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Mobilidade com segurança

Mobilidade pacífica combina educação com boas condutas

Formação para o trânsito, conscientização de comportamentos seguros, saúde em dia e cuidados com as falhas de atenção estão entre as principais medidas de preservação da vida

Patrícia Rodrigues

11/05/2021 - 3 minutos, 22 segundos


Respeito à sinalização e aos demais atores do trânsito salva vidas. Foto: Getty Images
Respeito à sinalização e aos demais atores do trânsito são atitudes que salvam vidas. Foto: Getty Images

A questão da mobilidade é inerente aos seres humanos e é ela que faz a vida acontecer: ora atuamos como pedestres e passageiros, ora como condutores, ciclistas ou motociclistas. E essa relação tão complexa se reflete na qualidade do trânsito. “Se compreendermos os papéis de cada um, em diferentes momentos, priorizando a segurança, salvaremos vidas”, observa Talita Minervino Zorzan, diretora da unidade do Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Sest/Senat) de Santo André (SP). “Mas é fundamental portar esse conhecimento para que tenhamos uma mobilidade pacífica, cooperativa e segura. Somente um forte trabalho de conscientização por meio da educação no trânsito poderá preservar vidas.”

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De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2019 foram 31.945 vidas perdidas, uma queda de cerca de 2% em relação a 2018. Apesar de assustador, esse número é o mais baixo desde 2001. “Podemos dizer que essa evolução acontece à medida que surgem as necessidades sociais”, completa Rosangela Cutolo Almeida, técnica de formação profissional. Ao levar em consideração o crescimento da população e o número de veículos, o saldo tem sido positivo. “Por isso, o movimento Maio Amarelo é mais uma forma de conscientização direta da população em geral, já que a vida humana é a verdadeira razão de todos esses esforços.”

A principal missão do Sest/Senat é atuar diretamente com o público jovem e adulto, profissional do transporte ou aquele que deseja atuar no transporte, e os resultados têm se mostrado de grande eficácia. “Não só em relação aos números mas em conscientização e comportamentos seguros”, acrescenta. Porém, todos os modais necessitam de alguém para utilizá-los. “Ser motorista ou motociclista não depende somente de um curso, de um exame e de uma carteira habilitação”, completa Roseli Pereira, coordenadora de promoção social. “Os comportamentos se refletem  diante de qualquer situação, inclusive nas formas de mobilidade.”

Não é acidente

Dos sinistros de trânsito, 95% têm como principal causa o ser humano. “São questões relacionadas às falhas de atenção do condutor (FAC), seja pelo uso do celular, seja pelo álcool e outras drogas”, explica José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). “No caso do álcool, depois da primeira dose, o nível de atenção cai pela metade. Portanto, não existe dose segura – em 35% a 50% dos acidentes ocorridos no mundo há a presença de álcool.” Para combater causas relacionadas à saúde dos condutores, confira as outras orientações do especialista:

        •       Planeje o deslocamento da viagem, incluindo paradas para descanso e alongamentos (evitar trombose), principalmente os profissionais com longas jornadas em estradas;

        •       Durma pelo menos oito horas. Noites maldormidas, sono e fadiga dobram as chances de sinistro e representam 20% das causas de acidente (nas cidades, a maioria deles acontece pela manhã);

        •       Faça exames periódicos ou frequentes. Doenças orgânicas são responsáveis por cerca de 13% do total de acidentes de trânsito fatais. A pressão arterial controlada, por exemplo, evita várias comorbidades (infarto, AVC, insuficiência renal);

        •       Cuide da visão: 95% das informações processadas pelo cérebro ao dirigir provêm desse sentido para a adoção de comportamento seguro e a tomada de atitudes adequadas.

Investir na formação

Como principal apoiador do movimento, junto com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o Sest/Senat fornece, em suas 157 unidades presentes em todos os Estados, ações relacionadas ao Maio Amarelo. Ao longo do ano, disponibiliza cursos especializados, presenciais e a distância para a formação de profissionais em diversas áreas, desde atividades operacionais de transporte e logística até gestão dos negócios: somente em 2020, foram atendidos mais de 8 milhões de trabalhadores em transportes. Só na Unidade Santo André, na primeira semana do mês, houve cerca de 200 atendimentos, em parceria com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP).

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