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Mobilidade com segurança

Faixa Azul deve ser expandida

Com a queda no número de acidentes graves com motociclistas, projeto piloto deve ser estendido a todo o Corredor Norte–Sul

3 minutos, 13 segundos de leitura

30/05/2022

Por: Arthur Caldeira

Posicionada entre as faixas de rolamento 1 e 2, Faixa Azul conta com adesão de 88% dos motociclistas. Foto: Marcos Mattos/Divulgação CET

O projeto piloto da Faixa Azul, criado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em janeiro deste ano, para organizar o espaço compartilhado entre motos e carros na Avenida 23 de Maio, em São Paulo (SP), deve ser expandido, garante Luiz Fernando Devico, diretor de planejamento da CET. O plano da companhia é ampliar a Faixa Azul desde a Ponte das Bandeiras até a Avenida Moreira Guimarães, no sentido Santana–Aeroporto de Congonhas.

Em operação desde 25 de janeiro, a Faixa Azul, demarcada por sinalização horizontal e sinais verticais, tem 5,5 quilômetros de extensão, entre a Praça da Bandeira, no centro, até o Complexo Viário Jorge João Saad, na região do Ibirapuera. A CET já solicitou autorização à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para a expansão da Faixa Azul e aguarda deliberação do órgão.

Diferentemente de iniciativas anteriores, a Faixa Azul não é exclusiva nem obrigatória, explica o diretor de planejamento da CET. A sinalização foi implantada entre as faixas de rolamento 1 e 2, normalmente já utilizadas pelos motociclistas, para que as motos pudessem transitar com mais disciplina, sem alterar a dinâmica da via.

Segundo Devico, a Avenida 23 de Maio foi a escolhida para o projeto por ser uma via expressa com grande tráfego de motos. De acordo com dados da CET, passam cerca de 2.400 motos, por hora, chegando a 50 mil, ao dia. “Mesmo em número inferior aos automóveis, as motos estavam envolvidas em 78% dos sinistros na via”, diz ele.

“Nosso objetivo era melhorar a condição preexistente e reduzir o conflito entre motos e carros, em um espaço em que, naturalmente, as motos já circulam”, explica o diretor de planejamento da CET. Até agora, os resultados são positivos: em cerca de quatro meses, não houve nem sequer um acidente grave, comemora Devico.

“Buscamos inspiração em experiências da Austrália, que sinaliza o corredor de motos, e também na Malásia, que criou faixas segregadas fisicamente. Mas o modelo é inédito no Brasil e no mundo”, afirma. Antes de ser implementado, o projeto da Faixa Azul foi analisado e aprovado pelo Senatran.

Além da redução da gravidade dos acidentes, o diretor de planejamento da CET comemora a adesão por 88% dos motociclistas que circulam no local. “Nossas pesquisas mostraram também que 96% dos motociclistas afirmam que a medida melhorou a segurança deles e 72% dos motoristas avaliaram a Faixa Azul como uma medida positiva”, revela.

De São Paulo para o Brasil

Caso o pedido de extensão da Faixa Azul seja aprovado pela Senatran, o projeto também deve chegar a outras avenidas da capital paulista, como a Bandeirantes e até mesmo as vias expressas das marginais. “Mas isso demandará mais estudos e uma nova autorização”, esclarece Devico.

Com enorme frota de motos e elevado índice de acidentes com motociclistas, a cidade de São Paulo já foi pioneira na criação da área de espera para motos em semáforos. Implantada em 2013, também como projeto piloto, a região de espera foi testada em outras cidades e regulamentada para todo o Brasil, com o novo Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor em abril do ano passado. Caso seja bem-sucedida, a Faixa Azul, inclusive, pode servir para melhorar e tornar mais segura a mobilidade das motos em outras grandes cidades do País.

“Com o elevado preço dos combustíveis, o número de motos deve aumentar ainda mais, nos próximos anos. Temos que pensar em medidas para acomodar esse crescente volume de motocicletas”, finaliza o diretor de planejamento da CET.

  • Faixa Azul tem 5,5 km de extensão, entre a Praça da Bandeira e a região do Ibirapuera
  • Passam por ela 2.400 motos, por hora, chegando a 50 mil, por dia

Fonte: CET

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