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Márcio Canzian

Diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (Abve) e CEO da Eletricz, empresa especializada na distribuição de veículos elétricos portáteis.

Mobilidade com segurança

Micromodais: segurança em primeiro lugar

Inexperiência, ausência de EPIs, autoconfiança em excesso e imprudência são fatores que mais levam as pessoas a se acidentar

25/05/2021 - 3 minutos, 6 segundos


Foto: Getty Images

A grande adesão aos micromodais elétricos nos últimos anos reforça a necessidade de reflexões mais profundas envolvendo a segurança na condução dos equipamentos. Dados da Aliança Bike mostram que só o mercado de bicicletas elétricas alcançou 32.110 unidades, em 2020, aumento de 28,4% em comparação com 2019. Isso, somado ao crescente número de patinetes e monociclos nas ruas, faz aumentar também a responsabilidade e a conscientização de todos os agentes.

Diferentemente das bikes convencionais, os micromodais elétricos chegam, cada vez mais, com uma enormidade de modelos e características próprias que já não permitem uma classificação universal. O espectro de patinetes elétricos, por exemplo, abrange desde modelos de entrada com 250 W de potência até os de altíssima performance, acima de 3.000 W de potência. O mesmo ocorre com monociclos elétricos, que já podem alcançar até 70 km/h.

E não há problema nisso. São modais incrivelmente econômicos, divertidos e eco-friendly. No entanto, algumas regras de ouro da segurança devem observadas.

Conhecimento: Os veículos elétricos têm características muito específicas e limitações que requerem conhecimento prévio. Um patinete não deve ser conduzido por duas ou mais pessoas ao mesmo tempo, o que sobrecarregar ia o equipamento e causar pane repentina. Já um monociclo elétrico tem limites de aceleração e inclinação, que, se desobedecidos, talvez causem desestabilização. Ambos os casos podem resultar em queda. Ter habilidade também é fundamental. Mesmo no caso de patinete elétrico, que, à primeira vista, parece fácil, um período de treinamento em local controlado é essencial, e trará mais intimidade com o equipamento e confiança na pilotagem.

Proteção: Todos os modais requerem algum tipo de equipamento de proteção individual (EPI). Para bikes e patinetes, recomenda-se uso de capacete coquinho e luvas. Já no monociclo elétrico, devido ao tipo de queda ser sempre frontal, é necessário, além do capacete e de munhequeiras com talas, também joelheiras e cotoveleiras. Os tipos de EPIs variam em função da velocidade do equipamento e do risco de exposição. Para modelos que superam os 30 km/h, por exemplo, recomenda-se protetores mais robustos, como os capacetes full face e jaquetas.

Atitude: Você pode ser um exímio piloto e estar todo equipado, mas basta uma ação imprudente para que os dois tópicos anteriores de nada adiantem. A condução responsável requer uma atitude segura. A falta de regulamentação específica ao segmento não exime ninguém de respeitar regras básicas de convivência no espaço público. Seja em relação aos limites das vias, seja à segurança dos pedestres, seja à condução preventiva, entre outras.

Grande parte dos veículos importados ou mesmo produzidos no Brasil, especialmente os de marcas reconhecidas, são de qualidade inquestionável, com certificados e homologações internacionais, o que torna raro algum defeito no equipamento. A esmagadora maioria dos acidentes relatados até hoje, nesse segmento, está relacionada a erros humanos. Inexperiência, ausência de EPIs, autoconfiança em excesso e imprudência são fatores que mais levam as pessoas a se acidentar. Não há estatísticas claras de acidentes envolvendo monociclos elétricos, por exemplo, mas, felizmente, são poucos os conhecidos e há zero fatalidade no Brasil.

No entanto, o mercado cresce cerca de 30% ao ano e, logo, muito mais desses modais ganharão ruas e ciclovias. A preocupação com a segurança, por parte de todos, deve ser uma constante para que os micromodais elétricos continuem sendo alternativa inteligente de locomoção.
Future-se.

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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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