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Embaixadores

José Aurelio Ramalho

Diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária e criador do Movimento Maio Amarelo.

Mobilidade com segurança

Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito

Não se trata de um vírus ou uma doença letal. No trânsito, é gente matando gente. Só em guerras ou crimes, pessoas matam pessoas e nessas situações a sociedade repudia e se mobiliza

13/11/2020 - 3 minutos, 21 segundos


carro virado em um acidente de trânsito com uma ambulância ao fundo
Foto: Getty Images

São tantos os caminhos, são tantas discussões, são tantas vertentes. Assim é o trânsito, a mobilidade, o ir e vir de pessoas e veículos. Por isso, conquistar segurança nessa área também é um trabalho complexo e requer vários especialistas de diferentes ramos de atividades, para que uma sociedade alcance a tão sonhada cultura da segurança viária. 

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Porém, há uma situação em que todos são unânimes: a dor da perda de alguém querido por uma ocorrência de trânsito é imensurável. E, desde 2008, o mundo todo é alertado anualmente pelas autoridades da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre os números exorbitantes de mortos e feridos em decorrência dessas ocorrências.

No Brasil, apesar das estatísticas mostrarem queda nesses números alarmantes nos últimos quatro anos, continuamos a perder cerca de três pessoas a cada hora, ou seja, mais de 70 famílias todos os dias recebem a pior notícia: alguém da sua convivência morreu porque estava indo ou vindo. 

Campanha do Observatório Nacional de Segurança Viária para o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito

Basta

Não podemos aceitar mais isso. Precisamos de um basta nos negligentes, nos imprudentes e nos imperitos. É inconcebível que alguém se machuque porque está indo de um lugar para o outro. É inaceitável essa pasmaceira social referente as ocorrências de trânsito. Até quando as autoridades e a imprensa vão aceitar a notícia dos acidentes com apatia e total falta de interesse em cobrar punição aos culpados? Até quando vamos usar a notícia das ocorrências como “tapa-buraco” nos noticiários? 

Não se trata de um vírus ou uma doença letal. No trânsito, é gente matando gente. Só em guerras ou crimes, pessoas matam pessoas e nessas situações a sociedade repudia e se mobiliza. Essas notícias têm destaque e causam comoção. Mas, as ocorrências de trânsito que tiram a vida ou deixam severamente feridos milhares de brasileiros, não recebem o mesmo tratamento. 

Desde 1995, entidades não governamentais da Europa se uniram e escolheram o terceiro domingo de novembro para celebrar as vítimas das ocorrências de trânsito. A data foi adotada pelas Nações Unidas em 2005 e, desde então, o mundo todo celebra o “Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito”. Aqui no Brasil, alguns eventos marcam o dia que, excepcionalmente nesse 2020, coincide com as eleições municipais em todo o País. 

Urgência nas ações

No último Relatório Global de Segurança Viária, publicado em 2018, a OMS afirmou que 1,35 milhão de pessoas são vítimas do trânsito todos os anos no mundo e que na faixa etária de 05 a 29 anos, esta é a principal causa de morte. Mais da metade dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento e as principais vítimas estão a pé, de bicicleta ou de motocicleta. O mesmo Relatório também mostra que as ações realizadas pelos países nos últimos anos para cumprir a meta 3.6 dos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) que prevê uma redução em 50% no número total de mortes no trânsito no mundo, está bem longe de ser alcançada. 

Por isso, é preciso urgência nas ações, compromisso dos cidadãos e, claro, respeito e responsabilidade de todos. Não existe fórmula mágica; não existe apenas uma receita para que esse quadro se modifique. É preciso antes de tudo, indignação para que, a partir disso, passemos a praticar a urbanidade pelas ruas e rodovias e quem sabe, na próxima década, possamos apenas curtir o terceiro domingo de novembro, como apenas mais um domingo do ano, com famílias reunidas, com pais, filhos, amigos, vizinhos, colegas, todos juntos, vivos e saudáveis.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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