e dos governos em regular esses serviços. De toda forma, o transporte aéreo cumprirá a função de integrar de maneira mais efetiva os modais urbanos, mantendo sua essência: encurtar distâncias.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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