Meios de transporte

Motoristas trocam o volante do carro pelo guidão das scooters

Em live, gerente de Marketing da Honda Motos revela que maioria dos compradores desse tipo de moto também tem um automóvel na garagem

5 minutos, 36 segundos de leitura

06/10/2021

Foto: Divulgação Honda

A venda de motocicletas tem apresentado crescimento desde o início da pandemia. No primeiro semestre deste ano, o setor de duas rodas comercializou 517.362 unidades, alta de 47,7% em comparação com o mesmo período de 2020. Em meio ao bom momento vivido pela indústria de motos, o segmento de scooters tem se destacado. 

Os números de venda desse tipo de moto urbana têm crescido a taxas maiores do que o mercado em geral. Até julho, as vendas de scooters registraram alta de 60% na comparação com o ano passado e representam quase 10% das motocicletas emplacadas em 2021.

Mas se engana quem aponta os entregadores e motoboys como o principal público consumidor das scooters. “Majoritariamente, é um consumidor que vem do automóvel”, revelou o gerente de Marketing da Honda Motos no Brasil, Odair Dedicação Jr., durante live, promovida pelo portal Mobilidade do Estadão, que discutiu a expansão das scooters.

Odair Dedicação Jr é gerente de marketing da Honda Motos no Brasil.

Segundo o executivo, só a Honda teve crescimento de 55% nas vendas desse tipo de moto. “O consumidor brasileiro descobriu as scooters como uma opção de mobilidade fácil e econômica”, avalia Odair Dedicação Jr. Segundo o gerente de Marketing, as vendas se concentram principalmente nas grandes cidades e em locais com maior densidade demográfica. “O estado de São Paulo é o principal mercado consumidor de scooters, com cerca de 50% das vendas de todo o País”, afirmou. 

Arthur Caldeira, editor do MotoMotor, portal de motos do Estadão.

Com mediação do jornalista Arthur Caldeira, editor do MotoMotor, portal de motos do Estadão, a live também contou com a participação do produtor de conteúdo Rafael Cantarelli. Desde 2016, Cantarelli mantém o canal Papo de Scooter no YouTube, com dicas para quem, como ele, trocou o volante do carro pelo guidão de uma scooter.

“Em uma viagem para a Europa, onde eu vi scooters para todo lado, aluguei uma e me apaixonei. Na semana seguinte à minha volta ao Brasil, comprei uma Honda PCX. É muito prática, e eu nem imaginava como ia ganhar tempo com ela”, revelou o pernambucano, que mora na capital, Recife, e levava uma hora e meia para ir ao seu escritório de carro. 

“De scooter levo 25 minutos e não chego estressado no trabalho”, garante. Cantarelli afirma ainda que pagou as parcelas da scooter apenas com o dinheiro economizado com a gasolina. “Minha PCX roda entre 40 e 42 km com um litro”, diz ele.

Cantarelli se encantou tanto com a praticidade das scooters que decidiu criar o canal, para compartilhar as descobertas e experiências do dia a dia com quem tinha dúvidas sobre as scooters.

Rafael Cantarelli é produtor de conteúdo no canal Papo de Scooter no YouTube.

Pilotagem fácil e segura

A principal diferença é que todas as scooters são automáticas. “A grande maioria usa o câmbio CVT, o que facilita a migração de quem vem dos automóveis”, explicou Cantarelli, de forma resumida, o que difere esse tipo de moto. Outra característica das scooters reforçada pelo produtor de conteúdo é que, nas motos, você precisa passar a perna por cima do banco e pilotar montado. Já nas scooters, o condutor vai sentado. “É mais fácil de subir”, completou.

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O gerente de Marketing da Honda Motos fez questão de ressaltar que muitas características dos carros também podem ser encontradas nas scooters, como pintura com cores semelhantes às utilizadas nos carros, além de detalhes do acabamento e do design. “Nossa campeã de vendas, a PCX, por exemplo, tem chaveiro de presença como os automóveis, ou seja, não é preciso colocar a chave na ignição para dar partida”, explicou Dedicação Jr.

Outro item destacado pelo executivo da Honda foi o sistema Idling Stop que equipa a PCX, além de outras scooters da marca japonesa. O sistema, que funciona como o Start & Stop dos carros de luxo, desliga o motor em paradas mais longas, como no semáforo, por exemplo, para economizar ainda mais combustível e poluir menos. 

Segundo Cantarelli, a principal dúvida de quem troca o carro pela scooter se refere à segurança. “A maioria tem medo de pilotar no trânsito. Foi por isso que criei o canal, para mostrar que a scooter não é perigosa; perigosa é a forma de conduzir. Quis mostrar que é possível pilotar com cautela e atenção, e sempre com os equipamentos de segurança, como capacete de qualidade, jaqueta e luvas apropriadas”, ensina.

Odair, que também usa uma Honda SH 150, nos deslocamentos em São Paulo, acrescentou que o fato de já ter dirigido automóveis contribui para pilotar uma scooter de forma segura. “Quem anda de carro tem outro timing, outra visão do trânsito. Ao guidão, você sabe que o motorista pode não ter visto a moto e pilota com mais cautela”, garante.

Modelos variados

Quando perguntado sobre as dicas para quem quer comprar uma scooter, Rafael Cantarelli brinca que basta escolher o modelo, que o motorista não irá se arrepender de fazer a troca. “Se for para deslocamentos dentro da cidade, modelos de entrada, como a Honda Elite 125 ou a PCX, vão lhe atender muito bem. Mas, se você precisa pegar a estrada, existem scooters mais potentes, como a SH 300 ou a X-ADV, que têm motor de 750 cc”, explicou. 

O crescimento na venda de scooters nos últimos anos levou fabricantes a diversificarem os modelos à venda no País. Atualmente, a fabricante conta com seis modelos no seu lineup, com motores que vão de 125 a 750 cc, para os mais variados perfis de consumidores. 

Desde o elegante SH 300, feito para quem quer até viajar com a scooter, até o modelo de entrada, a Elite 125, ideal para quem quer fugir dos ônibus lotados em tempos de pandemia. “A nossa scooter de entrada, a Elite, por exemplo, tem o preço de um smartphone”, afirma o gerente de Marketing. Com preço a partir de R$ 9.650, a scooter de 125 cc custa menos do que algumas versões mais novas de smartphones.

Para o executivo, o mercado de scooters no Brasil ainda tem grande potencial. “A Honda está sempre avaliando o mercado, para oferecer o que o consumidor procura”, afirmou ele quando questionado sobre as novidades da marca para o segmento. 

Proprietário de duas scooters, Cantarelli fez coro. “Acredito que o segmento de scooters ainda está engatinhando no Brasil. Tem muito a crescer. Quando comprei a minha PCX, havia poucas em Recife. Agora já virou uma moto que se vê em todo lugar”, comemora. 

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