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Embaixadores

Tamy Ribeiro

Mora em Hamburgo, Alemanha, e atua na área de parcerias da Wunder Mobility.

Meios de transporte

Startup europeia de patinetes elétricos atinge primeiro mês de lucro

A covid-19 acelerou a regulamentação e infraestrutura em diversas cidades europeias e governantes se mostraram mais abertos a novos modelos de transporte

17/08/2020 - 3 minutos, 9 segundos


Mulher sobre um patinete na calçada durante o dia
Foto: Getty Images

Após anos de discussão sobre o potencial do modelo de negócio de empresas de micromobilidade, a startup de patinetes elétricos compartilhados europeia VOI demonstra que, apesar da crise provocada pela covid-19, é possível, sim, pensar em um modelo de negócio rentável.

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Na contramão do que aconteceu com muitas empresas que amargaram enormes prejuízos nos primeiros sete meses do ano, a VOI, ao contrário, atingiu seu primeiro mês de lucro – isso em plena pandemia.

Durante anos, o potencial de empresas de micromobilidade foi questionado. Entretanto, enquanto muitas empresas procuram meios de sobreviver durante a pandemia, a empresa europeia de patinetes elétricos, sediada em Estocolmo, na Suécia, se destaca por ter se tornado rentável em plena crise global, apenas dois anos após o lançamento do aplicativo.

De acordo com Fredrik Hjelm, CEO da VOI, a covid-19 acelerou significativamente a regulamentação e infraestrutura em diversas cidades europeias e governantes se mostraram mais abertos a novos modelos de transporte.

Mundo mais sustentável

Operando em 40 cidades e 11 países na Europa, como Alemanha, França, Suíça, Noruega, Dinamarca, entre outros, a empresa acredita que os patinetes elétricos permitem que as pessoas se mantenham socialmente distantes e evitem multidões enquanto se deslocam pelos centros urbanos.

Ainda de acordo com Fredrik Hjelm, alcançar essa meta representa um marco na indústria, que atraiu muito ceticismo do mercado nos últimos anos. “Eu acredito que atingimos uma maturidade que nos permite focar na eficiência de nossas operações e, consequentemente, reduzir as despesas. Eu espero que outras empresas como a VOI consigam seguir o mesmo caminho, se estabeleçam e contribuam para um mundo mais sustentável.”

De acordo com Hjelm, o apoio de cidades é fundamental para o sucesso de empresas de micromobilidade no mundo. O CEO explicou ainda que a parceria com cidades ultrapassa as questões regulamentares e que oferecer infraestrutura adequada é fundamental para o sucesso das operações e segurança dos usuários.

Ambiente positivo

“O cenário ideal para benefício mútuo é aquele em que cidades definem as regras e cuidam da estrutura, enquanto empresas privadas oferecem um serviço de excelência baseado na experiência de mercado. Governos não costumam ter a velocidade necessária quando se trata de inovação, e os maiores casos de sucesso de inovação global são aqueles em que governos focam no entendimento das necessidades da região, regulamentam, e oferecem a estrutura adequada para a implementação de novos serviços, enquanto especialistas assumem o tópico e apresentam a solução.”

A empresa se utilizou de diferentes recursos para atingir a marca. Além do aperfeiçoamento dos próprios patinetes, análise de dados, machine learning e diferentes modelos de monetização foram cruciais no processo de redução de despesas em plena expansão de mercado e crise global.

Após o sucesso nos últimos meses, a VOI concluiu um novo round, garantindo mais US$ 30 milhões (R$ 162 milhões) de investimento para a empresa. Com o novo fundo, ela pretende continuar a expansão para novos mercados, especialmente o do Reino Unido, mantendo o foco na otimização dos serviços.

A VOI, assim como a Tier, outra empresa de patinetes elétricos, anunciou que se tornou neutra em carbono – suas operações não aumentam a quantidade de CO2, liberada na atmosfera –, se mostrando um importante modal na busca global por um mundo mais sustentável.

O sucesso da empresa representa um bom presságio para transportes eficientes de baixa emissão, que substituem o uso de automóveis em áreas urbanas e representam uma importante ferramenta para atingir as metas climáticas em grandes centros urbanos.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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